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Mostrando postagens com marcador bebê. Mostrar todas as postagens
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Duvido que alguém vá fazer uma viagem de avião e não sinta nem um pouquinho de stress. Toda aquela coisa de preparar mala, não esquecer nada, ficar atento aos horários, não perder as passagens, tudo isso cria um pouco de nervosismo. E se pelo menos a gente sentasse na poltrona do avião e pudesse relaxar até a hora do desembarque, mas são raros aqueles que conseguem fazer isso. A maioria fica mesmo é rezando enquanto faz de conta que está tranquilo e finge o sorriso.
Quando a gente tem que viajar com criança então, nem se fala. Além de todo o stress normal, ainda temos que prestar atenção na garotada, contar historinha pra distrair, principalmente porque as crianças não mudam o comportamento só porque estão dentro do avião. Querem correr, pular, ir no banheiro na hora que não pode, choram, esperneiam, batem com as coisas na cabeça de quem está sentado e tudo mais.
Aquela técnica da aeromoça de cochichar no ouvido da criança dizendo que quem fizer bagunça vai ter que ficar do lado de fora funciona a maioria das vezes. Mas não é sempre que isso dá certo. Com bebezinho não há conversa que dê jeito.
Me lembro que uma vez estava voltando para o Rio de Janeiro sozinha com os meus três filhos ainda pequenos. O mais novo, ainda um bebê de uns 6 meses, um com 7 e outro com 8 anos. Quando estava pertinho da hora da gente começar a se levantar das cadeiras do saguão do aeroporto pra entrar na fila e embarcar, senti aquele cheirinho. O neném tinha feito cocô.
Fiquei só imaginhando como é que eu ia trocar a fralda dele naquelas cadeirinhas do avião e quanto tempo ainda ia ter que esperar até soltar o cinto de segurança. Então achei melhor ir no banheiro do aeroporto e trocar as fraldas. Ia ser rápido! Mas só quando cheguei no banheiro é que vi que a coisa estava feia: "Nossa! O que esta criança comeu??? Uma panela inteira de brigadeiro???" Não havia um lugar que não tivesse sujo! Era o traseiro, as costas, as pernas e até o calcanhar! Ia ter que tomar banho! Trocar a roupa toda! Começei a pegar toalhinhas de papel umedecido e a limpar, limpar, limpar... acabei com a caixa inteira!
Os meus outros dois filhos mais velhos não paravam quietos e enquanto eu estava lá dando banho francês no neném tinha que ficar chamando e gritando pelos outros dois. Quase não ouvi a pessoa falando no microfone, avisando que era a última chamada para o embarque. Saí correndo com o bebê no colo e os outros dois atrás, correndo também.
Corri em direção da primeira porta com dois recepcionistas sorridentes, continuei correndo por um corredor comprido e entrei no primeiro avião que vi pela frente! Mal sentei e já estava na hora de colocar o cinto porque o avião ia partir!
Nesse momento, meu bebê pegou a chupeta com a mãozinha e a jogou longe e em seguida ameaçou chorar. Eu me revirei toda pra pegar minha bolsa onde tinha um saco com umas 10 chupetas reserva. Peguei logo outra e consegui colocar a chupeta na boquinha do neném antes que ele começasse o choro. Meu filho mais velho já ia tirando o cinto pra pegar a chupeta do chão e enquanto eu dizia a ele que não podia tirar o cinto, o neném pegou a segunda chupeta e jogou pro outro lado. Lá fui eu catar mais uma chupeta, enquanto o avião corria na pista.
Com medo do neném jogar longe todas as 10 chupetas, começei a procurar um brinquedo qualquer, mas tinha ficado tudo na mala e a única coisa que encontrei pra distrair o neném foi uma colher de pau, que estava na minha bolsa. Fiquei pensando: "Meu deus! O que essa colher de pau está fazendo na minha bolsa???"
Mas o meu neném adorou brincar com a colher de pau, deixando os passageiros curiosos a cerca daquele interessante brinquedo que eu tinha levado pra distrair a criança.
Foi só quando a gente já estava vendo as nuvens de pertinho em pleno voo, que eu me dei conta de que ninguém tinha me pedido um único papel pra eu entrar naquele avião! Naquela correria, eu fui entrando na primeira porta, no primeiro avião... Não me lembrava de ter mostrado meus documentos a uma pessoa sequer. Será que já sabiam que faltava uma mulher e três crianças?Ou será que deu branco? Até hoje não lembro de ter mostrado nada a ninguém.
Então começou o meu terror. Olhei primeiro para o próprio avião... que avião grande! Quantas fileiras de cadeiras tem aqui? É passageiro até não poder mais! Tudo estrangeiro. Não via ninguém falando em português e nem em inglês! Mas pra onde que este avião está indo??? Será que estou no avião certo? E se eu estiver no avião errado? Vou parar em outra cidade com as crianças!
O pior é que as bagagens com certeza estão no avião certo! O que é que eu ia fazer em outra cidade sem bagagens e 3 crianças??? A aeromoça passou mas eu não tive coragem de perguntar a ela pra onde o avião estava indo. Ia achar que eu estava maluca. Meus dois filhos mais velhos me puxavam pra eu ver uma nuvem e eu dava aquele sorriso forçado porque estava numa preocupação horrível de estar indo pra longe de casa. Voltando de viagem, eu nem tinha comigo muito dinheiro. E quando chegasse a hora da mamadeira??? Pelo menos eu tinha a colher de pau!
Mas foi a viagem dos infernos. A preocupação na minha mente não parou um segundo. Quando o avião começou a descer, eu estava até com medo de olhar pela janela e ver uma paisagem estranha em vez do aeroporto perto da minha casa! Mas me enchi de coragem e olhei: era o meu lugar! Estava em casa!
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