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Vai de carona?

sábado, 9 de janeiro de 2010 by Leila Franca


Nesse tempo de verão e férias escolares muita gente quer sair da cidade e viajar. Mas às vezes a grana está curta e acabamos decidindo aceitar aquela carona e o convite de um amigo para ficar em sua casa de praia. Entretanto, por mais que nosso amigo tenha sido simpático em nos oferecer, viajar de carona é algo que pode nos reservar surpresas das mais diversas.

Foi num caso assim que certa vez aceitei a carona oferecida por um casal e o problema foi que não me disseram que eu teria de dividir o assento com dois cães da raça São Bernardo! Os dois cachorros, gigantescos, eram super bonzinhos, tanto que cada um deles logo se acomodou colocando a cabeçorra no meu peito e nas minhas pernas. Mas eles pareciam uma fábrica de baba e já no meio da viagem não havia um lugar na minha roupa que não tivesse babado! Isso sem contar o peso, a quentura e, obviamente, o bafo dos cachorros durante toda viagem.

St Bernard And Girl

Antigamente, no tempo dos hippies, era comum pegar carona mesmo de estranhos. Decerto havia algum perigo, mas não tanto quanto seria se o mesmo fosse feito hoje em dia. Naquela época os motoristas apenas acostumaram-se a ver os jovens pedindo carona nas estradas.

Assim, aproveitando a onda, dois amigos, mesmo não sendo hippies, decidiram ir até o ponto mais ao sul que pudessem da América do Sul, mas resolveram ir de carona. Sabe-se lá em quantos veículos andaram, mas um deles ficou na memória. Assim que fizeram sinal na estrada, o caminhão parou logo à frente. Os dois correram e subiram na carroceria cuja carga era forrada com lona marrom.

A big rig cargo truck traveling on a road

O assento não parecia nem um pouco confortável e mais tarde vieram a descobrir que o caminhão carregava arame farpado! Os caminhoneiros foram legais e dividiram com eles o lanche que traziam - uma comida que não podiam identificar exatamente seus ingredientes, mas era o que tinham. Estavam atravessando um trecho bastante isolado da estrada e não havia onde parar para comer em muitos quilômetros.

Este isolamento também colaborou para que o motorista atingisse altas velocidades. Corriam tanto que os dois rapazes mal conseguiam se segurar na lona esticada. Mas foi só quando começou a anoitecer, que os caroneiros começaram a sentir o efeito daquela nova dieta. Ficaram os dois com dor de barriga e precisavam ir ao banheiro urgente!

Começaram a gritar pedindo ao motorista que parasse, mas com o barulho do caminhão, ele não ouvia os gritos! O problema é que tinham de ir ao banheiro naquele exato momento! Não podiam esperar mais um minuto sequer!

Não. Não vou dizer como o problema foi resolvido. Só vou dizer que eu também tinha a maior vontade de andar num caminhão. Não podia ser um caminhão comum, tinha que ser um daqueles gigantesco. Falar a verdade, queria mesmo dirigir um deles.

Uma vez eu e meu marido, quando ainda éramos namorados, passamos o dia num parque florestal, na subida da serra. O ônibus nos deixou lá, mas encontramos dificuldades para voltar pra casa. Começamos a caminhar pela estrada e eu contei a ele que tinha vontade de andar num caminhãozão. "Igual aquele que vem lá?", disse ele apontando um caminhão todo branco enorme que vinha atrás de nós. "Isso mesmo!", disse eu rindo.

Semi-truck on freeway, low angle

"Faz sinal!", brincou meu namorado. "Até parece que ele vai parar!", disse eu, já fazendo o sinal de carona. Mas, para a nossa surpresa, aquele caminhão que vinha em velocidade, começou a frear, fazendo Ttttssssssssssss! Tsssssssssssssssssssssssss! E parou uns 80 metros adiante. Eu e o Marco saímos correndo e entramos no caminhão. Eu prendendo o riso. O motorista, gordo e alegre, começou a cantar a toda altura logo que o veículo começou a andar.

"Estou indo para as Guianas!", disse o motorista. "Querem ir?"


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Os Caminhos da Liberdade

quinta-feira, 12 de novembro de 2009 by Leila Franca


Hoje eu estava lendo no Globo sobre o protesto dos estudantes da UnB, onde vários alunos e alunas usavam trajes mínimos, contando inclusive com a participação de estudantes completamente despidos. Entretanto, não li em nenhum lugar sobre a reação das pessoas em relação a forma com que foi feito este protesto.

Não sou uma pessoa moralista, mas sem dúvida a visão de uma pessoa completamente nua pode causar um impacto se formos pegos desprevenidos.

Eu me lembro que uma vez fui a um acampamento com um grupo grande de amigos. O local, uma praia no estado do Rio de Janeiro, ficava cheio de barracas de outros campistas, mas depois de um ou dois dias, todo mundo já se conhecia.

Tomávamos banho numa espécie de chuveiro ao ar livre. De tardinha havia até fila. Numa tarde, enquanto eu e minhas amigas aguardávamos para tomar banho, o que fazíamos vestidas em nossos biquinis, fomos pegas de surpresa quando um rapaz tirou a roupa toda e ficou nu na frente de todos os que esperavam na fila.

Rindo muito, nós garotas, voltamos para a barraca sem tomar banho. Alguma coisa na maneira como fomos criadas não nos deixou permanecer ali diante daquele rapaz coberto apenas por espuma. Ele agia com naturalidade, concentrado no banho, mas não conseguimos ficar na platéia.

Group of Friends Camping

Neste mesmo lugar, não me lembro se no mesmo ou em outro verão, fizemos amizade com todos como sempre e era muito comum irmos à cidade passear depois do dia de praia. Eu e mais dois amigos andávamos na areia até a estrada onde esperávamos o ônibus, mas neste dia, uma senhora de uns 50 anos, que já conhecíamos da praia, vinha vindo em seu carro e nos ofereceu carona. Aceitamos.

Minha amiga e o irmão dela foram no banco de trás e eu (logo eu!) fui na frente. Já estávamos conversando animadamente quando reparei que a mulher estava usando somente uma túnica de croche, sem nada por baixo. Digo, ela não usava nenhuma roupa além da túnica, nem sutiã nem calçinha e dava pra ver tudo! Eu olhei para trás e arregalei os olhos para os meus amigos, mas eles não entenderam o que eu queria dizer e, lógico, eu não podia falar!

Fiquei pensando: e se o carro escangalhasse? Se furasse um pneu? Mas que idéia! É cada uma que me aparece! Será que ela havia esquecido de vestir as calças? Será que achava confortável? (eu não acharia!) Suspirei de alívio ao sair daquele carro.

Numa outra ocasião, fui num caixa eletrônico com meu marido. Enquanto ele fazia lá aquele ritual de colocar e tirar cartão, esperar papelzinho, conferir extrato etc, uma senhora que usava o caixa ao lado simplesmente arriou as calças compridas e fez xixi na lata de lixo!!! Eu cutucava o meu marido pra ele ver aquela cena surreal, mas ele estava tão concentrado nas contas que só disse "espera aí" e não olhou! Novamente eu fui a única espectadora de uma cena incomum.

Couple at ATM

Mas tudo é relativo. Sempre há os dois lados da moeda. Eu tinha 17 anos (bota tempo nisso!) quando fui à Brasília com uma amiga, a tia e a prima dela. A tia e a prima moravam em Brasília, tinham vindo ao Rio visitar minha amiga e na volta nos convidaram para conhecermos aquela cidade. Fomos muito bem.

Chegando em Brasília passamos a semana passeando e no fim de semana resolvemos sair à noite. Eu e minha amiga estávamos acostumadas com a liberdade no Rio de Janeiro e nem nos passou pela cabeça que a prima, de Brasília, não tinha os mesmos hábitos. Nos divertimos a noite toda e voltamos para casa às 4h da madrugada. O problema é que a prima da minha amiga nunca tinha chegado em casa àquela hora e ela não nos disse nada a respeito. Por isso, não adiantou tentarmos entrar sem fazer barulho. O pai dela estava nos esperando.

Eu e minha amiga fomos colocadas pra fora daquela casa. Sentamos no meio-fio da rua, com as mochilas nas costas e esperamos o dia amanhecer. Minha amiga resolveu ficar na casa de outros conhecidos e eu resolvi voltar sozinha para o Rio de Janeiro.

Contei o dinheiro que ainda tinha no bolso e dava certinho pra passagem. Só que eu esqueci, que teria 30 horas de viagem pela frente... não poderia comer! No ônibus, além de mim, só haviam mais dois passageiros. Um homem e uma senhora. Eu fiquei na frente, o homem ficou no meio do ônibus e a senhora estava quase no último assento. Ninguém falou uma palavra na viagem.

Bus

Tarde da noite, o ônibus parou no meio do cerrado e dois guardas rodoviários entraram, olharam tudo e perguntaram. "Quem é que está com esta menina? "(eu). Silêncio. Eu só fingindo que estava dormindo, com um olho fechado e outro aberto. "Não tem ninguém com esta menina?" Falaram alto. Eu me mexi e olhei pra eles. Quando eu ia abrir a boca pra falar, ouvi a mulher lá no fundo do ônibus dizendo: "Está comigo!"

Os guardas foram embora e eu suspirei de alívio. No dia seguinte, ainda em viagem, o ônibus parou e eu fui falar com a mulher. Contei a história toda e ela me pagou um almoço. Ela foi mais uma das pessoas que não soube sequer o nome, mas nunca vou esquecer.


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