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O fantasma da ponte

segunda-feira, 17 de maio de 2010 by Leila Franca

Falei tanto em moto ontem que fiquei até lembrando da primeira vez que atravessei a ponte Rio Niterói. Eu estava numa moto com meu amigo Renatinho. Nós éramos da mesma turma no colégio e ainda morávamos perto um do outro.


Acho que eu era a única pessoa que tinha coragem de sair com o Renato naquela moto. No dia que resolvemos atravessar a ponte, o capacete que ele usava foi amarrado de barbante embaixo do queixo e tinha tanto furo que mal dava pra ver a cor. Depois de atravessar os quase 14 quilômetros da pista, demos meia volta na praça do pedágio, sem ir a Niterói. Só queríamos mesmo fazer a travessia.

Quando chegamos no vão central, paramos para observar. Foi aí que o Renato me deu um susto danado! Ele desceu da moto, subiu na mureta e pulou! Eu dei um grito e corri pra beirada. Foi quando ele apareceu rindo às gargalhadas! Ele havia pulado numa espécie de andaime de obra que havia ali, fora da visão de quem estava na pista. Mesmo assim, o que ele fez tinha sido muito arriscado. Talvez naquele ponto a altura do vão fosse de um prédio de 10 andares.

Depois disso fiquei muito tempo sem passar por ali até que fui fazer faculdade em Niterói. Então eu tinha que passar pela ponte todos os dias. Quando eu voltava, já eram umas 11h da noite e muitas vezes vi todas as pistas vazias. Só eu lá.

high angle view of a car driving on a freeway in snowfall

Precisava sempre manter os vidros do carro um pouco abertos por causa da ventania. O vento parecia empurrar o veículo e balançava a ponte. Quando havia engarrafamento e tinha de ficar com o carro parado, podia sentir perfeitamente a ponte balançando por causa do vento. Agora parece que não há mais este problema, mas naquele tempo havia.

Os aviões que chegam no aeroporto ali perto também passavam sobre a ponte em baixa altitude. Quando um avião vinha vindo, ainda um pouco afastado, parecia que estávamos em rota de colisão.

Man waterskiing

Às vezes o vão central ficava dentro de uma nuvem de neblina. Eu ia dirigindo e de repente entrava dentro da nuvem. Era um cenário estranho. Tudo branco. Pensava que se fantasmas existissem, então alguns deles deviam morar bem ali.

Eu tinha uma sensação inexplicável ao me aproximar do ponto mais alto da ponte. Alguma coisa na atmosfera mudava ao atingir aquela área. Quando voltava tarde da noite, sozinha, costumava me distrair conversando comigo mesma em voz alta. Passava a vida à limpo e até cantava a toda altura. Era como estar sozinha no mundo.

Com o tempo, passei a cumprimentar os supostos fantasmas, assim que passava pelo local. "Alô! Alô! Estou na área! Vou passar no meio de vocês! Não precisa se assustar! Segurem o vendaval por 10 minutos!"

Fiz isso durante muito tempo brincando, feliz da vida. Mas uma vez, quando eu tinha acabado de passar pelo vão central em direção ao Rio, num ponto onde podia ver quase toda a pista, deserta aquela hora da noite, um carro preto passou por mim numa velocidade tão grande, que eu não vi ele se aproximando e creio que no tempo de um piscar de olhos desapareceu no horizonte. Eu devia estar a 90 km/h. E aquele automóvel? Estava a 200 km/h?

Até hoje tenho dúvidas se aquele carro era mesmo de verdade.



Abaixo, um vídeo de 11 segundos da ponte balançando:


vídeo: sonomansoda



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