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Só um pouquinho Distraída

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 by Leila Franca


Desde que eu era criança, sei que sou distraída. Eu devia ter 5 anos de idade quando, num passeio com a família, fui correndo na frente e acabei dando a mão para um homem que não era meu pai. Nessa ocasião, meu pai bem que me viu dando a mão pro homem, mas ficou só espiando pra ver o que eu ia fazer. Quando olhei pra cima e vi que não era ele abri o berreiro!

close- up of a girl (6-8) crying and rubbing her eyes

Depois, um pouco mais velha, logo no primeiro dia de aula da escola nova, entrei na sala errada, de uma série mais adiantada que a minha. Quando comecei a copiar os exercícios e vi que não sabia nada daquela matéria, outra choradeira. Custou até que as freiras descobrissem que eu não pertencia àquela turma.

Girl rubbing her eye

Nos Estados Unidos, trabalhei num restaurante e um dia apareceu um policial pedindo um sanduíche de peito de frango. O policial tinha tantas condecorações e estava tão bem vestido, que eu quis caprichar no sanduiche para tamanha autoridade. Escolhi as melhores folhas de alface, os tomates mais bonitinhos, embrulhei o sanduíche no papel vegetal, como é de costume naquele lugar, mas foi só quando o policial foi embora com o sanduíche na mão que eu me dei conta de que esqueci de colocar o peito de frango entre as duas metades do pão!

Displeased Leader

Agora, como cliente foi até pior. Fui almoçar num restaurante chinês com a família do marido e não sei onde estava meu pensamento, nas nuvens talvez, pois esqueci de desvirar o meu prato, e acabei colocando o punhado de vegetais e camarão sobre o fundo do prato virado ao contrário! Até hoje não sei como consegui fazer isso! Não havia como esconder tamanha distração. As pessoas me olharam como se eu fosse maluca!

Dynamic Graphics single images

A verdade é que ninguém pode me censurar. Queria saber quem ainda não acabou de almoçar e teve ímpeto de guardar o prato sujo na geladeira? Ou se aprontou todo para sair e só então observou que estava ainda calçando chinelos? E quando a gente dirige no "automático"? Estamos tão acostumados a ir para um determinado lugar, que no dia que precisamos ir a um lugar diferente, erramos o caminho e tomamos o rumo do lugar que estamos habituados a ir sempre?

Quem fuma, com certeza já fumou lápis, caneta e já acendeu o cigarro ao contrário. E no computador? Enviar e-mail sem terminar de escrever, deletar um aquivo importante, escrever o melhor texto da vida e não salvar. É distração.

Stressed out businesswoman at computer

Há poucos dias atrás estava no supermercado. O estabelecimento estava lotado! Ia só comprar algumas coisas - 15 itens, vamos dizer assim. Já estava quase terminando as compras, quando lembrei de comprar legumes. Deixei o carrinho num canto e fui pegar o que precisava. Voltei com o molho de couve e as cenouras na mão, coloquei no carrinho e fui ver os queijos.

Foi só quando coloquei o queijo no carrinho que reparei um detalhe: aquele não era o meu carrinho! A couve e as cenouras estavam lá, mas desde o momento que escolhi os legumes eu já estava circulando pelo mercado com o carrinho errado!

Young man pushing shopping cart, mid section

Voltei correndo ao setor de legumes e encontrei o meu carrinho paradinho num canto! E a pessoa cujo carrinho eu peguei? Tentei avisar pelo microfone, mas estava quase na hora do mercado fechar e não quiseram fazer o aviso. Pobre cliente, ficou sem suas compras! Preciso ficar mais atenta, pois esta foi imperdoável!

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Aconteceu no Supermercado...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009 by Leila Franca


Meu pai costumava ficar entusiasmado com a fartura que temos nos dias de hoje. Ele ficava exultante quando ia fazer compras no supermercado e via as prateleiras cheias de praticamente tudo que se possa querer comprar. Ele ficava feliz em ver as pessoas comprando, enchendo seus carrinhos, as crianças escolhendo seus artigos preferidos, homens e mulheres de todas as idades com suas listinhas de compras na mão.

Eu gostava de ver que para ele não era muito difícil ser feliz. Para quem é do tempo em que só haviam quitandas e armazéns, realmente a visão de um supermercado cheio de provisões é de entusiasmar. Meu pai ia quase todos os dias ao supermercado. Eu também fazia assim para comprar comida fresca e aproveitar as ofertas do dia. Depois, para economizar tempo, passei a ir menos vezes ao supermercado, comprando mais coisas de cada vez.

Todo mundo tem seu supermercado preferido. O mais perto de casa, o que vende mais barato, o que oferece mais conforto ao cliente, o que aceita cartão de crédito, o que fica mais perto do banco, do trabalho, da escola do filho, o que vende determinados itens que os outros não vendem etc. Há muitas razões para a escolha. No meu caso, gosto de ir no supermercado mais próximo de casa e que vende mais barato ou então naquele perto do banco e que tem lanchonetes, pois aproveito para fazer um lanche.

Não é aconselhável fazer compras quando se está com fome pois compramos mais certos itens que não compraríamos se estivéssemos de barriga cheia. Fazer compras com crianças também é difícil. Se a criança é pequena e fica sentadinha dentro do carrinho, ainda temos que prestar atenção para que não coloque a boca na cadeirinha ou a mãozinha nas laterais do carrinho porque outro carrinho pode chegar perto demais e machucar. Mas temos que prestar atenção nas crianças mais crescidas, que já saem andando, porque podem se perder.

Agora lembrei daquele anúncio em que o menino faz a maior cena no supermercado gritando "Eu quero brócolis!!!" Ainda bem que não é muito comum ver as crianças fazendo essas cenas, mas geralmente elas ficam aborrecidas se não comprarmos o que escolheram: iogurtes, chocolates, bolos, balas, doces, brinquedos e mais uma infinidade de itens que possivelmente não constam da lista dos pais.

Minha mãe dizia que ia comprar o "básico", quando se dirigia ao supermercado para comprar feijão, arroz, óleo, açúcar etc, ou seja, quando não ia comprar aqueles itens que as crianças gostam. Lembro que uma vez meu filho ainda pequenininho correu para ver o que havia nas bolsas de supermercado quando chegamos em casa. Minha mãe falou que era só o "básico" (quer dizer: não há nada que você possa querer!) e meu filho respondeu: "Eu quero o "básico"!!!" Muito parecido com o "Eu quero brócolis" do anúncio.

É interessante como os artigos são arrumados dentro de um supermercado. Na frente estão os itens supérfluos e no fundo, mais longe da entrada, os produtos mais essenciais. Junto das caixas estão também os itens que esquecemos com frequência, como pilhas e lâminas de barbear, além de mais supérfluos. O cliente interessado em economizar irá direto ao fundo do supermercado fazer suas compras e depois, se quiser, poderá passear entre as prateleiras dos supérfluos e escolher alguns.

É curioso também observar que os preços nunca têm um valor redondo, ou seja, é muito difícil ver um item que custa R$2,00 ou R$5,00, por exemplo. É sempre R$2,73, R$4,98, etc. Ou então itens concorrentes que brincam com a quantidade e o preço do produto. O item com 400 gramas, o de 900 gramas, o de 380 gramas, 90 gramas etc. Há uma matemática envolvida aí. O cliente poderá facilmente se perder nas contas da regra de três. Por isso as cestinhas de devolução estão sempre com alguns ou muitos itens. Quando o computador começa a somar de verdade os preços das compras, alguns artigos são dispensados.

Mas a organização do supermercado tem uma relação direta com os nossos costumes. O que mais gostamos de comer e beber, o que usamos para limpar a casa etc. Nos Estados Unidos as prateleiras com cereais (flocos de milho) ocupam um corredor inteiro no supermercado, enquanto que feijão e arroz ocupam um pequeno espaço. As embalagens feitas para uma pessoa só consumir são mais facilmente encontradas. Além disso, a gente vê coisas como uma pessoa comprando apenas uma banana. Acho que nunca vi isso aqui no Brasil.

Em determinadas datas os supermercados ficam mais cheios. São os dias de pagamento. Dia 5, dia 10, dia 15, podemos contar que as filas estarão enormes. Geralmente, se estou fazendo "compras grandes", com o carrinho cheio, e há alguém logo atrás de mim com dois ou três itens, eu digo para a pessoa ir na minha frente quando chega a hora de passar pelo caixa. Não custa nada fazer isso, entretanto não gosto quando alguém que não está na fila com apenas um item na mão aparece de repente pedindo para entrar na minha frente na hora de pagar. Acho que ninguém gosta quando isso acontece. As pessoas que estão atrás da gente fazem logo uma cara indignada, na expectativa de saber se vamos concordar ou não em deixar a pessoa passar. O pior é que se deixamos, logo em seguida aparece mais uma pessoa pedindo a mesma coisa! E aí? Vamos deixar um passar mas o outro não?

Nesses dias de mercados cheios de clientes que acabaram de receber seus salários comprando de tudo (achando que têm mais dinheiro neste dia!) não é raro vermos discussões e até brigas nas filas. O motivo da briga muitas vezes é aquela pessoa com o carrinho cheio que distraidamente (ou não!) entra na fila do caixa rápido, para clientes com até 15 itens. Mas existem outros motivos.

Uma vez havia uma mulher na fila do caixa preferencial (aquela dos idosos, gestantes e deficientes físicos) que criou uma enorme confusão no supermercado. Era fácil ver que ela devia ter menos de 65 anos, mas já havia passado da idade para ser uma gestante. Além disso, ela não tinha nenhuma deficiência física. As pessoas na fila começaram a reclamar. Idosos e gestantes, atrás dela, que estava com o carrinho cheio até a boca, estavam visivelmente aborrecidos com a displicência daquela mulher ocupando um lugar na fila "deles". Os mais jovens, da fila ao lado, partiram em defesa dos idosos e falaram com a mulher sobre ela estar na fila errada. Mas faltava pouco para chegar a vez dela, então ela fingiu que não ouviu e não se moveu do lugar. A discussão esquentou. Mais pessoas começaram a reclamar.

Alguém chamou o gerente que, delicadamente, avisou à mulher sobre a questão da fila ser preferencial. Ela não falou nada e continuou no mesmo lugar... A revolta aumentou! De repente, aconteceu o que ninguém esperava! A mulher começou a pegar os artigos que havia comprado e os atirar na multidão enfileirada! Uma bandeja com um bom pedaço de lagarto redondo passou voando perto de mim e se espatifou na prateleira de sucos. Batatas, laranjas, limões e outros itens foram arremessados no povo! A fatia de melancia se despedaçou na perna de um homem! O tomate não sobreviveu! Era uma guerra surreal!

Fui embora antes que a confusão terminasse. Pensei no meu pai que ficava feliz com a abundância do nosso tempo. Tudo é realmente relativo. Existem várias maneiras de se ver uma mesma coisa. Enquanto meu pai ficava feliz, outros se estressam.

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