Copyright 2010 Leila Franca. All Rights Reserved.
Snowblind by Themes by bavotasan.com.
Blogger Templates by Blogger Template Place | supported by One-4-All
Quando peguei meu primeiro inverno rigoroso, com neve, ventos gelados e tudo mais, a maior dificuldade que senti foi andar no gelo. Uma simples tarefa, como a de ir à lojinha da esquina se transformava num desafio ao equilíbrio.
No meio da rua não tinha gelo, mas era perigoso andar pela rua. Muitas vezes pedras grandes de gelo caíam do alto dos caminhões e essas pedras eram lançadas longe, quando pegas pelos pneus dos carros que passavam. Não dava nem pra andar pelo cantinho, junto do meio-fio, pois ali a neve retirada da rua era depositada. O morro de neve junto à sarjeta chegava a ter a minha altura em alguns lugares.
Tinha que andar mesmo pela calçada, que era onde ficava o temível gelo. Eu ia devagarzinho, me segurando quando possível. Infelizmente aquelas casas não tinham muro pra gente se segurar. Preferia ir afundando na neve intacta até os tornozelos do que arriscar levar um tombo.
Mas isso tudo acontecia quando eu estava sozinha e ia à pé ao comércio local. O caso é que uma noite um amigo americano me convidou para ir ao cinema que ficava perto de onde morávamos. Por isso resolvemos ir caminhando, mas logo que começamos a andar senti dificuldade para acompanhá-lo. Eu tinha que ir andando devagarzinho, enquanto ele, andava normalmente, como se não houvesse gelo no caminho. Era um mistério.
"Não consigo andar nessa velocidade!", protestei. Eu não sabia mesmo o que devia fazer para andar rápido naquela superfície escorregadia. Nós paramos e ele me olhou em silêncio por uns instantes. "Vou te ensinar o segredo de andar no gelo", ele disse muito sério e eu fiquei batendo os queixos, mas prestando atenção.
"Você tem que andar com fé. Com fé, entendeu?" Ele me deu o braço e começamos a andar. Andávamos rápido. Em alguns passos, sentia que íamos começar a deslizar, mas antes que isso acontecesse, já estávamos em outra passada!
Fiquei pensando nas estradinhas de barro que muitas vezes passei de carro quando ia para algum sítio ou fazenda no interior do Brasil. Caminhos cheios de buracos, pedras soltas, mato e terra fofa. Tinha que manter uma certa velocidade ao passar por esses lugares, pois se fosse devagar, o carro não conseguiria seguir em frente: ficaria atolado ou preso num buraco. Tinha que ir rápido, passando sobre os obstáculos, sem parar.
Acho que aprendi a caminhar com fé. No barro, no gelo, na vida, tanto faz. O processo é o mesmo.
Quando cheguei no trabalho - uma loja de chocolates em Cambridge, vi uma mulher abrindo uma cadeirinha de praia na calçada. Ela também trazia consigo uma caixa de papelão e outros objetos. Era uma mulher muito branca, de uns 30 anos, com um jeito de mãe e dona de casa. Não era bonita nem feia, nem gorda nem magra. Sua fisionomia era séria, mas tinha um ar ingênuo.
A fachada de vidro da loja me permitia continuar a ver o que a mulher estava fazendo. Dava pra se notar que ela estava um tanto fora de seu "habitat". Aquele era um lugar onde passavam os turistas e estudantes barulhentos da Harvard, onde músicos e artistas de rua tocavam seus instrumentos atraindo o olhar dos passantes, onde os punks, emos e todas as outras tribos estranhas se reuniam. A presença daquela mulher ali na calçada destoava do resto.
Ela improvisou uma mesinha com a caixa onde colocou potes, tubos e um espelho. Por fim, ficou de pé na calçada segurando um cartaz de papelão. Na loja, os empregados se entreolhavam, como quem diz "O que é isso?", mas não dava pra ver o que havia escrito no cartaz.
Já fazia bem umas duas horas que a mulher estava lá em pé no mesmo lugar na calçada, quando a minha supervisora, a Jo, não aguentou e falou: "Eu vou lá fora ver o que é." Assim, em dois tempos, ela fingiu que ia ver a vitrine do lado de fora e logo voltou: "Ela está se oferecendo para pintar rostos". Não entendi direito. "O que???". A Jo explicou: "Pintar balãozinho, coraçãozinho, estrelinha na testa e na bochecha!" A Jo girou os olhos, foi para os fundos da loja e eu fiquei tentando entender.
Deu meio dia e a mulher ainda estava em pé no mesmo lugar segurando o cartaz. Era hora do almoço e eu fui lá fora. Pude ver seu cartaz escrito com batom rosa sobre o marrom do papelão. Não havia contraste nenhum. Mal dava pra ler. Ela havia pintado um coração cor de rosa em sua própria bochecha e um balão azul claro em sua testa.
Eu estava chocada. Será possível que com tanta coisa pra fazer pra ganhar dinheiro esta mulher tinha escolhido justamente a coisa mais improvável do mundo? Quem ia sentar ali na cadeirinha e pagar para ela pintar um coração com batom em seu rosto? Era inacreditável.
Voltamos ao trabalho na loja depois do almoço. Duas horas da tarde e a mulher na mesma posição segurando o cartaz. Quatro da tarde. Cinco. Ela não havia atendido ninguém. Nenhum "freguês". A Jo estava ficando nervosa de ver a mulher: "Se ninguém sentar naquela cadeira, eu vou sentar!!! Vou sair daqui com um coração em cada bochecha e um balão na testa!!!" Já estava todo mundo nervoso.
Seis da tarde, já escuro, começamos a fechar a loja. A Jo estava decidida a ser a primeira e única cliente da mulher. Ela merecia. Tinha passado o dia inteiro em pé segurando o cartaz. Entretanto, quando saímos da loja, tivemos uma surpresa! A mulher estava curvada pintando um coração no rosto de um rapaz! Eu e Jo nos abraçamos rindo e quase chorando ao ver a cena que não pude mais esquecer.
No dia seguinte, um domingo, eu tinha que ir num almoço na casa de amigos em outra cidade. Quando o carro pegou a estrada, onde as residências já iam se tornando esparsas, eu vi um garoto bonito e arrumado parado num lugar onde não havia ninguém, só ele. Ao seu lado, uma bicicleta novinha e na sua mão um cartaz onde havia escrito $100.
Uma coisa é certa: participando do diHITT a gente faz amigos. Uns nos salvam quando estamos com dificuldades técnicas, como foi ontem de manhã e a Borboletinha que tem dono (EBTD) rapidamente sobrevoou a rede e me ajudou num problema. Quando deixei um recado em seu blog, é porque eu sabia que podia contar com ela de pronto, pois a danadinha está numa atividade tremenda e logo logo conquistará os primeiros lugares do rank.
Mas o dia estava apenas começando... Ontem fiquei o dia todo ocupada com o trabalho e só de noite, quando entrei de novo no dihitt, é que fui encontrar o seguinte recado:
"Leila, eu qria muito te agradecer a força e te dizer que achei muito lindo o seu trabalho com aquarela. Daí fiz 1 vídeo com sua foto e suas pinturas e coloquei no youtube, espero q vc goste."
O recado era da Bárbara - Babby - uma pessoa incrível que conheci no diHITT. Vocês acreditam que ela fez um vídeo-surpresa dedicado a mim e colocou no Youtube??? Não é pra ficar emocionada?
Uma coisa é certa: estou tão ocupada com o trabalho, que quase não tenho tido tempo de ficar no diHITT, mas se tenho continuado é somente por causa de todos os amigos que fiz.
Abaixo, o vídeo que a Bárbara fez pra mim!
vídeo: barbaradanielly
Parto é coisa de mulher, mas todos devem saber o que fazer, pelo menos teoricamente! Acalmar a gestante, calcular o tempo entre as contrações, segurar-lhe a mão quando a dor for muita, amparar o bebê, cortar o cordão umbilical etc.
Mas o parto que eu tive que ajudar não foi de gente. Foi de uma gata! Não estou brincando. Esta gata, prestes a ter seus filhotes, olhava pra mim e miava como quem diz "me ajuda!" Ficou rodopiando entre os meus pés até que parecia que tinha feito um pouquinho de xixi, mas era o líquido amniótico! Quando sai este líquido é sinal que vem neném!
A gatinha deitou a um palmo dos meus pés e começou a fazer força, mas nada dos filhotes saírem. Fazia força de novo e nada... Então eu entrei em ação! Quando ela começou a fazer força, eu amparei suas patas traseiras para ela não deslizar no chão. Mas nada de filhote! A gata me olhava implorando: "Faz alguma coisa!" - ela disse.
Na próxima contração segurei sua cabeça e firmei o seu tórax para os filhotes não subirem. De boca aberta, ela fazia respiração "cachorrinho"! Agora vai! Mas não foi. Chorando, ela entrou na caixa do meu scanner novo que estava no canto do quarto. "Vem aqui!!!!" - disse a gata de novo. Deitei no chão pra poder enxergar dentro da caixa e repeti o processo.
Dessa vez um filhotinho nasceu! Mais força e outro! Dois pretinhos. Força novamente! E veio um branquinho. A última força e mais um branquinho! 4 bebês. O corte do cordão umbilical ficou por conta da gata.
Abaixo uma foto deles no local onde nasceram ainda sujo de sangue.

Tive que esperar uma semana pra poder mexer nos filhotinhos, pois a gata poderia rejeitá-los. Agora já pude colocar os bebezinhos na caminha que comprei pra eles. Ficaram lindos, com 8 dias. Os branquinhos vão ser do tipo siamês... já estão com os rabinhos e orelhinhas mais escuros. Próxima etapa: doação dos bonitinhos e castração da gata mãe. Missão cumprida!

Ao que parece, me diverti muito com os fascículos da coleção "Desenhe e Pinte". Fiz estas aquarelas, para exercitar, a partir dos exemplos que apareciam na revista. São cópias de artistas diversos. Mas logicamente, escolhi os exercícios que eu me identificava mais. Então vamos lá:
Gosto de paisagens vazias

Gosto de paisagens misteriosas

Gosto de pôr do sol

Gosto de coisas de cozinha

Gosto de objetos espalhados

Gosto de reproduzir umas cenas difíceis

Gosto de flores e cores

Gosto de flores no fundo branco

Gosto de paisagens de lugares frios

Gosto de paisagens isoladas

Ontem fiquei passando a limpo meu caderninho de senhas da internet... Isso mesmo! Tenho um caderno com tantas senhas que volta e meia tenho que dar uma "geral". Só senha boba porque as importantes estão na minha memória.
Aliás, haja memória pra guardar tanta coisa. Não há agenda que dê conta de tudo. Podemos ter os números de telefone, aniversários, mas no final fica tudo uma bagunça. É recado de um, pedido de outro, listas de compras, pequenos avisos, datas e mais datas. Mas muita coisa acaba ficando mesmo em nossa mente. Estamos tão atulhados de informações que às vezes esquecemos até o nosso próprio número de telefone!
A pior coisa do mundo é quando a gente sai pra comprar um item qualquer, compra tudo o que vê pela frente e ao chegar em casa observa que esqueceu exatamente aquilo que tinha saído para comprar. Ou então quando somos apresentados a uma pessoa e cinco minutos depois já não lembramos mais o seu nome. Mas o terror maior é esquecermos de algo realmente importante: um encontro, o casamento, a prova do concurso ou o aniversário de uma pessoa muito próxima.
Conviver com pessoas esquecidas é sempre um desafio, pois além de termos de nos lembrar das nossas próprias coisas, ainda temos que lembrar dos compromissos da outra pessoa para ajudá-la no dia a dia. Meu pai, por exemplo, era super esquecido e eu vivia ouvindo a minha mãe reclamar dos esquecimentos dele. Entretanto, eu também tive a minha cota de "provação" com o marido esquecido.
Íamos viajar e não sei como conseguimos chegar no aeroporto na hora certa. Eu estava tão cansada com a correria dos preparativos que me sentei numa cadeira do saguão de embarque e se deixassem iria ficar ali pra sempre descansando. As crianças estavam ansiosas com a viagem e, cansadas de esperar, pediram refrigerante.
O marido procurou a carteira e não achou. "Esqueci a carteira em casa!" Eu não sabia se ria ou se chorava. Como a gente ia viajar sem dinheiro? O negócio era não perder tempo! Ele foi em casa pegar a carteira. Suspirei preocupada com a correria que seria isso de ir em casa... A hora de nosso voo já estava chegando. "Vai rápido!!!" E ele foi.
Eu só soube do que aconteceu bem depois... Ao chegar em casa, ele descobriu que havia esquecido de levar a chave da porta.
Anos atrás entrei numa "apertação" de gente tão grande que pessoas próximas de mim passavam mal, desmaiavam sem ar, mas não caíam no chão, pois não havia espaço para a queda. Cheguei a perder meu relógio caro, que saiu do meu pulso enquanto fui semi-esmagada pela multidão. Tudo isso para chegar perto de um gênio do teclado que jamais pude esquecer.
Mas todo o sufoco para chegar pertinho desse grande músico valeu a pena. A platéia foi ao delírio! O momento mais esperado foi justamente este do vídeo que coloquei aqui. Exatamente aos 2:47 ele faz sua demonstração de perícia.
Então ouçam, meus amigos, este solo de Rick Wakeman.
Vídeo: Mitzrael7
Picapp Widget
Subscreva
Seguidores
Visitantes
Quem sou eu
- Leila Franca
- Rio de Janeiro, RJ, Brazil
- Escritora freelance, arquiteta, escultora, pintora,miniaturista, professora... a cada dia descubro mais sobre mim.
Rio de Janeiro
Meus visitantes:
This obra by Leila Franca is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
