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Com o calor, o verão, o sol, a praia e a sensação de liberdade do Carnaval, é muito comum que namoros e romances comecem nestes dias de folia e feriado. É fácil imaginar que vários desses relacionamentos que iniciaram durante a empolgação da festa se transformem também em cinzas na quarta-feira, principalmente entre os mais jovens. Comigo não foi diferente.
Só me interessei por brincar o carnaval num clube até os 15 ou 16 anos. Preferia muito mais acampar na praia que liga as cidades de Cabo Frio e Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Ia pra lá todo verão. Mas brincando ou não, todo carnaval era a mesma coisa: namorado novo. Nunca durava muito, pois a maioria das vezes morávamos muito longe um do outro. Quando o carnaval acabava, cada um voltava para a sua cidade e nunca mais víamos as pessoas que tinha conhecido durante o acampamento.
Mas de todos os namoros de verão e de carnaval, houve um que eu não pude esquecer. Os três rapazes paulistas chegaram na praia e armaram a barraca logo depois que eu e meus amigos também havíamos chegado. Assim, vizinhos de barraca, logo nos conhecemos. Era sábado de carnaval.
É óbvio que com os passeios, a praia e a música, no grupo cada um arranjou seu par para o namoro rápido de carnaval. Eu tinha 17 anos e o rapaz paulista do interior tinha 18. Não é preciso dizer que foi um namoro super agradável em seus 4 dias de duração. Ficamos apaixonados!
Na hora da despedida, quarta-feira de cinzas, o rapaz me surpreendeu com uma promessa: "Esse ano vou fazer o curso vestibular. Vou tentar medicina! Vou me inscrever na melhor faculdade do Rio de Janeiro! Vou morar lá, então podemos ficar juntos outra vez!"
Pausa.
(E então meninas? O que vocês fariam, aos 17 anos, diante dessa promessa?)
Passou-se um ano. Era carnaval outra vez. Lá fui eu pra mesma praia, com o mesmo grupo de amigos. Eu estava feliz da vida porque tinha passado no vestibular e as aulas começariam logo.
Interessante que nesse acampamento um dos amigos do grupo (aliás, meu melhor amigo) tinha viajado depois e quando chegou na cidade foi difícil nos encontrar no carnaval. De brincadeira, ele perguntou a um motoqueiro que conheceu: "Por acaso você conhece a Leila? Uma baixinha, lourinha, de óculos..." tereré tororó... e falou tanto de mim, que o rapaz ficou curioso e saiu à minha procura com meu amigo na garupa pela cidade.
Acabaram me encontrando! Por coincidência, conversando com o motoqueiro, descobri que ele morava num bairro próximo ao meu, também tinha feito vestibular aquele ano e iria estudar na mesma faculdade que eu, no mesmo curso!
Acabou o carnaval e na quarta-feira de cinzas o motoqueiro já me telefonou e me chamou para sair. Era óbvio que aquele relacionamento iria se transformar num namoro, como realmente aconteceu.
Fazia uma semana que as aulas tinham começado. O telefone tocou. Era o paulista. Ele me contava, feliz, que havia conseguido tudo que havia prometido! Senti uma dor no coração. Tive de dizer a ele que estava namorando outro. Achei melhor não vê-lo.
Apesar de tudo, acredito que este paulista foi um homem de valor que conheci e que não vou mais esquecer. Pena que éramos tão jovens, que foi tão breve. Pena que era carnaval.
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