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Mostrando postagens com marcador chuva. Mostrar todas as postagens
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Um dia minha irmã chegou na minha casa levando um abacate embrulhado de jornal. Amassei levemente o presente recém recebido pra ver se estava no ponto. Senti a maciez da fruta na ponta dos dedos e abri o embrulho. Estava diante do abacate mais lindo que vi na vida. Todo verdinho, sem nenhuma mancha escura.
Lembrei que em Boston uma colher de abacate"Made in Brazil" custava 1 dólar e pensei por alguns instantes que estava diante de um pequeno tesouro. Cortei o abacate no meio e admirei a fruta maravilhosa. Tirei o caroço com cuidado, mas não tive coragem de jogá-lo no lixo. Era um caroço que merecia virar uma árvore.
No dia seguinte, fui no quintal, cavei um buraco e enterrei o caroço na terra fofa bem diante da minha janela, onde eu podia tomar conta. Molhei diariamente a terra e depois de algum tempo, vi despontar o primeiro talo, com uma folha novinha. Pronto. Meu abacateiro havia nascido.
Ele teve uma longa e feliz infância, com um palmo ou dois de altura. Uma adolescência bonita quando atingiu 1 metro e meio, mas então em plena juventude de seus 2 metros, começaram os problemas.
"Abacateiro solta muita folha", disse um.
Qual o problema com as folhas secas? Eu acho até bonito. "Eu cato as folhas", respondi.
"Os abacates caem lá de cima e se arrebentam no chão", disse outro. "Eu tiro do pé enquanto estiverem verdes", falei.
"Os moleques da rua vão entrar aqui pra pegar abacate", afirmaram. "Vai ter abacate pra dar pra todo mundo", disse eu.
"Esse abacateiro tem que ser cortado. Ele vai cair em cima do telhado e quebrar as telhas na primeira ventania", ainda ouvi. "Eu compro outras telhas", respondi.
Mas que implicância! Existiam N motivos para cortar o meu querido abacateiro. Mas eu comprei a briga daquela linda árvore. Pela manhã as folhas recém-nascidas brilhavam no sol. Em pleno verão o verde profundo parecia resplandecer e entrar no meu quarto. Os passarinhos fizeram ninho nos galhos, os gatos afiavam as unhas na base do tronco e até os miquinhos vieram da reserva fazer a festa naquela copa imensa.
Parecia que todos aguardavam as chuvas de verão para ver cumprir a profecia. E esta não tardou. Em pleno dia, o céu escureceu em cinza chumbo. Relâmpagos, raios, trovões e o poderoso vento sudoeste.
Da minha janela eu via a sombra escura do abacateiro envergar de um lado para o outro quando o céu se iluminava em clarões. Nunca vi tempestade mais longa. À noitinha faltou luz. Fui até a cozinha pegar uma vela e de lá ouvi o barulho.
Fui à janela, mas não era possível ver o que tinha acontecido. Só no dia seguinte entendi. O mamoeiro da vizinha tinha caído e quebrado o telhado.
Tive um amigo que era muito ciumento. Ele não gostava de dividir minha atenção com outras pessoas, mas disfarçava isso, apesar de que dava pra ver direitinho o que estava acontecendo. Muitas vezes eu ficava brava com o comportamento dele, mas depois que passava, eu achava graça de tudo.
Hoje vou contar um caso que aconteceu num dos muitos verões que passei curtindo a praia. Eu e meu amigo inseparável. Onde eu ia, ele ia. Naquele verão fomos parar num lugar que tinha uma Prainha e uma Praia Grande. Eu gostava mais da Prainha, mas a coisa começou quando fui fazer um passeio nas areias sem fim da Praia Grande.
Eu estava caminhando sozinha pela areia. Não havia ninguém na minha frente até perder de vista. De repente, veio uma nuvem sei lá de onde, ficou tudo branco e choveu forte. Não dava pra enxergar nada! Comecei a correr pois tenho medo de raios. No meio da corrida vi se aproximar um rapaz, que olhou pra mim e sorriu. Pelo visto só haviam nós dois naquela praia inteira.
Na minha percepção, parecia que a chuva tinha "trazido" aquele rapaz, pois minutos antes não havia pessoa alguma ao redor. Foi simpatia mútua (ou amor?) à primeira vista. Sem dizer nenhuma palavra, ele estendeu a mão pra mim e corremos rápido pela praia, de mãos dadas.
Só depois que alcançamos os primeiros prédios da cidade e nos abrigamos numa marquise é que trocamos as primeiras palavras. Ele era um turista, assim como eu. Combinamos de nos encontrar à noite, no "point" da cidade. Eu voltei pra casa "flutuando" e encontrei... o meu amigo ciumento! Contei a ele minha experiência inusitada sob a chuva de verão e do encontro marcado para a noite. Fomos juntos.
Acho que todos os namorados que tive conheceram meu amigo ciumento... Alguns estranhavam sua presença constante, outros não se incomodavam. O rapaz que conheci no meio da chuva na praia não se incomodou. Na verdade, enquanto eu e meu amigo ciumento falávamos feito umas matracas, o rapaz que conheci na chuva era bastante calado, mas uma das coisas que falou, era que ele iria embora da cidade no dia seguinte.
Marcamos um encontro na rodoviária para nos despedir. Quando estava perto da hora, me arrumei o melhor que pude e fiquei esperando meu amigo ciumento terminar de se aprontar. Sim, porque ele também ia!
Nas nossas acomodações à beira mar, usávamos um banheiro improvisado que precisava que alguém ficasse por perto tomando conta, pois não tinha porta. Na hora da gente sair, ele disse que precisava ir ao banheiro e me pediu pra ficar lá tomando conta pra ninguém se aproximar.
Eu me sentei a uns 3 metros de distância e esperei. Esperei... esperei... esperei...
"Vamos embora!!! Acaba logo com isso!", gritei.
"Só um instante! Espera aí!", gritou meu amigo do banheiro.
Minutos se passaram....
"Anda logo, pô!!!!", gritei de novo.
"Já voooou!!!! "
Mais alguns minutos.... e nada...
"Se você não sair logo daí eu vou embora, heim!!!", ameacei.
"Nãããããão!!!! Já estou terminando!"
Fiquei uma fera de verdade! E já tinha me levantado pra sair dali quando ele veio correndo do banheiro e fomos enfim pra rodoviária.
Quando chegamos lá, o ônibus já tinha ido embora...
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