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Você abre a geladeira e, de repente, dá de cara com aquela deliciosa iguaria, que, infelizmente, não te pertence! Não há ninguém por perto... Será que você consegue resistir?
A tentação muitas vezes é aquele prato de brigadeiro arrumadinho para a festa, mas ainda não está na "hora de comer". Você sozinho lá... Pega um brigadeiro, coloca rápido na boca, arruma os doces que ficaram na bandeja, mas agora você não pode falar com ninguém com a boca cheia! Mas não é que sempre aparece alguém e você tem que responder fazendo "humm... hummm..." e balançando a cabeça pra dizer sim ou não.
Ou então você está atacando aquele pratão de feijão, arroz e ovo frito, aquela gororoba braba, mas que você adora porque enche a barriga e quando está bem no meio da comilança, chega uma visita (a namorada ou namorado novo, a amiga da sua mãe, a prima com o marido) e você vai e esconde o prato no quarto ou guarda no forno, lamentando profundamente o ocorrido. Ah... Isso também é comer escondido!
Minha mãe conta que quando ela estava namorando o meu pai escreveu um bilhete pra ele, colocou junto uns moranguinhos que havia colhido do quintal e pediu a uma prima do meu pai, que era sua amiga, para entregar a ele. No caminho, a prima não resistiu e comeu todos os morangos! Mas ela foi descoberta porque no bilhete minha mãe dizia "Espero que tenha gostado dos morangos..." Mas que morangos? - foi o que meu pai perguntou. Aí não teve jeito. A prima teve que contar que havia comido todos.
Acho que todo mundo tem uma bela historinha sobre esse assunto pra contar.... Qual será a sua?
Quer queira quer não, a gente tem que entrar na cozinha depois da festa. Nem que seja pra ver se sobrou um pouco de pudim de leite condensado. Descobrimos que churrasco frio também é bom. Nada de errado. Uma pena que alguém já catou, na calada da noite, todo o toucinho da farofa e só ficou farinha mesmo no pote. Sem contar que a travessa de maionese já está raspada, dentro da pia. Todo mundo já sabe qual vai ser o almoço hoje. Tudo bem. Ninguém vai estar muito a fim de almoçar mesmo!
Em passos lentos, a gente abre a geladeira pra dar uma olhada e acaba comendo uma azeitona depois da torta de abacaxi e fecha com um copo de coca-cola, em vez do café da manhã. Quem disse que não combina?
O pior é quando já não tem mais bebida nenhuma no dia seguinte, mas na casa inteira tem copo abandonado com 3 dedos de refrigerante quente, lata de cerveja cheia até a metade largada até no banheiro e a tão esperada cidra agora jaz na porta da geladeira. A preguiça é tanta que a gente não quer nem fazer força pra abrir a tampa da última garrafa fechada.
Falando em bebida alcoólica, tem gente que bebe tanto que até acorda no lugar errado. Uma vez, depois da festa, minha mãe foi regar as plantas (só ela mesmo pra fazer isso) e achou uma amiga da minha irmã dormindo no jardim. Mas em geral quem bebe acorda torto no sofá da sala ainda vestido com parte da roupa da festa.
Ano Novo é a única festa que se estende pela madrugada e ninguém reclama do barulho. E agora, no primeiro dia do ano, cadê coragem para ir lá fora fazer a caminhada que prometemos ontem pouco antes do estourar dos fogos? E como começar a fazer a prometida dieta logo no dia que sobrou um monte de coisa boa e a expedição da família à cozinha se estende pelo dia todo até não ter mais nada na geladeira? (Bem, ninguém quer comer a última rabanada que ficou num pratinho desde o Natal.)
Ainda leva uns dois dias pra gente voltar à nossa vidinha de sempre. Não tem problema: ano que vem tem mais.
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