Copyright 2010 Leila Franca. All Rights Reserved.
Snowblind by Themes by bavotasan.com.
Blogger Templates by Blogger Template Place | supported by One-4-All
Mostrando postagens com marcador ponte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ponte. Mostrar todas as postagens
Falei tanto em moto ontem que fiquei até lembrando da primeira vez que atravessei a ponte Rio Niterói. Eu estava numa moto com meu amigo Renatinho. Nós éramos da mesma turma no colégio e ainda morávamos perto um do outro.
Acho que eu era a única pessoa que tinha coragem de sair com o Renato naquela moto. No dia que resolvemos atravessar a ponte, o capacete que ele usava foi amarrado de barbante embaixo do queixo e tinha tanto furo que mal dava pra ver a cor. Depois de atravessar os quase 14 quilômetros da pista, demos meia volta na praça do pedágio, sem ir a Niterói. Só queríamos mesmo fazer a travessia.
Continue Reading
Quando chegamos no vão central, paramos para observar. Foi aí que o Renato me deu um susto danado! Ele desceu da moto, subiu na mureta e pulou! Eu dei um grito e corri pra beirada. Foi quando ele apareceu rindo às gargalhadas! Ele havia pulado numa espécie de andaime de obra que havia ali, fora da visão de quem estava na pista. Mesmo assim, o que ele fez tinha sido muito arriscado. Talvez naquele ponto a altura do vão fosse de um prédio de 10 andares.
Depois disso fiquei muito tempo sem passar por ali até que fui fazer faculdade em Niterói. Então eu tinha que passar pela ponte todos os dias. Quando eu voltava, já eram umas 11h da noite e muitas vezes vi todas as pistas vazias. Só eu lá.
Precisava sempre manter os vidros do carro um pouco abertos por causa da ventania. O vento parecia empurrar o veículo e balançava a ponte. Quando havia engarrafamento e tinha de ficar com o carro parado, podia sentir perfeitamente a ponte balançando por causa do vento. Agora parece que não há mais este problema, mas naquele tempo havia.
Os aviões que chegam no aeroporto ali perto também passavam sobre a ponte em baixa altitude. Quando um avião vinha vindo, ainda um pouco afastado, parecia que estávamos em rota de colisão.
Às vezes o vão central ficava dentro de uma nuvem de neblina. Eu ia dirigindo e de repente entrava dentro da nuvem. Era um cenário estranho. Tudo branco. Pensava que se fantasmas existissem, então alguns deles deviam morar bem ali.
Eu tinha uma sensação inexplicável ao me aproximar do ponto mais alto da ponte. Alguma coisa na atmosfera mudava ao atingir aquela área. Quando voltava tarde da noite, sozinha, costumava me distrair conversando comigo mesma em voz alta. Passava a vida à limpo e até cantava a toda altura. Era como estar sozinha no mundo.
Com o tempo, passei a cumprimentar os supostos fantasmas, assim que passava pelo local. "Alô! Alô! Estou na área! Vou passar no meio de vocês! Não precisa se assustar! Segurem o vendaval por 10 minutos!"
Fiz isso durante muito tempo brincando, feliz da vida. Mas uma vez, quando eu tinha acabado de passar pelo vão central em direção ao Rio, num ponto onde podia ver quase toda a pista, deserta aquela hora da noite, um carro preto passou por mim numa velocidade tão grande, que eu não vi ele se aproximando e creio que no tempo de um piscar de olhos desapareceu no horizonte. Eu devia estar a 90 km/h. E aquele automóvel? Estava a 200 km/h?
Até hoje tenho dúvidas se aquele carro era mesmo de verdade.
Abaixo, um vídeo de 11 segundos da ponte balançando:
vídeo: sonomansoda
Uma amiga me contou que no dia de sua mudança, de uma casa para outra, um fato inusitado aconteceu. Sua família havia passado o dia inteiro desmontando móveis, empilhando caixas e enchendo um caminhão. A noite chegou e ainda não haviam terminado, mas já estavam cansados demais para continuar. Faltava levar pouca coisa: várias gavetas vazias, que ficaram empilhadas num dos quartos, o estrado de uma cama, o esqueleto de um armário, caixas com livros didáticos e aqueles cacarecos que niguém sabe onde guardar e que sempre sobram no final de uma mudança.
A família resolveu dormir no chão de um dos quartos, com alguma roupa de cama que haviam reservado para forrar o assoalho e continuar a mudança no dia seguinte. Entretanto, com o movimento da mudança, as duas garotas, filhas do casal, não conseguiram dormir logo. Ficaram acordadas até tarde conversando. Uma delas, ainda estava tentando dormir, quando ouviu um barulhinho vindo da cozinha. Com o ouvido tão perto do chão, ela ouviu os passos no piso de madeira. Ficou quieta.
Aquelas pisadas, que ora se afastavam ora se aproximavam, entrou no quarto onde a família quase toda dormia. E foi assim, pela claridade da luz da rua, que entrava pela janela sem cortinas, que a garota viu os pés e parte das pernas do ladrão, que deu meia volta no quarto e saiu.
No dia seguinte ninguém parou de comentar. Um ladrão havia sim entrado na casa, por uma janela esquecida aberta, mas não deve ter entendido nada do que viu. Possivelmente pensou: que casa estranha! Pilhas de gavetas sem nada dentro, cozinha sem fogão, sem geladeira, quartos sem camas e uma família inteira dormindo no chão da casa bacana. Não roubou nada, pois não havia o que roubar e saiu da mesma forma com que entrou!
Algo parecido aconteceu na minha casa. Minha irmã havia chegado tarde de uma festa e ainda não estava dormindo quando viu duas mãos chapadas no vidro da janela de seu quarto. Sem fazer barulho, ela saiu da cama e foi engatinhando pelo corredor comprido até o quarto dos meus pais. Acordou meu pai e ele foi até o quintal, sem fazer barulho, levando consigo as bombinhas em forma de palito de fósforo que guardava para este tipo de ocasião.
No quintal, meu pai viu o ladrão escondido atrás de um barco que havia comprado para reformar. No chão, estavam os remos. Meu pai se aproximou do ladrão por trás, sem ser visto, e com um dos remos, deu uma "palmada" no indivíduo, que tomou o maior susto e saiu correndo. Meu pai soltou umas duas bombinhas cujo ruído se parece com tiros de arma de fogo, para garantir. No dia seguinte, descobrimos que, na fuga, o ladrão deixou cair seus documentos e pôde ser identificado.
Mas isso tudo foi num tempo que os ladrões não eram tão brabos quanto os atuais. Mas os de hoje também podem se dar mal. Não faz muito tempo que eu estava num ônibus atravessando a ponte Rio-Niterói. Lógico, nessa pista não temos nenhuma parada em seus quase 14 quilômetros e dos dois lados só há o mar. No último ponto, antes do ônibus começar a atravessar a ponte, um grupo de pivetinhos e pivetões entrou.
Mal começamos a cruzar a baía, os garotos anunciaram o assalto. O mais velho parecia ser ainda menor de idade, uns 16 ou 17 anos, e o mais novo devia ter uns 7 ou 8 anos. Em silêncio, os passageiros entregaram suas carteiras, relógios e objetos de valor, inclusive eu, enquanto o ônibus seguia o seu caminho. Todos os objetos roubados iam sendo guardados numa mochila, que o menorzinho deles carregava.
O grupo de ladrões ficou alguns minutos na frente do ônibus, controlando os passageiros até que o veículo terminasse a travessia. Quando os pivetes saíram do ônibus, os passageiros suspiraram aliviados, mas foram logo interrompidos por um homem que estava sentado na primeira poltrona lá na frente, que começou a rir alto: o pivetinho havia esquecido a mochila no ônibus!
Além de cada um pegar de volta o que era seu, ainda haviam outros objetos possivelmente de outros roubos, que foram entregues ao motorista.
Abaixo, um vídeo de um ladrão que também se deu mal. É muito engraçado. Vale a pena ver.
Vídeo: lodelahiti
Continue Reading
Picapp Widget
Subscreva
Seguidores
Visitantes
Quem sou eu
- Leila Franca
- Rio de Janeiro, RJ, Brazil
- Escritora freelance, arquiteta, escultora, pintora,miniaturista, professora... a cada dia descubro mais sobre mim.
Rio de Janeiro
Meus visitantes:
This obra by Leila Franca is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
