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(Final)
Mas não levou nem 15 minutos. Duas outras motos vinham atrás da gente. Por algum motivo, ele acelerou tentando evitar que nos alcançassem, mas as duas motos aumentaram a velocidade também até que uma delas emparelhou conosco. A pessoa que dirigia começou a gritar - esbravejar seu nome! Era uma garota pilotando a moto! Paramos. A garota não parou. Ela fez a volta e foi embora. A outra moto parou junto de nós. Era um rapaz, irmão da garota.
Entendi tudo. A garota que pilotava a moto era namorada dele!!! "Vou ter que ir lá", ele disse e eu entendi. O irmão da menina ficou de me levar de volta para o hotel, mas conversamos tanto nessa noite, que acabei ficando amiga do rapaz!
Aqueles dias foram frustrantes, mas reacendeu o que havíamos sentido ao nos conhecer. De volta ao Rio de Janeiro, passados alguns meses, ele telefonou. E telefonou de novo no dia seguinte. Eu, que não sou de ficar esperando, tomei iniciativa e fui à luta. Me arrumei e fui na casa dele, sem avisar.
Num prédio de luxo, numa zona nobre da cidade, uma mulher elegante me atendeu. "Você é a Leila!", disse ela assim que me viu. "Como a senhora sabe?" Ela explicou: "É que meu filho fala tanto de você que eu te reconheci!"
Ele não estava em casa, mas ia chegar. Enquanto isso, conversamos. Entretanto as notícias não eram boas. Ele estava com problemas sérios de saúde. Quando chegou, se deitou com a cabeça no meu colo. Agia com tanta naturalidade, que parecia que eu sempre estivera ali. Mas por mais que eu me dispusesse a apoiá-lo, ele estava irredutível. Não queria um relacionamento comigo enquanto estivesse lidando com aqueles problemas.
Eu respeitei a vontade dele e o tempo passou outra vez. Foram-se quase 2 anos. Até que eu fui num show de rock, num estádio de futebol. Porém, no meio daquele povaréu, eu o vi na multidão! E - acreditem - ele também me viu. Acho que nos olhamos no mesmo instante. Eu abandonei as pessoas que tinham ido comigo, ele deixou pra trás seus amigos e cavando espaço entre as pessoas, finalmente nos encontramos e nos abraçamos. Foi um encontro feliz!
Nos dias que se seguiram, fiquei pensativa. Eu havia tomado iniciativa uma vez, mas fazer isso todas as vezes iria decerto me fazer mal. Se ele gostasse mesmo de mim, iria me procurar. Mas acontece que ele não me procurou. Não pro-cu-rou! Essa era a realidade.
Resolvi tocar a vida pra frente. Fiz faculdade, me casei, tive filhos. Um belo dia meu marido chegou em casa com um presente. "Conheci um amigo seu, por acaso. Na mesma hora comprou esse presente e te mandou de lembrança." Fiquei boquiaberta com a coincidência. No meio de tanto povo nesse Rio de Janeiro, o meu marido vai conhecer justamente "ele", lá no outro extremo da cidade! Eu segurava o presente, com um misto de alegria e tristeza.
Mas o tempo passou outra vez. Muito tempo. Me separei, fiz outra faculdade, me casei outra vez, me separei mais uma vez e um belo dia, do nada, subi no alto da estante da sala, peguei um caderninho antigo de telefone e disquei o número, tudo rápido, sem pensar muito! Do outro lado, me responderam:
"Alô... É a Leila? A Leila???!!! Peraí, não sai daí não!" - depois de 20 anos haviam me reconhecido!
Conversamos longamente, agora como adultos. Ele também havia-se casado duas vezes, assim como eu. Eu estava começando a me sentir mal por tê-lo procurado, mas ele me falou algo que valeu pela ligação:
"Sabe que logo depois do nosso último encontro eu fui na sua casa?", ele disse.
"Você veio???" - eu não conseguia acreditar!
Para me convencer, ele me falou detalhes da minha rua e da minha casa. Com certeza, ele tinha ido lá. Ou seja, ele tinha sim, me procurado. Eu não estava nesse dia, ou então não me chamou. Mas ele tinha ido. Para mim, era o suficiente.
"Vamos marcar um dia pra gente se encontrar?" , ele perguntou.
E eu disse: "Não, é melhor não."
E nunca mais nos vimos.
Com o calor, o verão, o sol, a praia e a sensação de liberdade do Carnaval, é muito comum que namoros e romances comecem nestes dias de folia e feriado. É fácil imaginar que vários desses relacionamentos que iniciaram durante a empolgação da festa se transformem também em cinzas na quarta-feira, principalmente entre os mais jovens. Comigo não foi diferente.
Só me interessei por brincar o carnaval num clube até os 15 ou 16 anos. Preferia muito mais acampar na praia que liga as cidades de Cabo Frio e Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Ia pra lá todo verão. Mas brincando ou não, todo carnaval era a mesma coisa: namorado novo. Nunca durava muito, pois a maioria das vezes morávamos muito longe um do outro. Quando o carnaval acabava, cada um voltava para a sua cidade e nunca mais víamos as pessoas que tinha conhecido durante o acampamento.
Mas de todos os namoros de verão e de carnaval, houve um que eu não pude esquecer. Os três rapazes paulistas chegaram na praia e armaram a barraca logo depois que eu e meus amigos também havíamos chegado. Assim, vizinhos de barraca, logo nos conhecemos. Era sábado de carnaval.
É óbvio que com os passeios, a praia e a música, no grupo cada um arranjou seu par para o namoro rápido de carnaval. Eu tinha 17 anos e o rapaz paulista do interior tinha 18. Não é preciso dizer que foi um namoro super agradável em seus 4 dias de duração. Ficamos apaixonados!
Na hora da despedida, quarta-feira de cinzas, o rapaz me surpreendeu com uma promessa: "Esse ano vou fazer o curso vestibular. Vou tentar medicina! Vou me inscrever na melhor faculdade do Rio de Janeiro! Vou morar lá, então podemos ficar juntos outra vez!"
Pausa.
(E então meninas? O que vocês fariam, aos 17 anos, diante dessa promessa?)
Passou-se um ano. Era carnaval outra vez. Lá fui eu pra mesma praia, com o mesmo grupo de amigos. Eu estava feliz da vida porque tinha passado no vestibular e as aulas começariam logo.
Interessante que nesse acampamento um dos amigos do grupo (aliás, meu melhor amigo) tinha viajado depois e quando chegou na cidade foi difícil nos encontrar no carnaval. De brincadeira, ele perguntou a um motoqueiro que conheceu: "Por acaso você conhece a Leila? Uma baixinha, lourinha, de óculos..." tereré tororó... e falou tanto de mim, que o rapaz ficou curioso e saiu à minha procura com meu amigo na garupa pela cidade.
Acabaram me encontrando! Por coincidência, conversando com o motoqueiro, descobri que ele morava num bairro próximo ao meu, também tinha feito vestibular aquele ano e iria estudar na mesma faculdade que eu, no mesmo curso!
Acabou o carnaval e na quarta-feira de cinzas o motoqueiro já me telefonou e me chamou para sair. Era óbvio que aquele relacionamento iria se transformar num namoro, como realmente aconteceu.
Fazia uma semana que as aulas tinham começado. O telefone tocou. Era o paulista. Ele me contava, feliz, que havia conseguido tudo que havia prometido! Senti uma dor no coração. Tive de dizer a ele que estava namorando outro. Achei melhor não vê-lo.
Apesar de tudo, acredito que este paulista foi um homem de valor que conheci e que não vou mais esquecer. Pena que éramos tão jovens, que foi tão breve. Pena que era carnaval.
Adoro coisas bem feitas, trabalhos que exigem precisão, principalmente quando é realizado em grupo, o que torna a coisa ainda mais difícil, pois todos devem estar de certa forma conectados e dando simultaneamente o seu melhor.
Adorei este filme antigo, da década de 50, que exibe um verdadeiro balé de motociclistas italianos. Vale a pena ver!
vídeo: diagonaluk
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- Rio de Janeiro, RJ, Brazil
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