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Comendo escondido

sábado, 4 de setembro de 2010 by Leila Franca

Você abre a geladeira e, de repente, dá de cara com aquela deliciosa iguaria, que, infelizmente, não te pertence! Não há ninguém por perto... Será que você consegue resistir?


Wealthy Young Woman Eating Truffles

A tentação muitas vezes é aquele prato de brigadeiro arrumadinho para a festa, mas ainda não está na "hora de comer". Você sozinho lá... Pega um brigadeiro, coloca rápido na boca, arruma os doces que ficaram na bandeja, mas agora você não pode falar com ninguém com a boca cheia! Mas não é que sempre aparece alguém e você tem que responder fazendo "humm... hummm..." e balançando a cabeça pra dizer sim ou não.

Woman eating

Ou então você está atacando aquele pratão de feijão, arroz e ovo frito, aquela gororoba braba, mas que você adora porque enche a barriga e quando está bem no meio da comilança, chega uma visita (a namorada ou namorado novo, a amiga da sua mãe, a prima com o marido) e você vai e esconde o prato no quarto ou guarda no forno, lamentando profundamente o ocorrido. Ah... Isso também é comer escondido!

Strawberries

Minha mãe conta que quando ela estava namorando o meu pai escreveu um bilhete pra ele, colocou junto uns moranguinhos que havia colhido do quintal e pediu a uma prima do meu pai, que era sua amiga, para entregar a ele. No caminho, a prima não resistiu e comeu todos os morangos! Mas ela foi descoberta porque no bilhete minha mãe dizia "Espero que tenha gostado dos morangos..." Mas que morangos? - foi o que meu pai perguntou. Aí não teve jeito. A prima teve que contar que havia comido todos.

Acho que todo mundo tem uma bela historinha sobre esse assunto pra contar.... Qual será a sua?


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Com uma pequena ajuda dos amigos

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 by Leila Franca


Ontem o carinho de todos comigo me fez pensar nos amigos - os antigos também. Os amigos do tempo que havia um clube perto da minha casa que apesar do pomposo nome "Iate Club", era chamado de "Barracão". O clube havia recebido este apelido porque possuía um salão de madeira construído sobre o mar onde haviam bailes, sempre às quartas-feiras. O problema é que minha mãe não me deixava ir! A fama do clube não era lá das melhores, mas as festas eram conhecidas pela animação. Por isso, eu tinha que ir nem que fosse escondido.

full moon through clouds

Houve uma noite que fingi que ia dormir. Me vesti pra sair e deitei debaixo das cobertas. Assim que a casa ficou em silêncio, me levantei, peguei colchas e cobertores e coloquei na cama, amassando daqui e dali até parecer com a forma do meu corpo. Ainda fiz uma "cabeça" e coloquei sobre o travesseiro e caprichei colocando uma peruca de carnaval sobre aquela bola de pano. Depois cobri tudo com o cobertor. Ficou ótimo! Pulei a janela e em dois minutos eu estava na rua, rindo comigo mesma.

Fui até a casa da minha amiga Lúcia. Nós já tínhamos combinado tudo. Assim que cheguei no portão pude ver que ela estava pulando a janela de seu quarto, que dava pra frente da casa. Mas com a Lúcia a coisa ia ser mais complicada, pois o quarto dela ficava no segundo andar. Ela caminhou com cuidado pelo telhado sobre a varanda e olhou pra baixo. Era alto pra pular. Foi para o lado da casa, onde havia um barranco e as árvores cresciam bem junto do telhado. Ela se agarrou nos galhos de uma árvorezinha que crescia na beirada e pulou. A árvore não aguentou seu peso e quebrou. Só vi a Lúcia caindo com os galhos e um monte de barro despencando, mas ela só sujou um pouco a calça.

Descemos a rua, pegamos um ônibus e meia hora depois já estávamos no Barracão! O baile como sempre animadíssimo. Dançamos a noite toda. Às vezes eu ficava até com medo daquela estrutura toda desabar e cairmos todos no mar, pois o barracão balançava inteiro com tanta gente dançando e marcando compasso.

Group of friends celebrating at party in night club

O baile ia de 11 da noite às 4 da madrugada. Por isso, na volta tivemos de ir a pé para casa, pois não havia ônibus àquela hora. Eram uns 3 quilômetros de caminhada. Começamos a andar e logo nos juntamos a duas outras garotas, que conhecíamos e assim fomos em passos rápidos pelas ruas desertas e escuras.

Estávamos bem no meio do caminho quando um automóvel se aproximou de nós e começou a andar devagar nos acompanhando. Não vi quantos rapazes estavam lá dentro, mas começaram a falar com a gente. Muito sérias de medo, continuamos a andar olhando pra frente. O carro avançou um pouco mais e parou uns 50 metros adiante. Atravessamos a rua e ficamos sem saber se devíamos voltar nos afastando de casa ou seguir para frente nos aproximando do ponto onde o carro havia parado. Naquela hora desejei estar dormindo na minha cama no lugar daqueles cobertores!

Car tires smoking

O carro começou a voltar de marcha ré. Intuitivamente, partimos em direção contrária, como se fôssemos voltar para o clube, mas poucos passos depois, ouvimos uma voz que vinha do pilotis de um prédio. "Entrem aqui! Venham pra cá!" Não sei porque, mas confiamos instantaneamente naquela voz e entramos rápido no prédio onde não conhecíamos ninguém. Perto da portaria, havia um rapazinho magrinho, que nos falou: "Fiquem aqui um pouco até que aquele carro vá embora. Eles vão pensar que vocês moram aqui." Esperamos.

Woman against a tree

Uns quinze minutos depois nos atrevemos a olhar. Não havia ninguém na rua. "Vou levar vocês em casa", disse o garoto, que devia ter a nossa idade. E assim caminhamos de volta para nossas casas e ele nos acompanhou a pé. Já na porta da minha casa, disse ao garoto para encontrar com a gente no dia seguinte na praia. Contei a ele o lugar onde costumávamos ficar.

E assim nos encontramos na praia, não somente naquele dia, como também nos cinco anos seguintes, quando ele foi morar em outro país.

Não sei como, reconhecemos a voz de um amigo. Até hoje, pra mim é um mistério o porque confiamos nele naquela noite. Sabemos intuitivamente quando é um amigo que nos chama, qual é o seu tom e acreditamos em suas palavras.

A este amigo, que se chama Gil, que até hoje mantenho contato, e a todos os outros que conheci, dedico a música "A little help from my friends", cantada por Joe Cocker, no festival de Woodstock.


vídeo: ianhawdon

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Depois da festa

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010 by Leila Franca


Quer queira quer não, a gente tem que entrar na cozinha depois da festa. Nem que seja pra ver se sobrou um pouco de pudim de leite condensado. Descobrimos que churrasco frio também é bom. Nada de errado. Uma pena que alguém já catou, na calada da noite, todo o toucinho da farofa e só ficou farinha mesmo no pote. Sem contar que a travessa de maionese já está raspada, dentro da pia. Todo mundo já sabe qual vai ser o almoço hoje. Tudo bem. Ninguém vai estar muito a fim de almoçar mesmo!

Woman Looking in Refrigerator

Em passos lentos, a gente abre a geladeira pra dar uma olhada e acaba comendo uma azeitona depois da torta de abacaxi e fecha com um copo de coca-cola, em vez do café da manhã. Quem disse que não combina?

O pior é quando já não tem mais bebida nenhuma no dia seguinte, mas na casa inteira tem copo abandonado com 3 dedos de refrigerante quente, lata de cerveja cheia até a metade largada até no banheiro e a tão esperada cidra agora jaz na porta da geladeira. A preguiça é tanta que a gente não quer nem fazer força pra abrir a tampa da última garrafa fechada.

Falando em bebida alcoólica, tem gente que bebe tanto que até acorda no lugar errado. Uma vez, depois da festa, minha mãe foi regar as plantas (só ela mesmo pra fazer isso) e achou uma amiga da minha irmã dormindo no jardim. Mas em geral quem bebe acorda torto no sofá da sala ainda vestido com parte da roupa da festa.

Man wearing party hat and messy shirt asleep on sofa, holding wine bottle

Ano Novo é a única festa que se estende pela madrugada e ninguém reclama do barulho. E agora, no primeiro dia do ano, cadê coragem para ir lá fora fazer a caminhada que prometemos ontem pouco antes do estourar dos fogos? E como começar a fazer a prometida dieta logo no dia que sobrou um monte de coisa boa e a expedição da família à cozinha se estende pelo dia todo até não ter mais nada na geladeira? (Bem, ninguém quer comer a última rabanada que ficou num pratinho desde o Natal.)

Woman eating cake

Ainda leva uns dois dias pra gente voltar à nossa vidinha de sempre. Não tem problema: ano que vem tem mais.

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Um barco e uma aventura

sábado, 5 de dezembro de 2009 by Leila Franca


"Não é porque moro no interior, que tenho que gostar de cavalo, de boi e de cheiro de estrume", disse uma amiga minha há pouco tempo. E eu pensei: realmente, o fato de eu morar perto da praia não quer dizer que eu tenha que gostar de barco ou de mar. Aliás, detesto barcos de qualquer tipo.

Desde o tempo que eu era bandeirante e o grupo foi convidado para um passeio num barco da Marinha, passei a detestar viagens marítimas. O problema não foi exatamente o barco ou os marinheiros, mas sim a tempestade com ventania que caiu durante o passeio, formando ondas enormes e fazendo a embarcação balançar pra frente, pra trás, para um lado e para o outro.

Ferry

Tivemos que ficar na parte de baixo do barco e a visão do mar pela janelinha não era nem um pouco amigável. Entre raios, relâmpagos e trovões, víamos um mar crespo cinza escuro de meter medo. As ondas vinham, cobriam as janelas e por alguns instantes a vista da janela era do fundo do mar e eu tinha a sensação de que o passeio era mesmo de submarino.

Submarine

Houve também uma vez, que eu peguei um aerobarco para atravessar a baía de Guanabara e chegar mais rápido ao centro da cidade. Estava chovendo e o mar, novamente, cinzento. Eu estava grávida de quase 9 meses. Era a última consulta do pré-natal antes de ter o bebê. No meio da baía, bem perto da ponte Rio-Niterói, sentimos um cheiro de fumaça e não deu outra: o barco parou. Uma outra embarcação veio nos resgatar poucos minutos depois. Quando a porta do barco abriu, fiquei besta de ver como os homens correram na frente para sair primeiro.

Thinkstock single image collection

Quando chegou a minha vez de sair é que fui ver o tamanho do barco que veio nos resgatar. O degrauzinho que eu teria de subir com aquele barrigão de 9 meses ia de 50 cm a 1,20m mais ou menos porque os dois barcos não paravam de balançar e obviamente não balançavam sincronizadamente. Enquanto um subia o outro descia e por isso o outro barco ficava mais baixo ou bem mais alto. Não tinha jeito de ir para o outro lado. Olhei em volta e vi que do aerobarco que eu estava saía um rolo de fumaça preta. O pior é que um aerobarco não foi feito pra gente andar do lado de fora, então não havia lugar para pisar ou para se segurar.

Um marinheiro, do outro barco, estendeu as mãos para me alcançar. E assim ele me suspendeu pelos braços e eu fui para o outro barco. Quase tive o filho ali mesmo.

Pregnant Woman in Hospital Room

Por causa dessas e outras aventuras, eu sempre preferi ver o mar nas manhãs claras de sol, na maré baixa. Perto da praia onde eu morava havia uma ilhota que tinha apenas uma casa com um pinheiro alto exatamente no meio. Era uma ilha particular. Quando eu tinha uns 15 anos, eu e minha amiga Lúcia descobrimos que batendo com uma pedra num poste de ferro exatamente três vezes, um barco saía da ilha e vinha até a praia. O poste era a "campainha" da ilha. Várias vezes eu e Lúcia batemos no poste e saímos correndo.

Às vezes saíamos nadando e chegávamos bem perto da ilha, mas nunca fomos até a casa, que parecia estar sempre fechada. Alguém nos dissera que lá só ficava o caseiro. Entretanto, gostávamos de ver a ilha da praia e imaginar seus mistérios. Até um dia, eu já com os meus 18 anos, fui convidada para ir a uma festa nesta ilha. Como eu ia perder esta festa? É lógico que eu vou!

An island property

Comidas, bebidas e convidados iriam em seus barcos até a ilha. Arranjei uma vaga num barco pequeno, quase um bote. Cada um levaria alguma coisa para festa. Minha amiga Gelita levaria as empadinhas. Eu resolvi fazer brigadeiros. Passei a tarde enrolando os brigadeirinhos, morrendo de vontade de comer, mas deixei tudo para a festa. A mãe da Gelita fez aquelas empadinhas maravilhosas, que só ela sabe fazer.

Tudo pronto, fomos para a praia encontrar nossos amigos. Todo mundo arrumado e o barco balançando na beirada do cais. Devia ser umas 9 horas da noite. O barco só aguentava cinco de cada vez. Então fui eu, Gelita e mais 3 amigos que iam remando (não tinha motor não!). Cada um levava uma bandeja com as comidas. As bebidas teriam que ir em outra viagem.

Thinkstock Single Image Set

Eu não largava a bandeja de brigadeiros, que planejei comer pelo menos a metade. As empadinhas da Gelita também eram imperdíveis. A gente morrendo de fome, mas não comemos nada antes, pois queríamos que tudo ficasse para a festa.

Dois rapazes foram remando até certo ponto, mas quando estávamos mais ou menos no meio do caminho até a ilha o que não estava remando resolveu remar um pouco e eles tiveram que trocar de lugar. Foi aí que aconteceu o acidente...

Kayak paddle in turbulent water

No fundo do bote havia uma rolha enorme, de uns 10 cm de diâmetro. O rapaz quando se levantou pisou na rolha e ela saiu do lugar, indo pra debaixo do barco! A água começou a entrar com vontade por aquele buracão! Um dos rapazes pulou na água pra tentar achar a rolha e tampar o buraco, mas no escuro foi impossível. Eu, Gelita e os outros dois tivemos que pular na água também porque o dono do barco queria tentar segurar o barco para que não fosse para o fundo.

Quase chorei quando vi os brigadeiros e as empadinhas desaparecendo na água... Eu e Gelita tiramos os sapatos e começamos a nadar de roupa e tudo. Naquele escuro e dava o maior medo... Chegamos na praia morrendo de frio. Os rapazes ainda ficaram um pouco lá na água tentando salvar o barco. Desistimos da festa e voltamos para casa para tirar aquela roupa molhada.

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Um Natal Diferente

terça-feira, 20 de outubro de 2009 by Leila Franca


Vou contar um caso que aconteceu há muito tempo, no Natal. Entretanto, apesar do título que escolhi para este artigo, meu assunto de hoje não é exatamente esta data festiva. Vou falar de liderança através desta história.

Tudo aconteceu num Natal em que eu estava muito longe de casa, em outro país. Era um mês de dezembro branquinho, coberto de neve. Sem a família por perto, eu não tinha planos para a véspera nem para o dia de Natal. Estava contando as horas para voltar para o Brasil, que seria na semana seguinte. Já estava de passagem comprada.

Um dos meus dois gerentes, o Luiz, um porto-riquenho, vivia cantando a música "Please, don't go" pra mim, tentando me persuadir a ficar um pouco mais naquela terra gelada. Meus colegas de trabalho, incluindo os gerentes, eram como uma família unida. Logo repararam que eu estava prestes a passar o Natal sozinha e Luiz me convidou para passar o Natal com ele e sua mãe.

Luiz sofria de nanismo. Ele era anão. Entretanto ninguém no trabalho falava essa palavra. A razão para isso é que ninguém conseguia ver o Luiz como anão. Apesar da baixíssima estatura, Luiz fazia com que pensássemos nele como se ele fosse grande. Ele era mais do que nosso chefe, era um amigo.

Com uma voz poderosa, ao encerrar o expediente, Luiz cantava suas músicas preferidas a toda altura. Nos fazia rir fazendo poses engraçadas, como se ele fosse um anjinho de chafariz ou um halterofilista. Trazia presentes para todas as garotas no dia dos namorados e uma vez se fantasiou de abóbora no dia das bruxas, trabalhando o dia inteiro vestido assim. Era uma figura!

Mas quando o assunto era sério, ele dava ordens e todo mundo saía correndo para fazer o que ele havia dito. Em momentos difíceis, a gente sentia firmeza em suas decisões. Ele fazia com que todos se sentissem seguros. Luiz sempre sabia o que fazer. Sua estatura nunca foi um problema. Ele tinha duas caixas de plástico que usava como extensão de suas pernas. Subia nas caixas (cada pé numa caixa) e deslizava pela sala, com extrema rapidez, alcançando qualquer coisa que estivesse um pouco mais alta.

Uma vez, quando uma de nossas colegas pediu demissão porque iria se mudar para longe, o Luiz falou de forma triste: "Mais alguém que se vai..." Ele sentia falta das pessoas que iam embora e, mais do que isso, não tinha medo de dizer o que pensava e sentia. Estava também sempre atento aos sentimentos dos outros. Se havia alguém chateado por algum problema, ele tomava iniciativa de chamar a pessoa reservadamente para conversar e tentava ajudá-la.

Por isso, quando Luiz me convidou para passar o Natal com ele e sua mãe ao saber que eu estaria sozinha, não achei nada estranho e aceitei o convite. Eu nada sabia sobre a sua vida pessoal. Ele era tão envolvido no trabalho, sempre chegando mais cedo que todos e ficando até mais tarde, que eu achava que ele só ia em casa para dormir. Talvez tenha sido por isso que eu imaginei que que aquele Natal seria eu, ele e a mãe dele apenas.

Mas foi tudo diferente do que eu havia imaginado. Saímos do trabalho mais cedo na véspera do Natal e dali eu já iria acompanhar o Luiz até sua casa. Pra começar, ele deu carona pra todo mundo em seu carro. Fomos todos espremidos. No caminho, uma pessoa disse que precisava comprar um presente no shopping e outra queria comprar um vinho. Naturalmente, fomos para o shopping e logo todos quiseram comprar alguma coisa, de modo que quando entramos no carro outra vez já eram quase 9 da noite.

Ao chegar na casa do Luiz tive uma surpresa... A casa estava lotada de gente que o aguardava! Era muita gente! Com a música a toda altura, haviam vários casais dançando na sala! Velhinho dançando com velhinha, criança dançando com criança e até senhoras dançando com senhoras!

Mesmo com a temperatura girando em torno de 10 graus abaixo de zero, a porta da entrada estava completamente aberta. Não dava pra fechar porque não parava de chegar gente. Cada um que entrava, Luiz falava: "Este é meu primo!" Ele falou isso mais de 50 vezes! Cada um que entrava me dava a sensação de estar no vídeo "Lose Yourself" do Eminem, tal a quantidade de jaquetas com capuz por cima do lenço ou boné ou "Can't hold us down" da Christina Aguilera. Todos os primos e convidados tinham essa cara, esse jeito.

Conheci a mãe do Luiz de longe porque não consegui chegar perto dela, tal a multidão que havia entre nós. Alguém me falou para colocar o casaco num quarto e com muito custo fui até lá, me deparando com uma cena que jamais havia visto: o quarto estava cheio, completamente cheio de presentes embrulhados! Não havia lugar para andar nem dava para abrir completamente a porta.

Às 4 horas da manhã a festa ainda rolava. Num determinado momento, a tia de Luiz, uma porto-riquenha bonita, com um vestido florido decotado, como se fosse verão, colocou as mãos na cintura e ordenou: "Movam os carros!" E vários rapazes saíram na mesma hora em direção aos seus automóveis. Perguntei ao Luiz o que era aquilo e ele me explicou que o carro da polícia estava passando pela rua, então os rapazes iam até os seus carros, ligavam os motores, fingindo que estavam indo embora para que a polícia pensasse que a festa estava terminando! Mas a festa só terminou às 5 e meia da manhã, quando a maioria das pessoas foi dormir, embora alguns rapazes continuaram acordados, jogando video-game.

Naquela festa pude perceber que todas aquelas pessoas estavam ali por causa do Luiz. Ele não parou um só momento de atender a todos. Foi realmente um líder que conheci.

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