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Após ler a reportagem no jornal "O Globo" sobre uma estudante que teve de se retirar da universidade escoltada pela polícia por estar usando uma minissaia, penso que preciso rever meus conceitos. Será que a juventude mudou e eu não reparei? Parece que estamos 40 anos antes e não depois do Festival de Woodstock. Naquele tempo era normal ser diferente, mas nunca foi fácil. Os hippies que o digam.
Francamente, acho que a única maneira daquela situação se reverter seria se todas as alunas da universidade combinassem de usar um vestido rosa ou vermelho bem curto no dia que a estudante agredida verbalmente retornasse às aulas.
Há muito tempo atrás, tive uma amiga que gostava de criar roupas diferentes para ela própria e por um triz não passou pela mesma situação que esta universitária paulista passou este mês.
Uma vez, minha amiga criou uma roupa para uma festa num clube. Era uma blusa preta de mangas compridas colada no corpo, uma calça preta bem justa (até aí tudo certo), mas sobre aquilo tudo, ela achou que ficaria bonito uma saia rodada estampada com flores enormes, na altura do joelho. A saia era armada com arame. Para completar, usou sapatos vermelhos de salto e bico finos e fez um penteado onde seus cabelos, todos puxados para cima, formavam um coque bem no alto da cabeça, onde ela colocou um véuzinho preto.
A garotada presente no clube no dia da festa não entendeu que minha amiga queria ser estilista. Assim que chegamos ao salão do baile, começaram as piadinhas. Uns chamavam os outros "para ver". Quando começaram a vaiar, eu a convenci de que devíamos sair dali imediatamente. Pegamos um táxi e fomos embora. Ela chorava de raiva. Minha amiga tinha o corpo todo coberto pelas calças e mangas compridas, mas ainda assim aquela "coisa" que move as massas esteve perto de começar. Só porque ela era diferente. Aos 25 anos ela foi para a Europa e não mais voltou. Hoje em dia tem um atelier bem sucedido em Paris.
Desde muito sabemos que nossa sociedade não aceita bem quem é diferente do resto, seja qual for a diferença. Experimente, por exemplo, usar um chapéu (sem estar num casamento, corrida de cavalos ou na praia) e verifique que todos vão ficar te olhando. Se você é homem, tente usar um sobretudo num dia frio e irá causar o mesmo efeito. Por que? Porque as pessoas não estão acostumadas com chapéu nem com sobretudo. Vão atrair olhares como se fossem extraterrestres.
Mas às vezes pessoas ditas "normais" também atraem olhares por escolhas mal feitas num dia de pouca percepção. Nem sempre devemos acreditar na vendedora que nos diz sorridente que estamos ótimos enquanto experimentamos uma roupa na loja!
O segredo para não chamar muita atenção é fácil: basta não tentar copiar os modelitos da atriz Reese Witherspoon no filme "Legalmente Loura", não pensar em Michael Jackson quando for comprar uma luva nem na Lady Gaga quando for fazer maquiagem nem na Britney Spears quando decidir cortar os cabelos bem curtos e muito menos na Madonna na hora de comprar botas ou sutiã.
Há também uma matemática envolvida nessa questão. Se quer mesmo continuar passando despercebida na multidão, faça o seguinte: se o número do seu sutiã for maior que 40, então fique longe das blusas tomara-que-caia. Se o seu quadril mede mais que 120 centímetros, então é melhor esquecer as minissaias. Se a sua cintura é mais larga que o quadril, então nunca use calças de cintura baixa e top. E se você pesa mais que 50 quilos, esqueça completamente os shorts muito curtos.
Quanto aos cabelos, só use o louro se for natural. Jogue fora os tubos de laquê, jamais use franjinha reta com óculos quadrado de aro preto e, por favor, não lembre da Nina Hagen quando quiser tentar uma cor diferente!
Bijuterias, somente as delicadas e pequeninas. Lembre que o fato de você ter 10 dedos nas mãos não implica necessariamente em usar 10 anéis. Pra não chamar atenção, esqueça que existem tatuagens, piercings, punks, góticos e principalmente emos.
Mas, se apesar de todas estas precauções, continuarem te olhando na rua, não se desespere: diga para si mesma que ninguém neste mundo é "normal". Normal é aquilo que tentamos ser.
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Os paparazzi ficam de prontidão a espera de uma brisa mais forte que levante a saia de alguma celebridade, se posicionam estrategicamente quando elas estão saindo de um carro, de uma boate ou restaurante. Às vezes até pensamos que aquilo tudo possa ser fabricado para atrair os holofotes para uma determinada pessoa. Quem vai saber?
Algumas personalidades parecem ser alvos constantes desse tipo de coisa (sabe quem, não é?), outras têm sua imagem perpetuada por causa disso. Quem não consegue visualizar em sua mente a lindíssima Marilyn Monroe segurando seu vestido branco que se ergue com o vento?
Pois observem Senhoras e Senhores, que nós, os anônimos dessa Terra, não estamos livres desses episódios terríveis! Quem ainda não foi ao banheiro com pressa e acabou esquecendo o fecho da calça aberto? Qual o biquini, sunga ou bermuda que ainda não desceu abaixo dos quadriz depois de uma onda mais forte naquele dia de praia cheia? Qual o sutiã cortininha que nunca correu para o lado? Qual botão nunca caiu te deixando desfilar no shopping com o sutiã branco à mostra? E aquele decote profundo nas costas, que quem está atrás consegue enxergar até os seus calcanhares? Pois é. Todo mundo levantou a mão agora.
Às vezes a gente fica num misto de pena e horror e vai avisar à pobre criatura a respeito do que está acontecendo: "Senhora, desculpe, sabe o que é? Seu fecho-eclair está aberto..." Quando é homem ninguém nunca avisa. Bem, pelo menos eu acho. São abandonados com suas calças abertas, rasgadas, descosturadas, seja o que for! O pior são os gordos quando se abaixam. A blusa levanta, a calça desce e o traseiro fica de fora, pra quem quiser ver!
Mas será que estou aqui falando de cima desse palanquinho como se eu estivesse de fora dessa história? É logico que não! Também já aconteceu comigo e até hoje fico com vergonha ao lembrar.
Meu tio-avô chegou de visita lá em casa para falar com a minha mãe e ela não tinha chegado ainda do trabalho. Ele, um senhor idoso, muito sério e distinto, calado e religioso, sempre de camisa social com camiseta branca por baixo, sapatos engraxados, calça escura e cinto, sentou no sofá aguardando. Eu tinha uns 17 ou 18 anos na época e estava pintando um quadro quando ele chegou. Sempre coloco uma camiseta velha quando estou pintando porque posso sujar à vontade de tinta. Então eu estava vestida com esta camiseta velha, já manchada de tinta e short.
Fiquei fazendo "sala" até minha mãe chegar. Fiz café, servi, apareci com uma bandejinha de biscoitos, mostrei as últimas fotos da família, minhas pinturas, a reforma que meu pai estava fazendo nos fundos. Tenho certeza que todo mundo sabe como é isso. Finalmente minha mãe chegou e eu voltei à minha pintura. Foi então que eu vi, horrorizada, que a camiseta velha que eu vestia estava com um furo exatamente no meu seio!!! Eu tinha estado o tempo todo com o peito de fora!!! Ahhhhh!!!!
Eu não sabia se ria ou se chorava. Fiquei só me imaginando levando café pro meu tio-avô com aquele peito de fora... Mostrando fotos com o peito de fora... Abrindo a porta, logo que ele chegou, daquele jeito, com o peito de fora... Servindo biscoitinho, mostrando pinturas, tudo com o peito de fora! Que ve-xa-me!!! Meu tio-avô, coitado, devia estar embaraçado. Não falou uma palavra, nunca saberei se ele viu ou se não viu. Mas deve ter visto! Eu não apareci na sala nem pra dizer tchau! Fingi que estava ocupada e gritei lá de dentro quando ele foi embora! E tive sorte dele ter sido minha única platéia!
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