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Uma historinha de trem

sábado, 27 de fevereiro de 2010 by Leila Franca


Lendo ontem a história da viagem de trem do Fernandez, lembrei do tempo que fui morar numa cidade chamada Hyde Park. Logo nos primeiros dias, pensei que morasse perto de algum aeroporto por causa do barulho de avião que ouvia de quando em quando. Depois descobri, surpresa, que não havia nenhum aeroporto no local e o barulho de "avião" que eu tanto ouvia era na verdade o ruído que o trem Acela fazia ao passar.

Amtrak Adds Another Train Between Boston & NYC

Aquele trem fazia o trajeto Boston-New York e era capaz de alcançar a velocidade de 240 km/h. Mas na minha imaginação, o trem, que não fazia paradas, devia passar em algum trilho exclusivo, em algum local de difícil acesso. Mas não era bem assim...

Um dia, de manhã cedo, eu e um amigo indo, morrendo de sono, para o trabalho, ninguém na rua, o maior silêncio, nos sentamos na estaçãozinha singela de Hyde Park para esperar o trem. Eram 2 pares de bancos sob um telhadinho. Só havia nós dois tiritando de frio ali, a 1 metro e meio dos trilhos.

Daqui a pouco, não deu tempo nem de sair de perto, o mundo inteiro tremeu! Acho que até a minha alma tremeu! Com um barulho ensurrecedor, o trem Acela passou, a toda velocidade, por aqueles trilhos tão perto de nós, que poucos minutos antes pareciam tão inofensivos!

Holiday Travelers at Washington's Union Station

Durante a passagem, que não demorou muito, a minha reação e a do meu amigo, foi de olhar um pra cara do outro, com os olhos arregalados e gritar Aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh!!!!!!! Era como estar sentado numa pista do aeroporto durante a passagem de um avião.

Jamais pensei que um trem daqueles, com uma velocidade daquelas, pudesse passar tão perto de onde as pessoas estivessem sentadas. E a partir daquele dia, eu ficava "de pé atrás" a cada vez que ia para a estação de Hyde Park.

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Pra onde este avião está indo?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009 by Leila Franca


Duvido que alguém vá fazer uma viagem de avião e não sinta nem um pouquinho de stress. Toda aquela coisa de preparar mala, não esquecer nada, ficar atento aos horários, não perder as passagens, tudo isso cria um pouco de nervosismo. E se pelo menos a gente sentasse na poltrona do avião e pudesse relaxar até a hora do desembarque, mas são raros aqueles que conseguem fazer isso. A maioria fica mesmo é rezando enquanto faz de conta que está tranquilo e finge o sorriso.

Man running across clock to city made of computer towers

Quando a gente tem que viajar com criança então, nem se fala. Além de todo o stress normal, ainda temos que prestar atenção na garotada, contar historinha pra distrair, principalmente porque as crianças não mudam o comportamento só porque estão dentro do avião. Querem correr, pular, ir no banheiro na hora que não pode, choram, esperneiam, batem com as coisas na cabeça de quem está sentado e tudo mais.

Aquela técnica da aeromoça de cochichar no ouvido da criança dizendo que quem fizer bagunça vai ter que ficar do lado de fora funciona a maioria das vezes. Mas não é sempre que isso dá certo. Com bebezinho não há conversa que dê jeito.

Young Boy Standing on Seating During a Aeroplane Flight

Me lembro que uma vez estava voltando para o Rio de Janeiro sozinha com os meus três filhos ainda pequenos. O mais novo, ainda um bebê de uns 6 meses, um com 7 e outro com 8 anos. Quando estava pertinho da hora da gente começar a se levantar das cadeiras do saguão do aeroporto pra entrar na fila e embarcar, senti aquele cheirinho. O neném tinha feito cocô.

Fiquei só imaginhando como é que eu ia trocar a fralda dele naquelas cadeirinhas do avião e quanto tempo ainda ia ter que esperar até soltar o cinto de segurança. Então achei melhor ir no banheiro do aeroporto e trocar as fraldas. Ia ser rápido! Mas só quando cheguei no banheiro é que vi que a coisa estava feia: "Nossa! O que esta criança comeu??? Uma panela inteira de brigadeiro???" Não havia um lugar que não tivesse sujo! Era o traseiro, as costas, as pernas e até o calcanhar! Ia ter que tomar banho! Trocar a roupa toda! Começei a pegar toalhinhas de papel umedecido e a limpar, limpar, limpar... acabei com a caixa inteira!

Portrait of a Baby Lying on a Bed

Os meus outros dois filhos mais velhos não paravam quietos e enquanto eu estava lá dando banho francês no neném tinha que ficar chamando e gritando pelos outros dois. Quase não ouvi a pessoa falando no microfone, avisando que era a última chamada para o embarque. Saí correndo com o bebê no colo e os outros dois atrás, correndo também.

Corri em direção da primeira porta com dois recepcionistas sorridentes, continuei correndo por um corredor comprido e entrei no primeiro avião que vi pela frente! Mal sentei e já estava na hora de colocar o cinto porque o avião ia partir!

Airplane docked at gate

Nesse momento, meu bebê pegou a chupeta com a mãozinha e a jogou longe e em seguida ameaçou chorar. Eu me revirei toda pra pegar minha bolsa onde tinha um saco com umas 10 chupetas reserva. Peguei logo outra e consegui colocar a chupeta na boquinha do neném antes que ele começasse o choro. Meu filho mais velho já ia tirando o cinto pra pegar a chupeta do chão e enquanto eu dizia a ele que não podia tirar o cinto, o neném pegou a segunda chupeta e jogou pro outro lado. Lá fui eu catar mais uma chupeta, enquanto o avião corria na pista.

Com medo do neném jogar longe todas as 10 chupetas, começei a procurar um brinquedo qualquer, mas tinha ficado tudo na mala e a única coisa que encontrei pra distrair o neném foi uma colher de pau, que estava na minha bolsa. Fiquei pensando: "Meu deus! O que essa colher de pau está fazendo na minha bolsa???"

Mas o meu neném adorou brincar com a colher de pau, deixando os passageiros curiosos a cerca daquele interessante brinquedo que eu tinha levado pra distrair a criança.

Infant Holding Wooden Spoon

Foi só quando a gente já estava vendo as nuvens de pertinho em pleno voo, que eu me dei conta de que ninguém tinha me pedido um único papel pra eu entrar naquele avião! Naquela correria, eu fui entrando na primeira porta, no primeiro avião... Não me lembrava de ter mostrado meus documentos a uma pessoa sequer. Será que já sabiam que faltava uma mulher e três crianças?Ou será que deu branco? Até hoje não lembro de ter mostrado nada a ninguém.

Então começou o meu terror. Olhei primeiro para o próprio avião... que avião grande! Quantas fileiras de cadeiras tem aqui? É passageiro até não poder mais! Tudo estrangeiro. Não via ninguém falando em português e nem em inglês! Mas pra onde que este avião está indo??? Será que estou no avião certo? E se eu estiver no avião errado? Vou parar em outra cidade com as crianças!

Young woman looking downward, close-up

O pior é que as bagagens com certeza estão no avião certo! O que é que eu ia fazer em outra cidade sem bagagens e 3 crianças??? A aeromoça passou mas eu não tive coragem de perguntar a ela pra onde o avião estava indo. Ia achar que eu estava maluca. Meus dois filhos mais velhos me puxavam pra eu ver uma nuvem e eu dava aquele sorriso forçado porque estava numa preocupação horrível de estar indo pra longe de casa. Voltando de viagem, eu nem tinha comigo muito dinheiro. E quando chegasse a hora da mamadeira??? Pelo menos eu tinha a colher de pau!

Mas foi a viagem dos infernos. A preocupação na minha mente não parou um segundo. Quando o avião começou a descer, eu estava até com medo de olhar pela janela e ver uma paisagem estranha em vez do aeroporto perto da minha casa! Mas me enchi de coragem e olhei: era o meu lugar! Estava em casa!

Jet airplane landing



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Um carinha detonando!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009 by Leila Franca


Foi escondido nos comentários do artigo "Um baterista de quatro braços" que encontrei alguém que dizia "...conheça o meu amigo Gui de 12 anos, o carinha detona.." Uma curta mensagem que representava o password de uma grande história. Agora pergunto: como poderia permanecer oculto algo que é predestinado a aparecer?

Todos sabem que admiro aqueles que vão em direção aos seus próprios limites e fazem o melhor. Assim, procurei saber mais sobre o Gui e assisti ao vídeo em que este garoto de 12 anos acompanha na bateria o grupo de músicos adultos. Logo aos 12 anos, na idade da adolescência e das inseguranças, senti firmeza no Gui. Da mesma forma que os maiores músicos, lá estava ele, concentrado e mergulhado em sua música.

Drum kit

Guilherme, o Gui, que nasceu em 1997, em São Paulo, cresceu numa família de músicos. O pai, baixista. Tios e avós no lado paterno, também músicos. Por parte de mãe, avô e bisavô - dois maestros! E assim o fruto da união dessas duas famílias só poderia resultar num prodígio.

Quando criança, o Gui brincava ao som da música que seu pai tocava com os amigos e aos 5 anos começou a aprender a tocar bateria. Hoje aos 12, sabe ler partituras, mas o ouvido apurado o faria tocar de qualquer maneira.

Mas não é apenas isto: Gui também está aprendendo a montar e a pilotar aviões! Além de baterista, ele quer ser piloto e engenheiro aeronáutico. Grandes sonhos e o que eu vejo é que ele terá um futuro brilhante pela frente.

Agora quando penso no comentário que deu origem a este artigo, vejo o quanto estava certo. Realmente, Gui é um carinha que detona!

Abaixo, temos o vídeo do Gui pilotando um avião...


... e tocando bateria!


Vídeos: alexnavajo

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