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Um cliente diferente

sábado, 20 de fevereiro de 2010 by Leila Franca


Nunca tive preconceito com relação ao trabalho. Faço o que tiver de fazer, sem problemas. De fato isso pode ser muito divertido! Então, paralelamente à minha vida profissional, sempre gostei de fazer e vender trabalhos artísticos que eu mesma faço, como telas à óleo e miniaturas.


Na verdade, quando eu era mais nova, passei 3 anos vivendo exclusivamente da venda das minhas miniaturas. Vendi em lojas, feiras, em tudo que é lugar. Em relação a essa fase da minha vida, tenho mil histórias curiosas, mas hoje vou contar um caso interessante que aconteceu mais recentemente.


Fazia tempos que eu estava achando muito caro os preços cobrados para expor nas feiras de artesanato. Assim, resolvi parar com as feiras e vender em outro lugar. Minha família possuía uma espécie de galpão que estava sem uso há anos. Muros altos e um grande portão de ferro que vivia fechado. "Vai ser lá mesmo!", pensei.


Depois de limpar bem o local e jogar um monte de tralha fora, resolvi vender minhas miniaturas bem ali naquele galpão, que minha família chama de "Verde" por ter o piso pintado dessa cor. Providenciei uma mesinha, um pedaço de feltro para forrar, banquinho, cafezinho, água - tudo que eu poderia precisar! E lá fui eu para a minha própria "inauguração" que contava somente com a minha presença!


Coloquei a mesinha diante do portão (ainda fechado), arrumei as miniaturas cuidadosamente e abri a porta! Mas nesse exato momento, um segundo depois que abri o portão, ouvi aquela freada tremenda!!! RRRRRRRRRUUUUUUUUUUUUUUUUHHHHHHH!!!!

Na minha frente, a 1 metro e meio de distância, parou um camburão!!! As portas do veículo se abriram e quatro policiais fortemente armados vieram em passos largos em minha direção!!! (Vocês viram aquele filme, "Tropa de Elite"?). Não preciso dizer que quase tive um ataque cardíaco ou desmaiei com aquela aparição repentina e com a proximidade daquelas armas! Pensei que tivesse acontecendo uma perseguição policial bem ali onde eu estava! Mas era comigo mesma que os policiais vieram ter.


Pararam bem na minha frente e olharam as miniaturas. "Isso é feito de quê?", um deles perguntou. Ainda trêmula, respondi: "De argila." O policial sorriu... Suspirei e ainda arrisquei: "Também uso outros materiais." Ele pegou uma de cada, pagou em dinheiro e mandou embrulhar (eu não estava acreditando que o policial estava comprando miniaturas!) O policial mais velho perguntou se eu saberia fazer policiais em miniatura. "Então faça nós quatro!" Eu olhei bem pra eles para lhes gravar a fisionomia e avisei que faria um pouco caricaturado. Eles gostaram da idéia e foram embora.

A presença dos policiais ali falando comigo atraiu a atenção das pessoas que passavam... Todo mundo queria "ver o que estava acontecendo". Foi até engraçado! Quando viam que os policiais estavam comprando as miniaturas, então queriam também! Como eu vendi neste dia! Não parei um minuto!


Uma semana depois, as miniaturas estavam prontas e os policiais adoraram! (ainda bem!) No dia seguinte outra viatura com cinco policiais parou na minha porta e mais uma encomenda! "Vou fazer o batalhão inteiro!", pensei. Não foi o batalhão todo, mas fiz muitos realmente. Depois disso vieram encomendas de oficiais da marinha, guarda municipal, vieram todas as fardas. Tive até que fazer uma pesquisa sobre os uniformes. E um amigo meu comentou: "Isso que é abertura de novos mercados!!!"


Trabalhei um ano nesse galpão. Fiz tantas miniaturas que fiquei com uma tendinite e por isso parei. Mas o lugar continua lá... o muro alto, o portão de ferro, as pessoas perguntam quando vou voltar a vender minhas miniaturas lá. "Ainda não sei!"


Qualquer dia eu volto!


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