Subscribe to RSS Feed
Mostrando postagens com marcador cozinha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cozinha. Mostrar todas as postagens

Depois da festa

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010 by Leila Franca


Quer queira quer não, a gente tem que entrar na cozinha depois da festa. Nem que seja pra ver se sobrou um pouco de pudim de leite condensado. Descobrimos que churrasco frio também é bom. Nada de errado. Uma pena que alguém já catou, na calada da noite, todo o toucinho da farofa e só ficou farinha mesmo no pote. Sem contar que a travessa de maionese já está raspada, dentro da pia. Todo mundo já sabe qual vai ser o almoço hoje. Tudo bem. Ninguém vai estar muito a fim de almoçar mesmo!

Woman Looking in Refrigerator

Em passos lentos, a gente abre a geladeira pra dar uma olhada e acaba comendo uma azeitona depois da torta de abacaxi e fecha com um copo de coca-cola, em vez do café da manhã. Quem disse que não combina?

O pior é quando já não tem mais bebida nenhuma no dia seguinte, mas na casa inteira tem copo abandonado com 3 dedos de refrigerante quente, lata de cerveja cheia até a metade largada até no banheiro e a tão esperada cidra agora jaz na porta da geladeira. A preguiça é tanta que a gente não quer nem fazer força pra abrir a tampa da última garrafa fechada.

Falando em bebida alcoólica, tem gente que bebe tanto que até acorda no lugar errado. Uma vez, depois da festa, minha mãe foi regar as plantas (só ela mesmo pra fazer isso) e achou uma amiga da minha irmã dormindo no jardim. Mas em geral quem bebe acorda torto no sofá da sala ainda vestido com parte da roupa da festa.

Man wearing party hat and messy shirt asleep on sofa, holding wine bottle

Ano Novo é a única festa que se estende pela madrugada e ninguém reclama do barulho. E agora, no primeiro dia do ano, cadê coragem para ir lá fora fazer a caminhada que prometemos ontem pouco antes do estourar dos fogos? E como começar a fazer a prometida dieta logo no dia que sobrou um monte de coisa boa e a expedição da família à cozinha se estende pelo dia todo até não ter mais nada na geladeira? (Bem, ninguém quer comer a última rabanada que ficou num pratinho desde o Natal.)

Woman eating cake

Ainda leva uns dois dias pra gente voltar à nossa vidinha de sempre. Não tem problema: ano que vem tem mais.

Continue Reading
6 comentários

Bolo afrodisíaco

sexta-feira, 27 de novembro de 2009 by Leila Franca


Minha mãe não me ensinou a cozinhar porque, dizia ela: "Não te criei pra ficar na cozinha!" Mas, obviamente, esta idéia era um pouco fora da realidade. Todo mundo tem que comer, senão morre! E sem saber fazer absolutamente nada, ficamos na dependência de que outros o façam ou temos que comprar tudo pronto, o que não é muito recomendável.

Woman cutting vegetables in kitchen

A primeira vez que precisei cozinhar foi num acampamento do grupo de bandeirantes que eu fazia parte. A chefe dividiu as equipes e eu fiquei encarregada da cozinha. Se ela soubesse de meus dotes culinários, teria feito outra divisão! O macarrão que preparei tornou-se uma coisa só, branca amarelada, que não saiu nem por decreto do fundo da panela (que tivemos que jogar fora, uma vez que era absolutamente impossível lavar). Assim, rapidamente fui afastada da função e continuei sem poder aprender nem o be-a-bá da cozinha.

Tent at a campsite

Num outro acampamento, onde um ladrão nos roubou quase tudo o que levamos para comer e para fazer a comida, fui fazer um peixe com minha amiga Gelita (aquela do artigo "Sobrevivi!!!") O fogão eram duas pedras com uns gravetinhos pegando fogo no meio. Não sabíamos o que fazer para cozinhar a cabeça e o rabo do peixe, que estavam apoiados nas pedras, já que não tínhamos uma grelha. No final, quando um lado do peixe estava começando a queimar e estávamos fazendo um verdadeiro contorcionismo para virar o peixe para o outro lado, começou a chover forte! A chuva apagou o fogo e molhou nosso único fósforo. O jeito foi comer o lado queimado do peixe, com cabeça, rabo e o outro lado sem cozinhar.

Fire pit

Mas a hora que me dava mais vontade de cozinhar era assim tarde da noite, quando eu e minha irmã já tínhamos comido todas as besteiras da casa, mas queríamos mais alguma coisinha pra distrair enquanto víamos um filme. Uma vez cismei de fazer batata frita. Eu não tinha nem idéia de quantas batatas devia pegar pra fazer uma porção. Então peguei quase dois quilos de batata e fiquei um tempão descascando e picando. Depois uma eternidade fritando. Acho que eu já estava meio que dormindo porque depois de toda aquela batata pronta, cometi um erro imperdoável: coloquei açúcar naquilo tudo.

Living Green

Sem perceber a besteira que havia feito, me sentei na sala com uma das várias travessas de batata frita que preparei. Mas bastou que experimentássemos a primeira batata para descobrir o problema! E agora??? Resignada, lá fui eu pra cozinha com todas aquelas batatas e comecei a lavar cada uma na pia pra tirar aquele açúcar. Depois tive a paciência de secar cada batata frita com um paninho de prato. Provei uma e ainda tinha gosto de açúcar... Então resolvi colocar bastante sal, mas um punhadão mesmo pra cobrir aquele gosto. Conclusão óbvia: ficou horrível. De manhã minha mãe não entendeu nada com todas aquelas batatas espalhadas por toda parte na cozinha.

Depois tive um namorado que me pediu, coitado, que eu fizesse alguma coisa doce na cozinha, quem sabe um quindim? Em vez de comprar um daqueles pacotinhos que já vem semi-pronto, resolvi seguir uma receita que levava uns 24 ovos. Nem pensei que aquilo tudo tinha que caber dentro de alguma forma. No final, a coisa transbordou dentro do forno e começou a pegar fogo e o meu namorado teve que correr no carro e pegar um extintor de incêndio pra apagar a fogueira que se formou dentro do forno. Nunca mais faço quindim!

Fire inside brick oven

Só quando casei é que fui fazer feijão pela primeira vez. Nem me passou pela cabeça que eu teria que primeiro catar o feijão. Não catei nada e o resultado foi que só quando coloquei o feijão no prato é que fui ver as pedras e os gravetos cozidos. Tive que jogar tudo fora, mas não me dei por vencida. Fiz outro feijão, desta vez catando bem antes de pôr na panela. Depois de pronto, eu já me achando o máximo, resolvi fazer um suco de manga. Descasquei a manga rosa e quando ia cortar os pedaços para colocar no liquidificador, a manga, escorregadia, escapou das minhas mãos feito um peixe e vuupt! caiu dentro da panela do feijão!

Mango with water drop on white background, close-up

Está bem... pelo menos doce de leite em lata eu tenho que saber fazer!!! Hellooô!!! Coloquei a lata de leite condensado pra cozinhar na panela de água fervendo, mas não sei o que eu fiz (acho que não esperei esfriar para abrir). O doce de leite fervendo espirrou pra fora da lata e grudou todo no teto da cozinha!

Eu estava realmente triste pela minha falta de habilidade culinária e fui contar pra minha amiga Mary o que andava fazendo na cozinha. Mas a Mary estava mais desesperada que eu. Ela, recém-casada, resolveu fazer galinha no jantar para o maridinho. Mas não sei o que deu na cabeça dela: comprou uma galinha viva e levou pro apartamento decorado com capricho. Sabendo menos que eu, Mary pegou uma faca e começou a perseguir a galinha que corria apavorada no apartamento. O resultado é que ela teve que tirar as cortinas, o tapete, trocar o forro do sofá etc e nunca mais quis saber de fazer galinha.

Chicken Crossing the Road

Nos dias de hoje, ainda prefiro pegar o telefone e pedir uma pizza ou comprar comida a quilo num restaurante, mas aprendi a fazer um bolo de chocolate tão maravilhoso, mas tão maravilhoso... que foi até considerado afrodisíaco.

Meu amigo Gil tinha vindo da Europa com a esposa estrangeira e me convidou pra passar uns dias em Salvador, na Ilha de Itaparica, onde tinha uma casa. Claro que fui. Não tinha ninguém na ilha. Parecia que éramos só nós. Era a praia e eu, eu e a praia. Mas um dia de tarde resolvi fazer um bolo de chocolate.

Chocolate Cake Slice with Raspberries

Dessa vez eu caprichei. Caprichei mesmo e o bolo ficou uma delícia. Todos comeram até não poder mais! Uns dois meses depois, Gil me telefona lá da Europa dizendo que, depois de vários anos casados, sua esposa havia ficado grávida! "Foi aquele bolo!!!", ele disse. E eu pensei comigo mesma: acho que aprendi a cozinhar!

Continue Reading
7 comentários
Related Posts with Thumbnails

Picapp Widget