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A fada Sissym e seus amigos ocultos

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009 by Leila Franca


Ontem chamei todos os meus gatos e mandei que fossem procurar todas as fadas e duendes que ainda habitam as casas jardinadas do meu bairro. Os gatos, que conhecem todos os caminhos, que pisam mansinho e são telepatas, saíram rapidamente e organizaram a reunião pela madrugada.

Cat starring (differential focus)

Arranjei um jeito de sair e fui me encontrar com eles entre os girassóis que plantaram na pracinha do condomínio. Nunca vi tamanha reunião! Todos falavam ao mesmo tempo! Estavam revoltados!

William Shakespeare: A

Ariel, o duende chefe, foi quem mandou que todos se calassem e começou o protesto! "Não é possível!", disse ele, "Como uma fadinha haveria de ficar triste?" Bastou que dissesse isso e pude ouvir todas as vozes em coro que com ele protestavam. Os gatos, que faziam guarda de longe, também concordaram.

Do alto de uma árvore, a coruja também se manifestou: "Até semana passada ela estava alegre e agora com esta brincadeira de adulto - esse tal de amigo oculto, ela ficou esquecida!" Todos gritaram em concordância e um gato preto que estava tomando conta do evento miou pedindo que gritassem mais baixo.

Barred owl; Strix varia

Com sua voz fina, uma fadinha recém nascida se manifestou: "É preciso fazer alguma coisa urgente! Isso não pode continuar!". Até um duendezinho que até então estava calado subiu no chapéu de sapo e gritou: "Queremos justiça!"

Fairy

Mas foi um gnomo, que apareceu de repente, que deu a solução para o caso da fadinha triste: "Vamos organizar uma expedição até a Gávea! Vamos chamar todas as fadas que moram no Jardim Botânico e no Parque Laje também! Vamos visitar a fadinha Sissym durante o sonho e fazê-la feliz outra vez! Precisamos dizer a ela que nós somos seus verdadeiros amigos ocultos ou será que ninguém ainda reparou?"

Garden gnome hiding behind bushes

A missão foi aprovada com unanimidade. E desta noite em diante todos saberão que Sissym tem um verdadeiro batalhão de amigos ocultos. E bota oculto nisso!

Corri para casa quando o céu começou a clarear. Ainda pude ver ao longe a fila de fadinhas voando em direção à zona sul da cidade.

Agora sim, eu e os gatos podíamos dormir tranquilos. A paz voltou a reinar!

Clouds Over Mountain Range

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Como dar banho num gato

segunda-feira, 5 de outubro de 2009 by Leila Franca


Os gatos são animais limpos por natureza. Passam o dia se limpando e se você tem mais que um gato, então sabe que um felino limpa o outro nos lugares onde não conseguem alcançar com a língua, geralmente a cabeça e orelhas. A língua do gato parece uma escovinha. Talvez seja por isso que os gatos não gostam de água.

Mas às vezes o banho de verdade, com água e sabão (ou shampu), é necessário. Meu gato Willian Wallace foi jogado na minha casa quando era ainda um bebezinho. Ele estava todo sujo de lixo seco, lama e fezes. Não tinha outro jeito, teve que tomar banho. O pobrezinho deve ter sido jogado no lixo, alguém o pegou e o colocou na minha casa. Ele era mais feio do que tudo. Depois o patinho feio virou um cisne, de tão lindo.

Mas voltemos ao banho. Para dar banho num gato, precisamos começar com os preparativos. Prefira os dias quentes e a hora mais quente do dia. Escolha o lugar onde vai ser o banho. Aconselho um lugar pequeno e fechado, onde ele não possa fugir. O banheiro é o ideal.

Comece preparando o local. Gato é imprevisível. A gente nunca sabe qual será sua próxima reação. Então seja radical e tire tudo, mas tudo mesmo, que possa ser retirado, de dentro do banheiro. Toalhas, escovas, shampu, condicionador, pequenos armários removíveis, cestas, roupa, prateleiras de vidro, tapetinhos, sabonetes, etc. Tire tudo. Deixe o banheiro sem nada dentro. O gato pode tirar uma prateleira de vidro do lugar, quebrar um perfume, molhar as toalhas, escovas, virar lata de lixo, então é melhor prevenir.

Também é bom pegar uma vassoura e varrer o banheiro antes de começar o banho. Às vezes quando a gente tira um tapete fica uma poeirinha embaixo. Essa poeirinha vai virar uma lama se molhar, então é melhor varrer e tirar o lixinho.

Providencie uma bacia, uma caneca para jogar água, o shampu ou sabonete, uma toalha para enxugar o gato depois do banho. Tudo isso antes de começar o banho. Também é importante que você não fique descalço. O gato pode sair andando e fazer xixi no chão enquanto toma banho e você não vai querer pisar no xixi descalço, não é?

Pegue uma bacia e encha de água morna, quentinha, como se você fosse dar banho num bebê. Só depois de tudo pronto é que você vai pegar o gato. Entre no banheiro com ele no colo e feche a porta antes de colocá-lo na água. Se o gato ficar quieto dentro da água (o Willian Wallace fica) vá molhando com a caneca. Cuidado com os olhos e as orelhas do gato. Não deixe entrar água no ouvido nem espuma nos olhos. Dependendo do comportamento do gato na hora do banho, você poderá até dispensar a caneca e usar o chuveirinho do banheiro para tirar o sabão.

Nunca grite ou faça barulho. Vá conversando com seu gato, com a voz suave, que ele vai ficar tranquilo. Os gatos se guiam muito pelo nosso próprio comportamento. Se ele começar a andar todo molhado dentro do banheiro e você se aborrecer, a coisa só vai piorar. Em vez disso, aproveite a hora de ensaboar ou tirar o sabão para fazer carinho e falar bem tranquilamente com ele, que ele vai colaborar.

Acabado o banho, enxugue bem o gato com a toalha. Então agora já pode abrir a porta do banheiro. Gatos não gostam do barulho do secador de cabelo. Também é melhor não mexer em secador enquanto o banheiro estiver molhado, certo? Se for usar o secador, use em outro cômodo da casa.

Deixe seu gato terminar de secar no sol. Depois do banho ele vai ficar cheiroso e brilhando!


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Gatos que fazem cocô e xixi fora da caixa: dica definitiva!

sábado, 15 de agosto de 2009 by Leila Franca

E se apesar de todos os seus esfoços seu gatinho continua fazendo cocô e xixi fora da caixinha de areia? Bom, primeiro vamos fazer um "check list":


1) Você mantém a caixinha de areia do seu gato sempre limpa?
2) A caixinha de areia está longe da comida e da água do gato?
3) A caixinha está posicionada no lugar que seu gato gosta de fazer as necessidades?
4) Se o gato faz xixi e cocô fora da caixa você já o levou ao veterinário para saber se ele está com alguma doença?
5) Seu gato está recebendo sua atenção o suficiente?
6) Seu gato é criado dentro de casa?
7) Se você tem vários gatos, possui uma caixa de areia para cada gato?

Sobre as perguntas, posso comentar o seguinte:

1) Se a caixinha estiver suja, então o gato vai procurar outro lugar pra fazer o "serviço".

2) Se a caixinha estiver perto da comida ou da água, então ele não vai querer usar a caixa.

3) Se a caixa estiver em algum lugar escondido, pode ser que ele não encontre a caixa (por que não colocar a caixa no lugar que ele prefere fazer?).

4) Pode ser que o gato esteja com alguma doença e por isso ele está fazendo as necessidades fora da caixa, então só o veterinário poderá avaliar a situação.

5) Se seu gato estiver estressado, com ciúmes, com medo, então ele vai fazer as necessidades fora da caixa.

6) Se seu gato anda solto por aí, pode ser que ele prefira fazer as necessidades na casa dos outros, então ele corre um sério risco e se você gosta dele, deverá tomar providências para evitar que isso continue acontecendo.

7) Quanto à quantidade de caixas, o ideal é ter uma caixa por gato e uma sobrando. Se você tem 2 gatos, então tenha 3 caixas.

Observação: gatinhos bebês podem fazer cocô e xixi no lugar errado, mas isso é um período curtíssimo. No caso de gatinhos novinhos, temos que colocar a caixa no "território" dele. Não adianta colocar a caixa lá longe que ele não vai achar. Depois que ele crescer um pouco, vá afastando a caixa também.

Agora se você respondeu SIM a todas as perguntas da lista inicial e seu gato continua fazendo xixi e cocô fora da caixa, e - pior - no lugar onde não pode, como por exemplo no tapete da sala, na cozinha, dentro da banheira, num cantinho do seu quarto etc. Às vezes basta impedir o acesso do gato ao local. Se ele sujar o quarto, então mantenha a porta deste quarto fechada por umas 3 semanas, que o gato vai "esquecer" que usou aquele lugar como banheiro. Mas se não der pra fechar a porta, se for num lugar que não tem porta pra fechar, na cozinha, por exemplo, que nem sempre tem porta para o interior da casa. Nesse caso, vamos a dica final, para usar caso nada dê certo:

Suponha que seu gato ignorou a caixa de areia e foi num cantinho e fez xixi ou cocô. Primeiro, pegue um papel toalha para enxugar o xixi ou um saco plástico para retirar o cocô. Em seguida pegue umas duas colheres de sopa de SABÃO EM PÓ bem perfumado - por exemplo OMO - e coloque no lugar que o gato sujou. Coloque então um pouquinho de nada de água no sabão, menos de meio copo. Vai ficar muito sabão pra pouca água, mas é assim mesmo que dá certo. Pegue uma escovinha e esfregue fazendo espuma grossa. PRONTO! Não lave. Não retire o sabão. Deixe ficar seco durante alguns dias. O gato nunca mais vai fazer xixi ou cocô naquele lugar e provavelmente vai procurar a caixa para fazer as necessidades.

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Como segurar um gato para dar remédio

quinta-feira, 9 de julho de 2009 by Leila Franca


Quem tem gato sabe como é difícil dar remédio ao bichano quando necessário. É mais fácil dar remédio aos cachorros, que são mais ingênuos. Os cachorros, que naturalmente já ficam até de boca aberta, adoram comer uma coisinha diferente. Para dar um comprimido ao meu cachorro, corto um pedaço de banana de mais ou menos 2 cm, enfio o comprimido dentro da banana e o cachorro engole aquilo num segundo, sem nem perceber que havia o remédio dentro.

Não podemos fazer o mesmo com um gato. Os gatos não comem qualquer coisa e raramente abrem a boquinha, a não ser que estejam fazendo suas refeições, bocejando, mordendo ou cheirando alguma coisa (quando fazem também uma cara esquisita). Se um gato perceber a presença do remédio em sua comida, mesmo que seja sua comida preferida, ele não come. O pior é que os gatos, mais espertos que os cachorros, rapidamente percebem nossa intenção e se esperneiam, arranham e se escondem. Então ficamos num beco sem saída, sem saber o que fazer.

Logicamente, em tudo há exceção. Existem gatinhos que abrem a boquinha quando a mamãe chega com a colher de remédio ruim. Sei que existem gatinhos assim porque eu tenho um, o Palito. Mas são raros.

O ideal é usar sempre o remédio na forma líquida, nunca comprimidos. Colocamos a dose indicada pelo veterinário numa colher e usamos uma seringa limpa (sem a agulha!) para sugar a medicação e dar ao gato. Mas quem disse que o gato abre a boquinha? Ficamos nós, com a seringa na mão, o tempo passando e nada da gente conseguir que o gato tome a medicação!

Vem a família inteira ajudar. Segura daqui, segura dali, com as unhas pra fora, o gatinho usa o poder de suas patas traseiras para afastar a ameaça em forma de seringa! Chegou a hora! Vai remédio pra tudo que é lado! No chão, na nossa roupa, na roupa do amigo ou parente (que acaba arranhado) que veio ajudar, menos na boquinha do gato. Os 10% do remédio que chegou à sua linguinha áspera é imediatamente colocado para fora, feito uma espuma. Devemos até limpar bem a boquinha do bichano a fim de interromper a saída do remédio na forma de espuma. E acabamos preocupados sem saber o quanto do remédio o bichinho tomou.

Gostaria então de compartilhar com os leitores deste blog uma dica que aprendi há algum tempo atrás com a veterinária Elaine Albuquerque, que é maneira correta de segurar um gato para dar o remédio. Conforme podemos ver na foto acima em que usei meu gato Willian Wallace de 5 meses como modelo, colocamos a palma da mão sobre a cabeça do gato (as orelhas ficam para trás), sendo que o polegar e o indicador pressionam levemente os cantos da boca do animal. Em gatinhos novinhos, basta fazer isso que eles já abrem a boquinha. Os mais velhos não abrem imediatamente a boca, mas nesta posição é muito mais fácil inserir a seringa na lateral da boca do gato e aplicar o remédio já bem pertinho da garganta. Tudo deve ser feito bem rápido. Tem que ser no susto. Colocamos o remédio na seringa, caminhamos naturalmente na direção do gato (fingindo que estamos fazendo outra coisa) e de repente, uma pessoa pega o gato nesta posição e outra aplica o remédio. Pronto! Tão rápido quanto a leitura desta frase.

Quem quiser me contar como foi sua experiência, fique à vontade para comentar.

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10 maneiras de encontrar um gato perdido

sexta-feira, 29 de maio de 2009 by Leila Franca


Black cat Se o seu gato ou cachorro fugiu, talvez você possa tentar as dicas abaixo para encontrá-lo:

1. Procure primeiramente em lugares onde ele possa ter ficado preso acidentalmente. Porões, armários, depósitos, sótãos, banheiros, etc. Procure nos telhados, no alto das árvores, embaixo de arbustos. Procure lugares onde possam haver pequenos animais que eles gostam de caçar. Seu gato pode estar caçando.Canteiros, jardins, terrenos baldios, casas abandonadas, etc. Olhe embaixo dos automóveis, junto das rodas.

2.Falar com as pessoas, vizinhos, comerciantes, principalmente com as crianças. Poucos adultos reparam a presença de um gato, mas uma criança saberá dizer se um gato passou num determinado local. Converse bastante com todas as pessoas que encontrar, mesmo desconhecidos. Conte histórias, crie um laço entre a pessoa e seu gato. Ela poderá ficar interessada em encontrá-lo também.

3. Coloque anúncios com foto em todos os lugares que puder. Não esqueça de incluir seu telefone no anúncio. Escreva com letra grande e legível. Se seu animal tem alguma marca, mancha que possa identificá-lo, descreva também. Tome conta de seus cartazes. Se alguém arrancou, cole de novo.

4. Procure seu gato à noite, depois das 8, que é a hora que eles costumam sair de seus esconderijos. Você pode levar a ração ou algum petisco que ele goste. Se tiver carro, saia também dirigindo, porque os gatos conhecem o barulho do motor de seu carro. Pode levar também alguma coisa que brilhe no escuro, uma lanterninha que você movimente, algo que o atraia.

5. Tente identificar lugares onde hajam outros gatos. Procure saber se no local existe pessoas que resgatem gatos ou que tenham muitos gatos em casa. Seu gato pode ter sido resgatado por alguém.

6. Ofereça uma recompensa, mas cuidado com trotes e assaltos. Se for ao encontro de alguém que diz ter visto seu gato, avise a algum parente ou amigo. Peça que vá com você ao encontro da pessoa, te acompanhando de alguma distância.

7. Procure clínicas veterinárias e pet shops. Deixe seu nome e telefone em nesses lugares. Muitas vezes quem encontra um animal deixa anúncio nesses lugares.

8. Visite os abrigos e centros de zoonoses. Seu gato pode ter sido resgatado.

9. Procure nas escolas, fale com os alunos na hora de entrada e saída. Fale com os comerciantes, donos de bares, restaurantes, açougues, traillers, mercados, que muitas vezes alimentam os animais perdidos. Fale com o gari, com o correio, com o vendedor ambulante do seu bairro.

10. Use a internet para anunciar o desaparecimento de seu gato. Deixe anúncios em comunidades locais. Não esqueça de dizer seu bairro, telefone e deixar seu endereço de e-mail disponível. Acompanhe as respostas que obtiver.

Alô amigos: agora tenho um blog só sobre gatos. É o Gatildo! Aparece por lá! gatildo.blogspot.com

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10 Ways to find a lost cat

1. Look first in places where he may have accidentally been trapped. Basements, closets, warehouses, attics, bathrooms, etc. Look in the roof, on top of trees, below the bushes. Look for places where there may be small animals that they like to hunt. Your cat may be hunting. Gardens, vacant lots, abandoned houses, etc.. Look underneath the car, behind wheels.

2. Talk to people, neighbors, traders, especially to children. Few adults see the presence of a cat, but a child will tell you if a cat was passing in a certain place. Talk a lot with all the people you meet, even strangers. Tell stories, create a bond between the person and your cat. She may be interested to find it too.

3. Place ads with photos everywhere you can. Do not forget to include your phone on the adress. Type with large, legible font. If your pet has some marks, stains that can identify him, describe it well. Take care of their posters. If someone took them off, glue again.

4. Look for your cat at night, after the 8 pm, which is usually the time they leave their hiding and show up. You can have some cat food in your hands that he likes. If you have car, also drive around looking for the cat, because cats know the sound of the engine of your car. You can also take something that glow in the dark, a light you can move, something that attracts him.

5. Try to identify places where there are other cats. Find cat rescue people or who have many cats at home. Maybe your cat was rescued by someone.

6. Offer a reward, but be alert about traps and assaults. If you have to meet someone who claims to have seen your cat, tell a relative or friend about it. Get someone to go with you to meet the person, but keeping some distance.

7. Seek veterinary clinics and pet shops. Leave your name and phone number in those places. Maybe someone found your cat and put an ad in these places.

8. Visit the shelters and centers of rescuing pets. Maybe your cat is there.

9. Search the schools, talk with students at the time of entry and exit. Talk to merchants, owners of bars, restaurants, traillers, markets, which often feed the lost pets. Talk to the street-sweeper, with the post officer, with the hawk in your neighborhood.

10. Use the Internet to announce the disappearance of your cat. Leave ads in local communities. Do not forget to tell where you are, your phone number and leave your email address available. Follow the answers you get.

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A fuga e o retorno do meu gato Preto

quarta-feira, 27 de maio de 2009 by Leila Franca



Em setembro de 2008, levei meu gato Preto, para vacinar no dia da campanha de vacinação no meu bairro. A vacina estava sendo aplicada ao ar livre, em frente de um estabelecimento comercial. Fui de carro e o Preto dentro da caixa de transporte. Era a primeira vez que eu levava um gato para vacinar fora do consultório veterinário.

O Preto é um gato muito manso, então achei que não haveria problema em tirá-lo da caixa para tomar a vacina, mas eu estava enganada. Assim que saiu da caixa, o Preto se esperneou tanto que conseguiu sair dos meus braços, pular na calçada e, correndo numa velocidade extraordinária, entrou em alguma casa daquela rua. Foi tão rápido que nem vi onde ele entrou.

Os moradores do local ainda tentaram me ajudar procurando o gato nas garagens e quintais, mas não adiantou. Voltei para casa com a caixa de transporte vazia e lágrimas nos olhos. Quando cheguei em casa e contei o que havia acontecido, todos saíram na mesma hora para tentar encontrar o Preto, mas também não adiantou. Naquele dia eu andei de 1 da tarde até quase 11 horas da noite procurando o Preto.

No dia seguinte, logo de manhã, fiz um cartaz, tirei cópias e colei nos postes na rua onde o gato havia desaparecido, andei muito e conversei muito com as pessoas. Uma vizinha se ofereceu para fazer cópias de mais cartazes com a foto do Preto. Eu me demorava conversando com as pessoas que encontrava na rua. Não me limitava a perguntar se haviam visto o gato. Eu contava histórias das gracinhas que ele fazia, do que ele gostava e não gostava. No final as pessoas se sentiam como se conhecessem o gato também. Conversei sobretudo com as crianças, que logo se organizaram em mutirão para me ajudar a encontrá-lo. Mas foi mais um dia inteiro andando e nada de encontrar o Preto.

Se ele tivesse saído de casa com suas próprias pernas, talvez eu tivesse mais esperança em vê-lo voltar. Mas eu o levei de carro para longe de casa e foi de lá que ele fugiu. Num lugar completamente estranho, ele não tinha a menor chance de voltar por conta própria.

No dia seguinte, fiquei desolada ao ver que quase todos os cartazes que coloquei haviam sido arrancados. Fiz mais cópias e colei os cartazes outra vez. Tentei mapear a região. Com o Google Earth aberto, tentei imaginar o caminho mais provável que meu gato pudesse ter percorrido. Voltei ao local, andei vários quarteirões até chegar em outro bairro, sempre conversando com todas as pessoas que cruzavam comigo, algumas até já me conheciam, de tanto me ver passar, mas todas as pessoas já tinham desistido de me ajudar a procurar.

Na quarta noite, chovendo muito, eu andando de guarda-chuva toda molhada, começava a duvidar se todo aquele esforço fazia sentido. Minhas pernas doíam tanto que parecia que eu tinha pulado 4 noites de carnaval. Uma pessoa telefonou dizendo que havia visto o gato, mas era trote. Marcamos um encontro, mas nem sinal da pessoa nem do gato.

No quinto dia, eu estava agendada para fazer exame de sangue de rotina de manhã cedo. Saí de casa às 6 horas da manhã, mas quando cheguei na Avenida Brasil, o pneu do meu carro furou. Para quem não conhece, a Avenida Brasil é a principal via de entrada da cidade do Rio de Janeiro, a mais larga e de tráfego mais intenso. Meu pneu sobressalente estava vazio também e todos os borracheiros ainda estavam fechados. Não havia ninguém para ajudar. Deixei o carro sinalizado e saí andando à procura de um posto de gasolina. Quando encontrei um posto, já bem distante do carro, o calibrador de pneus não estava funcionando... Continuei andando...

Foi quando recebi uma ligação no meu celular: haviam encontrado meu gato!!! Uma voz de mulher dizia que meu gato estava mal, se debatendo no meio da rua, tentando se levantar sem conseguir e que ela estava com uma vassoura espantando os cachorros da redondeza que tentavam se aproximar.

Eu fiquei estressada. Pedi a ela pelo amor de Deus que tomasse conta dele até eu chegar. Ela duvidava que o gato em questão fosse o meu, mas eu dizia "É ele!!! É ele sim!!!" E eu ali, andando na avenida Brasil, com o carro com o pneu furado já bem afastado de mim. Fiquei com vontade de largar o carro ali e pegar uma van, mas achei que demoraria mais ainda. Eu tinha que consertar aquele pneu rápido!!! Tentei telefonar para vizinhos e parentes para ver se outra pessoa poderia pegar o meu gato enquanto eu não chegava, mas ninguém atendia o telefone àquela hora da manhã.

Eu estava completamente zonza, em jejum por causa do exame de sangue, andando muito rápido, voltei até o carro e o borracheiro em frente estava abrindo a loja. Rapidamente o pneu foi consertado e eu saí literalmente voando para o local onde o Preto foi encontrado.

Quando cheguei lá, o Preto parecia um pano de chão sujo embolado na sargeta. Ele estava todo sujo de lama seca. Eu não sabia se ele estava ferido ou com algum osso quebrado. Estava só com um lado da boca aberto, a língua pra fora, apresentava movimentos involuntários, espasmos, que me fizeram pensar em algum problema no cérebro ou envenenamento. Fiquei com medo de pegar nele e piorar seu estado. Infelizmente não temos ambulância nem paramédicos que possam socorrer um gato. Pelo menos eu não conhecia. Fiquei com medo de largar ele ali para procurar um serviço assim e ele morrer. Por isso eu o peguei, coloquei no carro e corri para o veterinário.

Felizmente, o Preto não tinha nenhum machucado nem osso quebrado. Era apenas sede e fome. Ele estava morrendo de sede. Ficou 3 dias internado no soro e depois voltou para casa, bem magro, mas já recuperou o peso.

E esta é a história da fuga e do retorno do meu gato Preto.


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The scape and the return of my cat Preto

In September 2008, I took my cat Preto to vaccinate during the vaccination campaign in my neighborhood. The vaccine was being given outdoors, in front of a shop. I went by car and the Preto was in the transport box. It was the first time I took a cat to vaccinate outside.

Preto
is very quiet, so I thought there would be no problem to get him out of the box to take the vaccine, but I was wrong. Once out of the box, Preto struggled to get out my arms, and jumped on the sidewalk, running like crazy, and came in somewhere in that street. It was so fast that I didn’t see where he went.

The residents of the place even tried to help me looking for him in garages and backyards, but we didn’t get to find him. I returned home with a empty transport box and tears in my eyes. When I came home and told what had happened, everybody left to try to find my cat, but they didn’t get too. That day I went from 1 pm until almost 11 pm looking for Preto.

Next morning, I made a poster, took copies and glued on poles in the street where the cat had disappeared, walked and talked a lot with people. A neighbor has offered to make copies of all posters with a picture of Preto. I kept talking with people who were on the street. I didn’t simply ask if they had seen the cat. I told stories about him, about his likes and dislikes. In the end, people felt as if they knew the cat too. I did talk a lot with the kids and they were organized in effort to help me find Preto. But it was another day and I didn’t get to find Preto.

If he had left the house with his own legs, maybe I had more hope to see him back home. But I took him in the car away from home and was there that he did scape. In a completely strange place, he had not the slightest chance to get back on his own.

N
ext day, I was sad when I saw that almost all the posters weren’t out there anymore. So, I made more copies and glued the posters again. I tried to map the region. With Google Earth open, tried to imagine the likely path that my cat might have gone. I returned to the place, walked several blocks until to get another neighborhood, always talking to all the people around. I was even becoming known in that place, but people had given up to help me look for my cat.

On the fourth night, raining a lot, I kept me walking with an umbrella in my hands, all wet, but I began to doubt whether all that effort made sense. My legs were hurting so much that seemed I had been dancing the 4 nights of carnival. Yet, a person called saying that he had seen the cat, but it was hoax. I tried to meet this person, but no sign of the person or the cat.

On the fifth day, I was scheduled to do a routine blood test early in the morning. I left home at 6 o'clock in the morning but when I arrived at Brazil Avenue, the tire of my car got flat. For those who do not know, the Brazil Avenue is the main route of entry to Rio de Janeiro, the largest and most intense traffic. My spare tire was also flat and all stores were still closed. There was nobody to help. I flagged the car and got out walking looking for a gas station. When I found a gas station, away from the car, the tire gauge was not working ... I continued walking ...

That was when I received a call on my cell: someone had found my cat! A voice of a woman said that my cat was ill, was debating in the street, trying to get up and she was trying to keep the dogs away.

I was stressed. I asked her for God to take care of him until I get there. She doubted that the cat in question was mine, but I said 'That's him! Yes, it is him! " And I was still walking on Brazil Avenue, and the car with the flat tire far away from me. I was willing to leave the car there and take a van, but I thought it would take more time. I had to fix that tire fast! I tried to call neighbors and relatives to see if someone else could get my cat, but nobody answered the phone that time of morning.

I was completely dizzy in fasting because of the blood test and walking very fast. Back to the car, the store in front and was opening. The tire was repaired quickly and I went out literally flying to the place where my cat was found.

When I got there, my cat seemed a dirty cloth at street. He was all dirty dry sludge. I didn’t know if he was hurt or if he had any broken bones. He had just one side of the mouth open, tongue out, had involuntary movements, spasms, which made me think about some problem in the brain or poisoning. I was afraid to get him and worsen his condition. Unfortunately we have no ambulance or paramedics who can help a cat. If we had it, I didn’t know. I was afraid to leave him there to find a service like this and he dies. So I got him, I put in the car and ran to the veterinarian.

Fortunately, my cat Preto had no bruise or broken bone. It was just thirsty and hungry. He was dying of thirst. He was hospitalized during 3 days in serum and then returned home, he was so thin, but regained the weight later.

And this is the story of the scape and the return of my cat Preto.

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