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Gentileza de estranhos

sábado, 3 de abril de 2010 by Leila Franca


Eu saí depois do almoço pois precisava comprar um presente de aniversário. Deixei o carro estacionado numa rua tranquila e fui até o banco retirar algum dinheiro. Depois saí andando pelo calçadão mergulhada em pensamentos. Estava raciocinando a cerca de um problema de difícil solução e nem reparei que estava me distanciando do carro. Eu tinha planejado ir ao shopping, mas entrei num supermercado.

Acabei encontrando o presente que eu queria no setor de brinquedos e já ia pagar quando vi uma pilha enorme de edredons em oferta. Escolhi um cor de rosa florido e fui para a fila do caixa com aquele embrulho gigante. Obviamente o edredom não cabia em nenhuma bolsa de supermercado. "Vá até o SAC que vão te dar uma bolsa grande", me disseram.

Woman Shopping

Fui até o SAC, onde haviam duas atendentes olhando o computador e um cliente sentado esperando. Falei da bolsa e logo uma das garotas veio trazendo a bolsa dobradinha. Para a minha surpresa, o cliente que estava sentado se levantou e pegou a bolsa primeiro. Com um movimento rápido, desdobrou a bolsa enorme, colocou meu embrulho dentro dela e me entregou. "Obrigada!", exclamei encantada com a gentileza.

Mas eu havia esquecido de comprar papel de presente e não ia entrar novamente no supermercado para fazer isso. Em alguma lojinha por ali devia ter. Entrei numa tabacaria para comprar cigarro e aproveitei pra perguntar à balconista se vendiam papel de presente. Até mostrei o brinquedo que havia acabado de comprar. "Não, não vendemos... mas espere aí." A mulher foi no fundo da loja e voltou com uma folha grande de um lindo papel de presente.

Eu pensei que ela fosse enrolar a folha em canudo e me vender, mas ao invés disso ela pegou a caixa com o brinquedo das minhas mãos e fez um embrulho lindo e caprichado! "Quanto é?", perguntei. "Não é nada!", disse ela com um sorriso.

Close-up of a gift

Fiquei até emocionada. Duas gentilezas seguidas, por parte de dois estranhos que nunca me viram na vida. Eu lembrei do livro "Ilusões" de Richard Bach, onde ele diz que raramente as pessoas de uma mesma família vivem sob o mesmo teto. Nossa verdadeira família, nossos irmãos, se encontram espalhados por este mundo. Às vezes acontece deles terem conosco laços sanguíneos, outras vezes não há isso. Nos encontramos brevemente ou em episódios esparsos. Temos muita sorte quando permanecem junto de nós.


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Ganhei um presente!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010 by Leila Franca


Uma coisa é certa: participando do diHITT a gente faz amigos. Uns nos salvam quando estamos com dificuldades técnicas, como foi ontem de manhã e a Borboletinha que tem dono (EBTD) rapidamente sobrevoou a rede e me ajudou num problema. Quando deixei um recado em seu blog, é porque eu sabia que podia contar com ela de pronto, pois a danadinha está numa atividade tremenda e logo logo conquistará os primeiros lugares do rank.



Mas o dia estava apenas começando... Ontem fiquei o dia todo ocupada com o trabalho e só de noite, quando entrei de novo no dihitt, é que fui encontrar o seguinte recado:




"Leila, eu qria muito te agradecer a força e te dizer que achei muito lindo o seu trabalho com aquarela. Daí fiz 1 vídeo com sua foto e suas pinturas e coloquei no youtube, espero q vc goste."

O recado era da Bárbara - Babby - uma pessoa incrível que conheci no diHITT. Vocês acreditam que ela fez um vídeo-surpresa dedicado a mim e colocou no Youtube??? Não é pra ficar emocionada?

Uma coisa é certa: estou tão ocupada com o trabalho, que quase não tenho tido tempo de ficar no diHITT, mas se tenho continuado é somente por causa de todos os amigos que fiz.

Abaixo, o vídeo que a Bárbara fez pra mim!





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Um presente inesquecível

domingo, 20 de dezembro de 2009 by Leila Franca


Quando era criança, eu tinha uma verdadeira coleção de bonecas. Minha avó, que costurava muito bem, tinha o trabalho de fazer, para as bonecas, roupas iguais as minhas e toda vez que eu trocava de roupa, as bonecas trocavam também. Até mesmo na hora de dormir, todas as bonecas vestiam pijaminhas de flanela iguais ao meu.

window dummies

Eu tinha também uma casinha de bonecas toda mobiliada, feita para o meu tamanho. A porta era da minha altura. Estacionado em frente da casa havia o meu jipe verde. Também havia escorrega, rema-rema, balanço e caixa de areia, tudo no meu quintal.

Eu escrevia cartas para o Papai Noel, onde pedia uns presentes meio impossíveis e meu pai custava a me convencer a pedir outras coisas. Eu queria um carneirinho, um cavalinho, um pica-pau de verdade, mas exatamente igual ao do desenho animado etc. Eu achava que o Papai Noel poderia me trazer os presentes que meu pai não podia comprar. Afinal não estava pedindo ao meu pai, estava pedindo ao Papai Noel! Havia uma diferença muito grande aí!

Girl writing Christmas wish list

Quando chegava a noite de Natal, eu fazia tudo para não dormir. Achava que haveria um dia em que eu iria pegar o Papai Noel de surpresa e teria uma conversa com ele. Não iria deixá-lo sair até que me respondesse as perguntas. Queria saber onde morava, como entrava na casa, com que tipo de veículo chegava e principalmente como poderia ir na casa de todas as crianças só naquela noite. Na verdade, eu queria fazer um interrogatório com o Papai Noel. Já tinha começado a pensar nos detalhes lógicos de sua existência.

Boy watching Santa put presents under tree

A chegada do Natal fazia com que meu lado detetive despertasse. Começava a planejar armadilhas e procurar lugares onde pudesse ficar escondida até sua chegada. Talvez eu estivesse querendo o próprio Papai Noel de presente! Acho que foi por isso que naquele ano, ao perceber minha ansiedade, minha família decidiu arranjar um Papai Noel que eu pudesse encontrar, falar e fazer tudo o que eu quisesse.

Vieram me dizer que naquele ano o Papai Noel em pessoa passaria mais cedo na nossa casa para que eu pudesse conversar com ele. Todas as crianças da família, meus primos e primas, estariam lá para recebê-lo também.

Gifts in front of Christmas tree

No dia de Natal fizeram um espetáculo luminoso na frente de casa. Tudo pronto para a chegada do Papai Noel. As crianças se juntaram para assistir a entrada triunfal do bom velhinho pelo portãozinho da rua. Alguém apagou todas as luzes e quando se acenderam de novo, lá estava ele!

Santa with presents

"Ué... Que Papai Noel esquisito!" - foi o que pensei quando vi aquela criatura vestida de vermelho. Acontece que minha família errou na escolha do parente que faria o papel de Papai Noel naquela noite. Escolheram uma prima de minha mãe - Ester, a pessoa mais magra da família, para representá-lo. Que idéia!

Obviamente, olhei para aquele Papai Noel de cintura fina com estranheza... Que Papai Noel magro é este? Quer dizer então que, na verdade, ele não é gordo? Fui levada para beijá-lo, mas quando ele se abaixou para me beijar, a máscara balançou e eu pude ver a cara da prima Ester! Ah! Que raiva!

Child Smirking

Passei a noite aborrecida, de braços cruzados num canto. Estavam tentando me enganar com aquele Papai Noel de araque! Ganhei meus presentes, que não eram o que eu havia pedido, e eu tinha certeza absoluta, que tinha sido assim porque aquele não era o Papai Noel verdadeiro.

Percebendo minha frustração, poucos dias depois, meu pai providenciou um presente digno de um verdadeiro Papai Noel e bem ao estilo dos presentes que eu geralmente pedia. Vou explicar:

Meu pai trabalhava na prefeitura e naquela época havia o "rapa", que eram fiscais que confiscavam mercadorias vendidas sem licença. Uma das coisas mais apreendidas eram os pintinhos vendidos em caixas de papelão. Naquele final de ano muitas caixas foram apreendidas e na prefeitura não havia mais onde colocar tantos pintinhos. A burocracia naqueles dias de festa se tornara ainda mais lenta, de modo que os dias iam passando e ninguém havia levado os pintinhos para o local onde deveriam ser levados. Eles iam morrer... Um funcionário perguntou ao meu pai se queria ficar com os pintinhos porque naquela época ele tinha um caminhão e era o único que poderia levar os mais de 100 pintinhos para casa.

Baby chickens

Quando meu pai chegou em casa, me falou pra eu ver o que Papai Noel havia deixado pra mim. E foi assim que eu ganhei um caminhão cheio de pintinhos, um presente que nunca pude esquecer.

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