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A história de hoje me foi contada pela Valéria Braz e eu apenas a escrevi com minhas próprias palavras. Obrigada Valéria pela sua participação! Vamos começar?
Valéria ainda era uma adolescente pequenininha e franzina, quase uma menina ainda e já ia para o centro de São Paulo sozinha, pegando dois ônibus e o metrô. Garotinha decidida, ela participava de um grupo de ajuda de idosos e quando voltava pra casa já eram quase 9 da noite.
Uma vez, enquanto ela passava pela calçada de uma fábrica desativada numa rua escura, já bem perto de casa, viveu uma situação que até gente grande tem medo: foi abordada por um homem esquisito, que a atacou! Num segundo, ele conseguiu segurar suas duas mãos e ela viu que ele estava armado com uma faca!
Apesar de estar carregando várias sacolas e até um gravador, a mocinha tentou se livrar daquele que lhe apertava os pulsos. Ela falou com o sujeito enquanto fazia força para se libertar e, aproveitando um minuto de distração, conseguiu soltar uma das mãos e aplicou-lhe um golpe certeiro entre as pernas com o gravador!
Enquanto o marginal xingava e se contorcia de dor, ela se soltou completamente e fugiu sem olhar para trás. Correu sem parar, mas com medo de que o homem descobrisse onde morava, em vez de entrar em casa, Valéria foi direto até uma obra ao lado, onde pediu socorro aos operários que lá estavam. Um deles avisou seu pai e todos saíram em busca do agressor, que não foi encontrado.
Depois disso, Valéria não teve coragem de sair de casa sozinha por vários dias e como se não bastasse ainda estava recebendo ligações anônimas com ameaças! Só saía acompanhada dos pais. Toda a família estava assustada. E assim, somente quando se sentiu realmente preparada é que Valéria voltou a sair.
Experimentou dar uma voltinha na rua e viu que nada acontecera. Resolveu então sair como de costume, mas logo no primeiro dia, quando voltava para casa, observou que um indivíduo estava fazendo o mesmo caminho que ela. Cismada com aquilo, Valéria experimentou andar mais devagar e o homem também retardou seu passo; andou mais rápido e o sujeito se apressou. Atravessou a rua e o indivíduo fez o mesmo! Já estava ficando bastante nervosa com a aparente perseguição quando observou que o cidadão entrou numa padaria. Então ela se tranquilizou, mas foi por pouco tempo. Minutos depois, lá estava ele a seguindo de novo!
Quando Valéria parou no ponto do ônibus, pensou que o sujeito continuaria andando, mas não foi isso que aconteceu. Ele parou no ponto também! Finalmente seu ônibus chegou e ela foi entrando no veículo, enquanto tomava conta do homem, que ficara para trás... Mas ela quase teve um ataque ao ver que, no último segundo, o indivíduo correu para entrar no ônibus também e vinha logo atrás dela! Agora era fato, ele a estava seguindo. Não havia como negar!
Ela decidiu saltar do coletivo um ponto antes do seu. Se o homem também saísse do ônibus, seria a prova final de que ele a estava seguindo mesmo! Assim que Valéria puxou o sinal e foi para a porta do ônibus, ela viu que o cara estava se ajeitando para descer também.
A cada degrau que descia do ônibus, ela se sentia mais apavorada. Mais alguns passos e ela foi se aproximando de uma banca de jornal, cujo dono era amigo de sua família. Ela conseguia sentir a proximidade do sujeito que a estava seguindo. Então aquele pavor foi se transformando em ansiedade e a ansiedade foi virando raiva e a raiva foi subindo, subindo... até que...
Sua paciência chegou ao fim! Começou a ver tudo vermelho! E todas as raivas que teve na vida se aglomeraram em uma só! É hoje!!!
Valéria partiu pra cima do cara na decisão! Ele ficou pálido e recuou diante da investida! A cada bolsada Valéria falava tudo o que tinha ficado preso desde a noite que foi atacada na calçada da fábrica! O homem ainda conseguiu falar: "Que isso moça! Nem te conheço! Tá doida?" Mas Valéria não estava mais ouvindo nada!
Valéria só parou de bater no homem com a bolsa quando sentiu que alguém lhe segurava pela gola da blusa com força: era o dono da banca de jornal, amigo de sua família, que a impediu de continuar dando bolsada no sujeito. "Largue! Largue ele! É meu sobrinho!"
Assim Valéria entendeu. O homem que ela pensou que a estava seguindo era sobrinho do dono da banca e estava indo visitá-lo!
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- Rio de Janeiro, RJ, Brazil
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