Copyright 2010 Leila Franca. All Rights Reserved.
Snowblind by Themes by bavotasan.com.
Blogger Templates by Blogger Template Place | supported by One-4-All
Mostrando postagens com marcador colegas de trabalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador colegas de trabalho. Mostrar todas as postagens
De repente, aquilo que é um pesadelo para a maioria das pessoas acaba por se tornar uma realidade na sua vida: você recebe um comunicado, uma cartinha ou é chamado na sala do chefe onde vai saber que está demitido, despedido, "fired!"
Daí, não te resta outra alternativa senão arrumar uma caixa de papelão, esvaziar as gavetas e limpar a mesa que até poucos minutos antes era sua. Bilhetinhos, porta-retratos, enfeites, seu copo, guarda-chuva e casaco - tudo vai enchendo a caixa. Feliz de quem nunca passou por isso!
Sua cabeça está a mil. O fantasma do desemprego acaba de sentar-se confortavelmente ao seu lado e começa a te soprar pensamentos. Quanto ainda tenho no banco? Quanto vou receber de indenização? Amanhã mesmo vou comprar o jornal para ver os empregos e olhar também na internet. Atualizar o currículo. Ir a entrevistas. Será que tem algum concurso interessante aberto?
É bem por aí.
Isso já me aconteceu há mais de 10 anos atrás. O curioso é que na hora de ir embora e me despedir dos colegas de trabalho, vi que no fundo da sala havia um funcionário que era um sujeito muito calado, alguém que nunca havia falado comigo além do tradicional "bom dia". Achei que devia apertar-lhe a mão também. Caminhei ao seu encontro e então ele falou comigo pela primeira vez:
"Você não foi despedida. O que aconteceu foi que você acabou de ganhar mais uma oportunidade de criar o seu próprio negócio. Uma coisa que vai te dar muito mais dinheiro do que isso aqui. Vê se aproveita essa oportunidade!"
Eu nunca esqueci esse momento. E posso dizer que o minuto final naquela empresa foi o melhor de todos.
Continue Reading
Eu imagino um dia perfeito, onde faço de tudo um pouco, exatamente como gostaria.
No meu dia perfeito eu acordo bem cedo e faço um café cheiroso. Abro a janela e vejo os primeiros raios de sol.
No meu dia perfeito eu trabalho! Porque apesar de reclamar de vez em quando, eu adoro o que faço. Mesa limpa, papel branco, caneta, lapiseira, borracha e computador.
No meu dia perfeito eu como uma comida saudável. Nada de biscoito, pizza, salgadinho e hambúrguer de lanchonete. Meu dia perfeito tem muitas frutas e legumes.
No meu dia perfeito eu faço algum exercício físico. Nada de ficar o dia todo de bobeira em frente ao computador. Perfeito seria uma aula de tai chi chuan ou de krav magá, como nos velhos tempos. Mas pode ser uma corrida ou caminhada.
No meu dia perfeito eu tenho algum contato com a natureza. Nada de ficar entre quatro paredes fumando um cigarro atrás do outro. Pode ser cuidar das plantas, admirar o mar, sentir a brisa, olhar o horizonte e as nuvens.
No meu dia perfeito eu tiro um tempo para os hobbies. Um trabalho manual, uma coleção, uma pintura, costura, uma miniatura, o blog! Nada de ficar com a mente estressada pensando em problemas.
No meu dia perfeito tem um banho gostoso. Frio se estiver fazendo calor e bem quente se estiver fazendo frio. Toalhas brancas, perfume, roupas limpas e cheirosas. No meu dia perfeito consigo deixar minha casa limpa e organizada.
No meu dia perfeito há um tempo pra mim mesma. Pode ser uma ida ao salão de beleza, pode ser simplesmente sentar na varanda, folhear uma revista ou ler o jornal. Um tempo para procurar propositalmente alguma coisa engraçada e rir bastante!
No meu dia perfeito há um tempo para os outros. Telefonar pra minha mãe e perguntar as novidades. Parar na rua e conversar com os vizinhos. Também é um dia perfeito para doar alguma coisa. Procurar objetos sem uso em casa e doar para uma creche, fazer um favor sem que ninguém peça.
No meu dia perfeito vou dormir cedo pra acordar descansada no dia seguinte.
Meu dia perfeito me serve apenas como base. Todos os dias eu tento fazer com que ele se torne realidade. E você, leitor? Como é o seu dia perfeito?
Vou contar um caso que aconteceu há muito tempo, no Natal. Entretanto, apesar do título que escolhi para este artigo, meu assunto de hoje não é exatamente esta data festiva. Vou falar de liderança através desta história.
Tudo aconteceu num Natal em que eu estava muito longe de casa, em outro país. Era um mês de dezembro branquinho, coberto de neve. Sem a família por perto, eu não tinha planos para a véspera nem para o dia de Natal. Estava contando as horas para voltar para o Brasil, que seria na semana seguinte. Já estava de passagem comprada.
Um dos meus dois gerentes, o Luiz, um porto-riquenho, vivia cantando a música "Please, don't go" pra mim, tentando me persuadir a ficar um pouco mais naquela terra gelada. Meus colegas de trabalho, incluindo os gerentes, eram como uma família unida. Logo repararam que eu estava prestes a passar o Natal sozinha e Luiz me convidou para passar o Natal com ele e sua mãe.
Luiz sofria de nanismo. Ele era anão. Entretanto ninguém no trabalho falava essa palavra. A razão para isso é que ninguém conseguia ver o Luiz como anão. Apesar da baixíssima estatura, Luiz fazia com que pensássemos nele como se ele fosse grande. Ele era mais do que nosso chefe, era um amigo.
Com uma voz poderosa, ao encerrar o expediente, Luiz cantava suas músicas preferidas a toda altura. Nos fazia rir fazendo poses engraçadas, como se ele fosse um anjinho de chafariz ou um halterofilista. Trazia presentes para todas as garotas no dia dos namorados e uma vez se fantasiou de abóbora no dia das bruxas, trabalhando o dia inteiro vestido assim. Era uma figura!
Mas quando o assunto era sério, ele dava ordens e todo mundo saía correndo para fazer o que ele havia dito. Em momentos difíceis, a gente sentia firmeza em suas decisões. Ele fazia com que todos se sentissem seguros. Luiz sempre sabia o que fazer. Sua estatura nunca foi um problema. Ele tinha duas caixas de plástico que usava como extensão de suas pernas. Subia nas caixas (cada pé numa caixa) e deslizava pela sala, com extrema rapidez, alcançando qualquer coisa que estivesse um pouco mais alta.
Uma vez, quando uma de nossas colegas pediu demissão porque iria se mudar para longe, o Luiz falou de forma triste: "Mais alguém que se vai..." Ele sentia falta das pessoas que iam embora e, mais do que isso, não tinha medo de dizer o que pensava e sentia. Estava também sempre atento aos sentimentos dos outros. Se havia alguém chateado por algum problema, ele tomava iniciativa de chamar a pessoa reservadamente para conversar e tentava ajudá-la.
Por isso, quando Luiz me convidou para passar o Natal com ele e sua mãe ao saber que eu estaria sozinha, não achei nada estranho e aceitei o convite. Eu nada sabia sobre a sua vida pessoal. Ele era tão envolvido no trabalho, sempre chegando mais cedo que todos e ficando até mais tarde, que eu achava que ele só ia em casa para dormir. Talvez tenha sido por isso que eu imaginei que que aquele Natal seria eu, ele e a mãe dele apenas.
Mas foi tudo diferente do que eu havia imaginado. Saímos do trabalho mais cedo na véspera do Natal e dali eu já iria acompanhar o Luiz até sua casa. Pra começar, ele deu carona pra todo mundo em seu carro. Fomos todos espremidos. No caminho, uma pessoa disse que precisava comprar um presente no shopping e outra queria comprar um vinho. Naturalmente, fomos para o shopping e logo todos quiseram comprar alguma coisa, de modo que quando entramos no carro outra vez já eram quase 9 da noite.
Ao chegar na casa do Luiz tive uma surpresa... A casa estava lotada de gente que o aguardava! Era muita gente! Com a música a toda altura, haviam vários casais dançando na sala! Velhinho dançando com velhinha, criança dançando com criança e até senhoras dançando com senhoras!
Mesmo com a temperatura girando em torno de 10 graus abaixo de zero, a porta da entrada estava completamente aberta. Não dava pra fechar porque não parava de chegar gente. Cada um que entrava, Luiz falava: "Este é meu primo!" Ele falou isso mais de 50 vezes! Cada um que entrava me dava a sensação de estar no vídeo "Lose Yourself" do Eminem, tal a quantidade de jaquetas com capuz por cima do lenço ou boné ou "Can't hold us down" da Christina Aguilera. Todos os primos e convidados tinham essa cara, esse jeito.
Conheci a mãe do Luiz de longe porque não consegui chegar perto dela, tal a multidão que havia entre nós. Alguém me falou para colocar o casaco num quarto e com muito custo fui até lá, me deparando com uma cena que jamais havia visto: o quarto estava cheio, completamente cheio de presentes embrulhados! Não havia lugar para andar nem dava para abrir completamente a porta.
Às 4 horas da manhã a festa ainda rolava. Num determinado momento, a tia de Luiz, uma porto-riquenha bonita, com um vestido florido decotado, como se fosse verão, colocou as mãos na cintura e ordenou: "Movam os carros!" E vários rapazes saíram na mesma hora em direção aos seus automóveis. Perguntei ao Luiz o que era aquilo e ele me explicou que o carro da polícia estava passando pela rua, então os rapazes iam até os seus carros, ligavam os motores, fingindo que estavam indo embora para que a polícia pensasse que a festa estava terminando! Mas a festa só terminou às 5 e meia da manhã, quando a maioria das pessoas foi dormir, embora alguns rapazes continuaram acordados, jogando video-game.
Naquela festa pude perceber que todas aquelas pessoas estavam ali por causa do Luiz. Ele não parou um só momento de atender a todos. Foi realmente um líder que conheci.
Picapp Widget
Subscreva
Seguidores
Visitantes
Quem sou eu
- Leila Franca
- Rio de Janeiro, RJ, Brazil
- Escritora freelance, arquiteta, escultora, pintora,miniaturista, professora... a cada dia descubro mais sobre mim.
Rio de Janeiro
Meus visitantes:
This obra by Leila Franca is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
