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A conversa dos outros

quinta-feira, 29 de outubro de 2009 by Leila Franca


De vez em quando, quer queira quer não, acabamos ouvindo a conversa dos outros. Às vezes a gente está sozinho num ônibus e até mesmo em casa e o som das vozes de outras pessoas é que nos procura.

É claro que, para muita gente, ouvir a conversa alheia chega a ser uma fascinação. Ouvem atrás das portas, colam o ouvido nas paredes, prestam atenção numa linha cruzada ao telefone ou numa extensão.

Ás vezes a conversa nos soa monótona, mas existem as interessantes, as tristes, as irritantes e as engraçadas. Se você está lendo, interrompe a leitura, se está ouvindo música, abaixa o volume, ou seja, faz qualquer coisa para tentar acompanhar aquele que fala ao longe.

Acontece muito comigo do assunto em questão girar em torno de algo que conheço bem. Então a coisa se transforma num dilema, pois não sei se devo me calar ou me intrometer e participar da conversação. A maioria das vezes fico com esta última opção que, felizmente, quase sempre é bem vinda.

Com a internet e as redes sociais, ganhamos mais uma modalidade: além de ouvir, agora também podemos ler o que os outros estão conversando. Tudo ficou mais fácil pra quem gosta de observar o que está sendo dito.

Mas também existe o extremo oposto. As pessoas que não prestam atenção nem se estivermos conversando com elas! Não há nada mais irritante. Alguns até fingem que estão ouvindo e murmuram alguns grunhidos querendo dizer que estão acompanhando, mas não estão.

Está certo que existem tagarelas que é difícil prestar atenção no que dizem se o assunto se estende em monólogo por mais de 10 minutos. Já vi gente sem paciência largando o telefone, indo fazer outra coisa, voltando e do outro lado da linha o outro ainda continua falando.

Existem conversas que li ou ouvi que se tornaram até mesmo inesquecíveis. Uma vez, um rapaz contava uma história, que me chamou atenção e não pude mais esquecer. Foi mais ou menos o seguinte:

"Minha tia adora juntar pote de vidro de tudo que é jeito. De geléia, de maionese, de tudo. Ainda mais que ela vende cosméticos de uma marca famosa, que vem em cada potinho que ela não consegue jogar fora." (Nesse ponto, caro leitor, comecei a me identificar com a tia do rapaz, pois também adoro guardar potes!). Ele continuou:

"Aí teve um dia que ela tinha que ir no hospital fazer uns exames e - já viu, né? Nem comprou aqueles potes que vendem em farmácia. Ela pegou aqueles potinhos dos cosméticos que ela vende e botou lá o xixi e o cocô do exame de fezes e urina e foi pro hospital de manhã cedo."

"Pra não ficar carregando aqueles potes dentro da bolsa, que podia virar no caminho, ela, ainda por cima, usou uma bolsinha de papel dos cosméticos que ela vende, que é legalzinha. Chegando no hospital, entrou lá na fila e depois sentou numas cadeiras esperando a vez."

"Mas teve uma hora que a atendente chamou ela no balcão pra pegar a guia dos exames. Ela foi e deixou a bolsinha de papel com os potinhos na cadeira pra marcar lugar porque a sala estava enchendo de gente."

"Mas quando ela foi voltar pro lugar... Cadê a bolsinha de papel com os potinhos? Tinham roubado!!! O ladrão deve ter pensado que eram aqueles cremes caros e roubou!!! Imagina a cara do ladrão quando abriu os potes?! Pois é, cara! Roubaram o cocô da minha tia!!!"

Agora me digam: como é que eu não ia prestar atenção nessa conversa?

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Aconteceu na fila do banco...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009 by Leila Franca


Todo mundo detesta - odeia - fila de banco, certo? Quando "cai o sistema" (como assim???), as pessoas olham umas para as outras com um ar de indignação e ódio total. Dá um vazio, um desespero, parece que ficamos sem chão, sem pai nem mãe de repente.

Além disso, existem aqueles probleminhas irritantes, que parece que só acontecem na nossa vez: aquele cliente que não sai nunca do caixa, parando a fila, nos deixando a pensar: "que diabos essa pessoa está fazendo ali há tanto tempo?!" Ou então é aquela máquina que está sem papel e você tem que pagar uma conta e precisa do comprovante, a máquina com um bilhete escrito à mão por algum funcionário do banco a dizer que está inoperante, a máquina com a tecla afundada, que bate sempre duas vezes o mesmo número e faz você errar sua senha, a máquina que prende o cartão, a que não lê direito, fazendo parecer que você está com um cartão que não lhe pertence. Isso sem falar daquelas máquinas que não leem direito o código de barras e você tem que ficar ali digitando aquele número gigantesco, contando quantos zeros tem que escrever...

Da fila propriamente dita, acho irritante aquelas pessoas que não se movem do lugar quando a fila anda. Todo mundo dá um passo à frente, mas a partir daquela pessoa ninguém mais pode andar. O pior é quando chega o carro forte, com aqueles seguranças que parecem da SWAT e a gente fica com medo de algum assalto bem na hora que a gente está ali.

Bancos com várias filas ficam ainda mais confusos em dia de muito movimento. Tem a fila do "povo" (o usuário que não é cliente do banco), a dos clientes, dos super clientes, dos idosos, do depósito, do cheque... É muita fila.

Alguns bancos já chegaram à conclusão que colocar uma fileira de assentos para os usuários não é tão caro assim e instalaram poltronas no salão. Em muitos lugares, essas cadeiras são apenas para idosos e deficientes físicos, como se uma pessoa de menos de 65 anos não ficasse cansada também. O pior são aqueles bancos que exibem 20 caixas, mas só 2 funcionam (acontece o mesmo em supermercados). Ou quando você vê que 5 operadores estão sentados lá, mas parece que só um de fato trabalha.

Muitas pessoas conversam nas filas dos banco. A conversa geralmente gira em torno de alguma reclamação, pelo menos começa assim, depois o papo fica mais relaxado e muitos acabam até trocando números de telefone. Também tem aquelas pessoas ingênuas que aparecem com a senha escrita em números garrafais num pedaço de papel.

Noutro dia eu estava numa fila enorme no banco e a um metro na minha frente havia um senhor aparentando seus 75 ou 80 anos. Ele era magrinho e enérgico, com os cabelos totalmente brancos e conversava animadamente com algumas pessoas ao seu redor. Eu não conversava com ele, mas prestava atenção à conversa. A fila dos idosos estava praticamente vazia, devia ter apenas uma ou duas pessoas, e a fila onde aquele senhor idoso e eu estávamos era enorme.

De repente, uma pessoa que estava na minha frente perguntou ao velhinho: "Por que o senhor não vai para a fila dos idosos? Está vazia!" E ele respondeu: "Eu não!!! Aqui é o único lugar que eu converso!!! Se eu for pra aquela fila, vou logo embora pra casa!"

E eu fiquei a pensar... Pois é, enquanto a gente reclama da fila, da demora e de tudo mais, exatamente todas essas coisas são importantes para alguém. O único lugar que o velhinho encontrava com quem conversar era na fila do banco que, para ele, era super importante e que não deveria jamais terminar.


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Pausa para reflexão

domingo, 9 de agosto de 2009 by Leila Franca


Estou escrevendo este blog há 3 meses. Escrevo sobre vários temas. Tenho escrito sobre os assuntos em que tenho alguma experiência para passar adiante e também, algumas vezes, sobre o que está acontecendo no momento, porque certos acontecimentos não podem passar em branco.

Eu deveria ter um blog para cada assunto, mas me faltaria tempo para mantê-los todos atualizados. No entanto, é curioso observar o que os leitores procuram quando visitam este blog. Por incrível que pareça, o artigo mais acessado é o que fala sobre modelagem em durepoxi. Em seguida, quase igual, estão os artigos sobre gatos, que são vários.

Possivelmente no futuro estarei escrevendo um blog inteiro somente sobre modelagem com durepoxi e outro blog só sobre o cuidado com os gatos. Pra começar. O que acham?

Mas existem outros assuntos que me intrigam e os que me desafiam. Gosto de falar sobre finanças pessoais, por exemplo, porque vivo calculando, fazendo "mágica" ou "milagre" em economia doméstica. Acho que todos nós, não é mesmo? Mas fico triste em saber que muita gente se enrola com isso. Ensinam tanta coisa na escola, mas nada sobre lidar com dinheiro, digo o dia a dia. A matemática trata um pouco disso, mas ainda muito distante da realidade e do problema de se receber um salário e fazer com que ele dure 30 dias.

Organização do lar também é um assunto desafiador, embora seja visto com um certo desdém, como se não fosse importante. Todo mundo mora em algum lugar. Mas manter este lugar organizado não é tarefa fácil. Aliás é uma tarefa sem fim, que nos ocupa diariamente. Sempre tem louça e roupa pra lavar. Sempre tem roupas e objetos fora do lugar. Sempre tem tralha acumulada. Mesmo quem tem empregados, não é tudo que eles fazem. E eles só fazem o que for estabelecido pelo dono da casa. Organizar a casa exige estratégia, disciplina, dinheiro e nos afeta diretamente.

Tenho muito o que dizer também sobre "pessoas difíceis". Não sou psicóloga, mas já constatei que todos nós temos que lidar com umas criaturas esquisitas de vez em quando. E o que fazem os "não-psicólogos" para conviver com essas figuras? A gente acumula experiência, descobre o que funciona e passa adiante.

Então tenho aí mais três blogs para abrir: um sobre finanças pessoais, outro sobre organização do lar e mais um sobre convivência. Haja tempo para escrever!

Também acho que as pessoas que visitam este blog comentam pouco. Talvez porque o blog seja novo e ninguém quer ser o "primeiro" a comentar. A maioria das pessoas que comentam são as que me conhecem de outro lugar, do orkut e de outros carnavais. Espero que os leitores percam o medo de escrever e que exponham suas idéias livremente.

Bem, acho que esse post foi uma espécie de balanço trimestral. Não quero aborrecer nem entediar os leitores fazendo isso. Escrever sobre o próprio blog foi por uma questão de curiosidade. Gosto que este blog pareça uma conversa, eu me sinto como se estivesse sentada na varanda aqui de casa conversando com cada um de vocês. Então, até o próximo papo.

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