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Achados e Perdidos

segunda-feira, 19 de outubro de 2009 by Leila Franca



Todo mundo, de vez em quando, perde ou acha alguma coisa. É a chave, o boné, o óculos, o celular e, pior, os documentos. Eu nunca fui muito de perder objetos, embora já tenha perdido alguns. Sou mais de encontrar coisas perdidas, talvez porque eu seja bastante observadora e reparo os detalhes do ambiente onde me encontro.

Car keys on concrete in parking garage (focus on car keys)

Obviamente, pessoas de determinadas profissões devem encontrar mais objetos que qualquer pessoa comum. Motoristas de táxi, garis, camareiras de hotel devem estar sempre encontrando coisas. E há também aqueles que encontram grandes somas de dinheiro e que viram até notícia de jornal quando entregam a fortuna de volta a seus donos.

Mas se não é uma fortuna que achamos, se é apenas uma nota caída na calçada, ficamos até felizes com o achado. Uma vez, caminhando com duas amigas, encontramos a maior nota da época na rua. Nossa! Fizemos festa! Fomos a uma pizzaria e comemos por conta do achado!

Por duas vezes na minha vida encontrei montes de moedas. A primeira vez aconteceu quando fui a um teatro assistir a um show que já tinha começado quando cheguei. Estava escuro e não havia lugar para sentar. Sentei num degrau do corredor. Foi quando reparei (pelo tato), que haviam muitas moedas no chão. Até hoje não sei como alguém poderia ter levado tantas moedas para um teatro! Outra vez foi na minha rua mesmo. De manhã cedo, quando saí para comprar alguma coisa, ninguém na rua, vi aquele monte de moedas num canto junto do meio-fio. As moedas deviam ter vindo de uma latinha que estava perto com a tampa um pouquinho mais longe. Não é uma coisa comum de se ver e eu pensei na criança que havia perdido seu cofrinho.

Mas existem achados de "qualidade", cujos donos são quase impossíveis de localizar. Um amigo meu encontrou um casaco num banco de praça com uma gaita maravilhosa dentro do bolso. O casaco e a gaita indicavam que o dono era uma pessoa fina... e esquecida! Existem também perdas de "qualidade": para este mesmo amigo, emprestei um violão e ele o esqueceu no vagão de um trem!

Às vezes as pessoas esquecem de coisas enormes, não sei como! Na saída da faculdade, eu conversava com um grupo de amigos enquanto esperávamos o ônibus, quando um deles pareceu ter levado um susto, dizendo: "Esqueci que eu vim de carro!!!" Ele ia esquecer o próprio carro no estacionamento!

A melhor coisa do mundo é quando a gente consegue achar o que perdeu. Passeando com meu cachorro, que parecia ter mais força que eu me puxando pra onde ele queria ir, acabei perdendo um anel de ouro com pedrinhas preciosas. Andei muito pela rua procurando o anel e não encontrei. Fiquei chateada... Dias depois, andando com o cachorro, já de noite, vi aquele brilho no chão de paralelepípedos da rua. Era o meu anel!!!

Existem umas coisas, que quando encontradas, nos fazem querer achar o dono custe o que custar! Pelo menos eu sou assim!Encontrei, certa vez, junto do telefone público, uma carteira com todos os documentos de um rapaz. Entre os documentos, havia uma carteira de um clube com o endereço do rapaz. Não era longe de onde eu estava. Por isso, resolvi ir até lá entregar em mãos a carteira. Andei e andei... não era tão perto assim! Chegando lá, a senhora que atendeu a porta me falou que o rapaz havia se mudado e me deu o novo endereço. Era um pouco mais longe de onde eu estava, mas não tão longe que me fizesse desistir.

Fui em casa pegar o carro porque dessa vez não dava pra ir a pé. Eu podia muito bem ter deixado os documentos no correio, mas imaginei que um rapaz novo poderia não pensar em ir aos correios. O lugar era mais difícil de encontrar do que eu imaginava. Eu conhecia a rua, mas não sabia que era tão longa... De repente observei que eu estava perdida num lugar ruim demais de dirigir. Eram ladeiras que a gente acha que o carro vai virar, buracos enormes, muita lama... Meu Deus! Onde eu estou?! A rua terminava num portão. Uma criança o abriu sem que eu pedisse. Parecia estar ali somente para isso. Era uma área enorme, com uma comunidade que eu nem sabia que existia naquele bairro! Larguei o carro e segui caminhando até finalmente encontrar a casa do rapaz, que ficou feliz em ver seus documentos de volta. Ele explicou que havia sido assaltado enquanto falava ao telefone e o ladrão devia ter largado sua carteira ali. Voltei para casa pensando que da próxima vez seguirei direto para os correios!

E quando é o ladrão quem esquece os documentos? Há muitos anos atrás, uma pessoa entrou na minha casa para roubar o que havia pelo quintal, mas na fuga deixou cair seus documentos e foi localizado também!

Às vezes a pessoa que acabou de perder um objeto valioso está bem na nossa frente e temos que ser atletas para alcançá-las. Uma vez andando em direção ao banco, na hora do almoço, vi que dois rapazes a alguns metros na minha frente deixaram cair alguma coisa no chão e continuaram andando. Quando cheguei perto, vi que eram cartões de crédito e de banco. Os rapazes altos com longas pernas, andavam num passo rápido e se afastavam cada vez mais de onde eu estava. "Hey!" (gritei em inglês porque isso aconteceu nos Estados Unidos). Os rapazes não ouviram. Pareciam jogadores de hockey ou de baseball, atletas com certeza, de tão rápido que caminhavam. Eu corria atrás. Já tinha passado a rua do meu banco e eu ainda correndo... Quando finalmente os alcancei, confesso que eu estava bufando e no dia seguinte estava dolorida pelo esforço repentino.

Ainda nos Estados Unidos, fui num show de rock e no final encontrei uma guitarra esquecida no gramado. Fico pensando: como é que pode? Devia ser de um dos músicos. Não conseguia imaginar uma pessoa indo a um show levando uma guitarra sem ser um dos músicos. A sorte foi que horas mais tarde consegui fazer contato com um dos organizadores que imediatamente telefonou para o roqueiro esquecido e ele foi buscar a guitarra na minha casa.

Mas o caso mais inusitado de achados e perdidos que já presenciei aconteceu num restaurante em Kendall onde trabalhei há anos atrás. O restaurante, frequentado por estudantes, professores e funcionários da Harvad University e do MIT, batia o récorde de objetos esquecidos. Os estudantes, que usavam o restaurante como ponto de encontro para estudar e discutir, ficavam envolvidos em suas fórmulas e problemas científicos, sendo completamente distraídos em relação aos seus objetos pessoais.

Eu vivia encontrando guarda-chuvas, luvas, casacos, gorros, bolsas, livros e entregava para o gerente, que guardava tudo num armário. Certa vez, porém, na hora de fechar o restaurante, encontrei uma cueca em cima da mesa. Não querendo fazer distinção entre um e outro objeto perdido, levei a cueca para o gerente. Ele reagiu com surpresa: "Meu Deus! Até a cueca deixaram em cima da mesa? Isso ninguém vai vir buscar! Vou jogar fora no lixo!" Nesse momento, o faxineiro estava passando com o saco de lixo e o gerente jogou a cueca no saco, que foi imediatamente fechado e levado para fora.

Menos de um minuto depois, um jovem asiático de óculos, deu duas pancadinhas nas minhas costas com o dedo indicador, como se eu fosse uma porta. Eu conversava com o gerente e nós paramos a conversa para ver o que o rapaz queria e ele disse: "Eu queria saber se por acaso vocês viram uma cueca..." Eu e o gerente prendemos o riso e fomos para os fundos do restaurante fingindo procurar a cueca.

E você? Tem alguma história interessante sobre achados e perdidos que queira compartilhar?

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Aconteceu no Supermercado...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009 by Leila Franca


Meu pai costumava ficar entusiasmado com a fartura que temos nos dias de hoje. Ele ficava exultante quando ia fazer compras no supermercado e via as prateleiras cheias de praticamente tudo que se possa querer comprar. Ele ficava feliz em ver as pessoas comprando, enchendo seus carrinhos, as crianças escolhendo seus artigos preferidos, homens e mulheres de todas as idades com suas listinhas de compras na mão.

Eu gostava de ver que para ele não era muito difícil ser feliz. Para quem é do tempo em que só haviam quitandas e armazéns, realmente a visão de um supermercado cheio de provisões é de entusiasmar. Meu pai ia quase todos os dias ao supermercado. Eu também fazia assim para comprar comida fresca e aproveitar as ofertas do dia. Depois, para economizar tempo, passei a ir menos vezes ao supermercado, comprando mais coisas de cada vez.

Todo mundo tem seu supermercado preferido. O mais perto de casa, o que vende mais barato, o que oferece mais conforto ao cliente, o que aceita cartão de crédito, o que fica mais perto do banco, do trabalho, da escola do filho, o que vende determinados itens que os outros não vendem etc. Há muitas razões para a escolha. No meu caso, gosto de ir no supermercado mais próximo de casa e que vende mais barato ou então naquele perto do banco e que tem lanchonetes, pois aproveito para fazer um lanche.

Não é aconselhável fazer compras quando se está com fome pois compramos mais certos itens que não compraríamos se estivéssemos de barriga cheia. Fazer compras com crianças também é difícil. Se a criança é pequena e fica sentadinha dentro do carrinho, ainda temos que prestar atenção para que não coloque a boca na cadeirinha ou a mãozinha nas laterais do carrinho porque outro carrinho pode chegar perto demais e machucar. Mas temos que prestar atenção nas crianças mais crescidas, que já saem andando, porque podem se perder.

Agora lembrei daquele anúncio em que o menino faz a maior cena no supermercado gritando "Eu quero brócolis!!!" Ainda bem que não é muito comum ver as crianças fazendo essas cenas, mas geralmente elas ficam aborrecidas se não comprarmos o que escolheram: iogurtes, chocolates, bolos, balas, doces, brinquedos e mais uma infinidade de itens que possivelmente não constam da lista dos pais.

Minha mãe dizia que ia comprar o "básico", quando se dirigia ao supermercado para comprar feijão, arroz, óleo, açúcar etc, ou seja, quando não ia comprar aqueles itens que as crianças gostam. Lembro que uma vez meu filho ainda pequenininho correu para ver o que havia nas bolsas de supermercado quando chegamos em casa. Minha mãe falou que era só o "básico" (quer dizer: não há nada que você possa querer!) e meu filho respondeu: "Eu quero o "básico"!!!" Muito parecido com o "Eu quero brócolis" do anúncio.

É interessante como os artigos são arrumados dentro de um supermercado. Na frente estão os itens supérfluos e no fundo, mais longe da entrada, os produtos mais essenciais. Junto das caixas estão também os itens que esquecemos com frequência, como pilhas e lâminas de barbear, além de mais supérfluos. O cliente interessado em economizar irá direto ao fundo do supermercado fazer suas compras e depois, se quiser, poderá passear entre as prateleiras dos supérfluos e escolher alguns.

É curioso também observar que os preços nunca têm um valor redondo, ou seja, é muito difícil ver um item que custa R$2,00 ou R$5,00, por exemplo. É sempre R$2,73, R$4,98, etc. Ou então itens concorrentes que brincam com a quantidade e o preço do produto. O item com 400 gramas, o de 900 gramas, o de 380 gramas, 90 gramas etc. Há uma matemática envolvida aí. O cliente poderá facilmente se perder nas contas da regra de três. Por isso as cestinhas de devolução estão sempre com alguns ou muitos itens. Quando o computador começa a somar de verdade os preços das compras, alguns artigos são dispensados.

Mas a organização do supermercado tem uma relação direta com os nossos costumes. O que mais gostamos de comer e beber, o que usamos para limpar a casa etc. Nos Estados Unidos as prateleiras com cereais (flocos de milho) ocupam um corredor inteiro no supermercado, enquanto que feijão e arroz ocupam um pequeno espaço. As embalagens feitas para uma pessoa só consumir são mais facilmente encontradas. Além disso, a gente vê coisas como uma pessoa comprando apenas uma banana. Acho que nunca vi isso aqui no Brasil.

Em determinadas datas os supermercados ficam mais cheios. São os dias de pagamento. Dia 5, dia 10, dia 15, podemos contar que as filas estarão enormes. Geralmente, se estou fazendo "compras grandes", com o carrinho cheio, e há alguém logo atrás de mim com dois ou três itens, eu digo para a pessoa ir na minha frente quando chega a hora de passar pelo caixa. Não custa nada fazer isso, entretanto não gosto quando alguém que não está na fila com apenas um item na mão aparece de repente pedindo para entrar na minha frente na hora de pagar. Acho que ninguém gosta quando isso acontece. As pessoas que estão atrás da gente fazem logo uma cara indignada, na expectativa de saber se vamos concordar ou não em deixar a pessoa passar. O pior é que se deixamos, logo em seguida aparece mais uma pessoa pedindo a mesma coisa! E aí? Vamos deixar um passar mas o outro não?

Nesses dias de mercados cheios de clientes que acabaram de receber seus salários comprando de tudo (achando que têm mais dinheiro neste dia!) não é raro vermos discussões e até brigas nas filas. O motivo da briga muitas vezes é aquela pessoa com o carrinho cheio que distraidamente (ou não!) entra na fila do caixa rápido, para clientes com até 15 itens. Mas existem outros motivos.

Uma vez havia uma mulher na fila do caixa preferencial (aquela dos idosos, gestantes e deficientes físicos) que criou uma enorme confusão no supermercado. Era fácil ver que ela devia ter menos de 65 anos, mas já havia passado da idade para ser uma gestante. Além disso, ela não tinha nenhuma deficiência física. As pessoas na fila começaram a reclamar. Idosos e gestantes, atrás dela, que estava com o carrinho cheio até a boca, estavam visivelmente aborrecidos com a displicência daquela mulher ocupando um lugar na fila "deles". Os mais jovens, da fila ao lado, partiram em defesa dos idosos e falaram com a mulher sobre ela estar na fila errada. Mas faltava pouco para chegar a vez dela, então ela fingiu que não ouviu e não se moveu do lugar. A discussão esquentou. Mais pessoas começaram a reclamar.

Alguém chamou o gerente que, delicadamente, avisou à mulher sobre a questão da fila ser preferencial. Ela não falou nada e continuou no mesmo lugar... A revolta aumentou! De repente, aconteceu o que ninguém esperava! A mulher começou a pegar os artigos que havia comprado e os atirar na multidão enfileirada! Uma bandeja com um bom pedaço de lagarto redondo passou voando perto de mim e se espatifou na prateleira de sucos. Batatas, laranjas, limões e outros itens foram arremessados no povo! A fatia de melancia se despedaçou na perna de um homem! O tomate não sobreviveu! Era uma guerra surreal!

Fui embora antes que a confusão terminasse. Pensei no meu pai que ficava feliz com a abundância do nosso tempo. Tudo é realmente relativo. Existem várias maneiras de se ver uma mesma coisa. Enquanto meu pai ficava feliz, outros se estressam.

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Não duvide de si mesmo

sábado, 10 de outubro de 2009 by Leila Franca


Vamos supor que uma garota passou a tarde no shopping e comprou aquele vestido lindo branquinho bordado que ela amou desde o minuto que viu. Vai pra casa toda feliz e à noite veste o vestido novo pra sair com o namorado. Ela se olha no espelho vê que o vestido caiu super bem no seu corpo e combinou certinho com suas sandálias. Ela está se sentindo ótima.

Quando o namorado chega, ele logo repara o vestido e vê que ela está bonita demais. Ele deveria se sentir orgulhoso por ter uma namorada como ela, mas alguma coisa faz com que ele diga: "Tá parecendo uma baiana do carnaval!"

Pronto! Acabou a alegria da menina! Não adianta, toda vez que ela usar o vestido vai pensar na baiana rodopiando no desfile da escola de samba e não era esse efeito que ela queria ao comprar o vestido. Talvez ela o esqueça no guarda-roupa e não use mais. Ela começa a duvidar do seu gosto ou pensa que o problema está no seu corpo.

O negócio é que ela estava adorando o vestido até o momento que o namorado fez o comentário. O que tinha acontecido? Ele queria se sentir o maioral e ela esperava que ele aprovasse a sua escolha. É como um jogo, que vai acabar se repetindo, em situações diferentes.

Marido e mulher saem para levar o filho numa festinha de aniversário. No final da festa, se despedem dos amigos e vão para casa. No caminho até o carro, o homem pergunta à esposa: "Cadê a chave do carro?" e ela responde: "Está contigo." Ele se espanta e diz: "Não, eu te dei a chave quando a gente chegou." E ela nega: "Não, você não me deu chave nenhuma!" Ele insiste: "Dei sim!" E ela também: "Não, eu não peguei na chave!" Eles voltam para a festa e a chave estava caída no chão, exatamente entre as cadeiras que ele e ela estavam sentados. Era impossível provar que a chave estava com um ou com o outro, mas um deles tem razão. O que estava errado não quer admitir que esqueceu da chave e o que estava certo fica pensando: "Será que a chave estava comigo?" E começa a duvidar de si mesmo.

Um homem tem um cargo de prestígio e ele é conhecido por estar sempre disposto a ajudar os outros. Não há quem não goste dele. Ele é popular, respeitado e todos o tem em alta conta. No entanto, dentro de casa, entre quatro paredes, ele trata a esposa com desdém e nada do que ela faz parece bom o suficiente para ele. Ele está sempre criticando e apontando seus defeitos. Apesar de tudo, ele dá a ela boas quantias de dinheiro e ela pode comprar o que quiser. Ela não é feliz, mas não pode falar sobre sua vida com ninguém, pois ninguém iria acreditar. Ela começa então a duvidar de si mesma e a pensar que está errada.

Essas histórias são fictícias, mas são relações que acontecem. Se a gente não passou por isso, pelo menos já ouviu falar de alguém que passou. Sempre tem um que fica duvidando de si mesmo, se sentindo pra baixo. É um jogo que não faz bem. O interessante é que a partir do momento que a pessoa vê que é só um jogo e se recusa a jogar, aquilo começa a parar de se repetir tanto, até que não o afeta mais.

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Tem roupa pra lavar?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009 by Leila Franca


Um dos serviços da casa que mais toma tempo e energia é o cuidado que temos de ter com as nossas roupas. Lavar roupas não se resume em apenas colocá-las na máquina e apertar um botão. É um trabalho que começa desde a hora em que começamos a procurar por roupas sujas deixadas nos cômodos da casa até o momento que elas entram dobradinhas nas gavetas ou penduradas em cabides nos armários.

Se começarmos a adiar a tarefa de lavar as roupas, podemos chegar a um ponto em que as gavetas ficarão quase vazias e a área de serviço parecerá não caber a "montanha" que irá se formar. Então pensamos que temos "poucas" meias, "poucos" panos de prato e começamos a comprar mais, fazendo a "montanha" aumentar.

Certa vez conheci uma pessoa que tinha um bom emprego, mas que ainda morava com os pais. Conversa vai, conversa vem, ela me falou que ainda não tinha ido morar sozinha porque se fosse teria que lavar suas roupas e, morando com os pais, havia quem tratasse deste "problema" para ela e assim não tinha com que se preocupar. É por isso que muitos jovens chegam à idade adulta sem saber o que fazer para ter suas roupas limpas na gaveta.

A tarefa de lavar roupas começa no momento em que você entra no banheiro, nos quartos e até na sala e na cozinha a procura de roupas sujas. Muita gente, de todas as idades, tem hábito de deixar suas roupas sujas no chão, o que só faz piorar o trabalho de deixá-las limpas. A roupa deixada no chão vai pegar poeira, fios de cabelo, pelos de gatos ou cachorros e até pequenos insetos mortos ou vivos! A pessoa que está a procura de roupas sujas pela casa, há de olhar atrás das portas, debaixo das camas, atrás dos sofás, sobre os assentos e encostos, nas maçanetas, além de obviamente no cesto de roupa suja.

Depois de recolher todas as roupas sujas, teremos que separá-las por cor e por tipo. Roupas escuras, coloridas, claras e brancas. Roupas finas, panos de cozinha, roupas íntimas não devem se misturar. Quem tem espaço em casa pode usar dois cestos de cores diferentes e quando for colocar a roupa suja na área de serviço, já vai colocando a roupa escura e colorida num cesto e a roupa clara em em outro. Os panos de cozinha e toalhas de mesa do dia a dia podem ficar numa bacia separada das roupas íntimas e das meias.

Enquanto estamos separando as roupas, podemos verificar se existem moedas, papel, documentos etc nos bolsos. Bermudas e calças masculinas possuem bolsos até não poder mais... podemos encontrar de tudo ali, já que os homens adoram colocar tudo nos bolsos para andar com as mãos livres. Se esta etapa não for feita, podemos acabar lavando na máquina dinheiro, carteiras, celular etc.

Precisamos descobrir quais são as roupas que soltam tinta e lavá-las à mão, separadamente. A roupa de cama pode ser lavada junto com as toalhas de banho. Roupas muito sujas devem ser lavadas à mão antes de serem colocadas na máquina. Roupas claras podem ser lavadas junto com as brancas, mas algumas roupas brancas devem ser lavadas separadamente, com alvejante, ou então ficarão com aspecto encardido. A roupa mais nova ou mais fina, bordada ou com aplicações, deverá ser lavada à mão.

Se a roupa possui fechos, estes devem ficar fechados, os botões abotoados e se a roupa possui tiras de qualquer espécie, não devemos deixar estas tiras soltas. Podemos prender essas tiras ou fitas num laço ou lavar a roupa dentro de uma fronha, senão essas tiras vão dar um nó na roupa. Se a roupa tiver bolsos, estes devem ser virados para fora para que o fundo fique livre das sujeirinhas que se acumulam ali.

Quem tem bebê em casa deve tomar cuidado com as micro meias, sapatinhos de lã, camisetinhas, touquinhas e outras roupinhas pequenas. Elas podem desaparecer se colocadas na máquina. É melhor que sejam lavadas à mão, logicamente tudo separado das roupas do resto da família.

Falando em roupa de lã, temos que ter cuidado com o peso dessas roupas depois de molhadas. Geralmente as roupas de lã, assim como acolchoados e roupas de moletom, são leves enquanto estão secas mas ficam super pesadas depois de molhadas. É sempre bom verificar no manual o peso que sua máquina pode suportar.

Gosto de usar o sabão em pó da melhor qualidade, quase sempre o mais caro, nas roupas. Acho que vale a pena, mas também compro sabão em pó dos mais baratos para lavar o chão. O mesmo vale para os amaciantes. Não uso produtos sem marca vendidos nas ruas por ambulantes.

Já li em algum lugar que é bom juntar roupa suja e ligar a máquina em sua capacidade máxima a fim de economizar luz, mas não gosto muito dessa ideia. Parece que a roupa não fica tão bem lavada se a máquina de lavar estiver muito cheia de roupa. Prefiro colocar menos roupa e economizar luz de outras formas.

Mas depois que colocamos toda a roupa na máquina, fechamos a tampa e giramos o botão, parece até que a área ficou maior e mais clara! É um alívio, mas um alívio apenas temporário... Terminada a lavagem não é bom "esquecermos" a roupa na máquina até o dia seguinte, por exemplo. Muitas roupas se deixadas em contato com as outras assim molhadas poderão manchar. Então, para evitar surpresas desagradáveis, devemos tirar logo a roupa da máquina, assim que terminar de lavar.

Se você tem uma daquelas secadoras grandes, que secam a roupa com ar quente e centrifugação, tem apenas que tomar cuidado com as roupas de lã, que não devem entrar neste tipo de secadora. Seu suéter favorito pode se tornar um casaquinho de bebê... As roupas de lã encolhem muito nesse tipo de secadora. As roupas devem ser retiradas da secadora e dobradas assim que terminar a secagem, pois assim a maioria das roupas não precisarão do ferro de passar.

Mas mesmo quem tem secadora deve preferir usar o varal para estender suas roupas nos dias quentes, se houver espaço e deixar a secadora para os dias frios ou chuvosos. Para estender a roupa no varal, tome cuidado com os pregadores de madeira, que sujam com facilidade as roupas brancas e com os de plástico que podem se quebrar com uma roupa mais pesada (você não quer encontrar sua calça jeans no chão). Devemos estender as roupas escuras na sombra e deixar as claras no sol. Cuidado para não estender roupas embaixo de árvores onde os passarinhos poderão sujar as roupas estendidas. Cuidado também com varais muito baixos se sua casa tem cachorro ou gato. Eles poderão puxar as roupas estendidas para se deitar sobre elas.

Na hora de estender as roupas, procure usar os pregadores na parte mais firme da roupa. Devemos observar também se a roupa irá ficar deformada quando presa aos pregadores. Se isso acontecer, podemos colocar a roupa num cabide plástico e pendurar o cabide no varal ou então secar a roupa estendida sobre uma toalha limpa.

Nunca deixe a roupa ficar na corda ao ar livre de um dia para o outro pois pode chover durante a noite. O ar da noite também é capaz de deixar as roupas úmidas. Então é melhor recolher as roupas ao entardecer e colocá-las em algum lugar coberto se ainda estiverem molhadas. Quando retirar a roupa da corda ou da máquina de secar, use uma bancada para ir dobrando cada peça conforme for retirando os pregadores. Gosto de tirar as roupas de algodão um pouquinho "antes da hora", quando estão ainda meio úmidas, pois é mais fácil de passar. Nesse caso, passe logo estas peças de roupa e guarde nos cabides ou gavetas, mas sempre verifique se o ferro de passar está com fundo limpo. As roupas de algodão ainda úmidas ficam sujas facilmente.

Muitas roupas esticadas e dobradas assim que são retiradas do varal dispensam o ferro de passar. Na hora que estamos dobrando, podemos ver se alguma roupa está com a bainha despencada, sem botão ou com o botão quase caindo ou descosturadas. Essas roupas que precisam de reparos devem ser consertadas logo, antes de voltarem às gavetas, caso contrário, na próxima lavagem seu aspecto vai piorar. O botão quase caindo vai cair de vez, a bainha despencando vai ficar toda despencada e assim por diante.

Quando finalmente a roupa é colocada nas gavetas e cabides... Bem, então está na hora de voltar para o início e começar a procurar roupa suja pela casa, porque com certeza haverá.

Washing Day


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Cofres de Porquinho

terça-feira, 6 de outubro de 2009 by Leila Franca


Piggy bank

Muitas crianças pequenas pensam que os bancos dão dinheiro aos pais. Seria bom se fosse verdade. Toda vez que precisássemos de dinheiro, só teríamos de ir até o banco e pegar mais. É até difícil explicar para estas criancinhas que o banco apenas guarda o nosso dinheiro e que precisamos primeiramente depositar uma quantia para poder então retirar (realmente isso parece não ter muita lógica!) ou que é a empresa onde trabalhamos que deposita uma certa quantidade de dinheiro em nossa conta bancária todo mês.

Pior ainda é quando aquela criancinha que acabou de fazer 4 anos sugere que a gente compre alguma coisa usando o cartão... Aí é mais difícil de explicar! Como dizer que tem cartão de crédito e débito, que temos um limite no cartão de crédito e outro no de débito (que depende de quanto temos no banco), que existem datas melhores e outras piores para usar o cartão de crédito?

A verdade é que apesar de existir um número gigante de crianças vivendo em situação de miséria, há também uma porção de crianças que se diverte gastando o dinheiro dos pais. Antigamente as crianças esperavam o aniversário, o dia das crianças e o Natal para ganhar um presente. Agora, com os shoppings instalados em toda parte, muitas crianças só querem saber de comprar.

As crianças acompanham as novidades através dos anúncios da televisão, enquanto estão assistindo seus desenhos animados favoritos. Elas querem tudo oferecido pelos anunciantes. Alguns pais até evitam passar perto de um McDonalds ou entrar numa loja qualquer se estão acompanhados dos filhos gastadores. Os parentes ficam sem saber que presente levar numa festinha de aniversário, uma vez que as criancinhas aniversariantes já possuem basicamente todos os brinquedos que estão nas lojas.

E quando essas criancinhas se tornarem adultos, saberão economizar? A verdade é que só conseguiremos juntar dinheiro se pararmos de gastar. Não importa o quanto se ganhe, desde o pequeno até o mais alto salário, a nossa riqueza dependerá do quanto iremos guardar. Muita gente diz que só poderá guardar dinheiro no dia que ganhar mais. Isso é uma ilusão, porque quando essas pessoas ganharem mais, irão aumentar seus gastos, suas necessidades se ampliarão e o dinheiro continuará faltando. Devemos guardar nem que seja uma pequena quantia, mesmo se o orçamento estiver apertado.

Por tudo isso, acho que um bom presente para uma criança que tem de tudo é um cofre de porquinho ou outro bichinho qualquer. Que ela aprenda a separar uma moedinha por dia, que aguarde pacientemente o cofrinho encher, que faça planos, que sonhe e realize o que desejar.

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Como dar banho num gato

segunda-feira, 5 de outubro de 2009 by Leila Franca


Os gatos são animais limpos por natureza. Passam o dia se limpando e se você tem mais que um gato, então sabe que um felino limpa o outro nos lugares onde não conseguem alcançar com a língua, geralmente a cabeça e orelhas. A língua do gato parece uma escovinha. Talvez seja por isso que os gatos não gostam de água.

Mas às vezes o banho de verdade, com água e sabão (ou shampu), é necessário. Meu gato Willian Wallace foi jogado na minha casa quando era ainda um bebezinho. Ele estava todo sujo de lixo seco, lama e fezes. Não tinha outro jeito, teve que tomar banho. O pobrezinho deve ter sido jogado no lixo, alguém o pegou e o colocou na minha casa. Ele era mais feio do que tudo. Depois o patinho feio virou um cisne, de tão lindo.

Mas voltemos ao banho. Para dar banho num gato, precisamos começar com os preparativos. Prefira os dias quentes e a hora mais quente do dia. Escolha o lugar onde vai ser o banho. Aconselho um lugar pequeno e fechado, onde ele não possa fugir. O banheiro é o ideal.

Comece preparando o local. Gato é imprevisível. A gente nunca sabe qual será sua próxima reação. Então seja radical e tire tudo, mas tudo mesmo, que possa ser retirado, de dentro do banheiro. Toalhas, escovas, shampu, condicionador, pequenos armários removíveis, cestas, roupa, prateleiras de vidro, tapetinhos, sabonetes, etc. Tire tudo. Deixe o banheiro sem nada dentro. O gato pode tirar uma prateleira de vidro do lugar, quebrar um perfume, molhar as toalhas, escovas, virar lata de lixo, então é melhor prevenir.

Também é bom pegar uma vassoura e varrer o banheiro antes de começar o banho. Às vezes quando a gente tira um tapete fica uma poeirinha embaixo. Essa poeirinha vai virar uma lama se molhar, então é melhor varrer e tirar o lixinho.

Providencie uma bacia, uma caneca para jogar água, o shampu ou sabonete, uma toalha para enxugar o gato depois do banho. Tudo isso antes de começar o banho. Também é importante que você não fique descalço. O gato pode sair andando e fazer xixi no chão enquanto toma banho e você não vai querer pisar no xixi descalço, não é?

Pegue uma bacia e encha de água morna, quentinha, como se você fosse dar banho num bebê. Só depois de tudo pronto é que você vai pegar o gato. Entre no banheiro com ele no colo e feche a porta antes de colocá-lo na água. Se o gato ficar quieto dentro da água (o Willian Wallace fica) vá molhando com a caneca. Cuidado com os olhos e as orelhas do gato. Não deixe entrar água no ouvido nem espuma nos olhos. Dependendo do comportamento do gato na hora do banho, você poderá até dispensar a caneca e usar o chuveirinho do banheiro para tirar o sabão.

Nunca grite ou faça barulho. Vá conversando com seu gato, com a voz suave, que ele vai ficar tranquilo. Os gatos se guiam muito pelo nosso próprio comportamento. Se ele começar a andar todo molhado dentro do banheiro e você se aborrecer, a coisa só vai piorar. Em vez disso, aproveite a hora de ensaboar ou tirar o sabão para fazer carinho e falar bem tranquilamente com ele, que ele vai colaborar.

Acabado o banho, enxugue bem o gato com a toalha. Então agora já pode abrir a porta do banheiro. Gatos não gostam do barulho do secador de cabelo. Também é melhor não mexer em secador enquanto o banheiro estiver molhado, certo? Se for usar o secador, use em outro cômodo da casa.

Deixe seu gato terminar de secar no sol. Depois do banho ele vai ficar cheiroso e brilhando!


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Aconteceu na fila do banco...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009 by Leila Franca


Todo mundo detesta - odeia - fila de banco, certo? Quando "cai o sistema" (como assim???), as pessoas olham umas para as outras com um ar de indignação e ódio total. Dá um vazio, um desespero, parece que ficamos sem chão, sem pai nem mãe de repente.

Além disso, existem aqueles probleminhas irritantes, que parece que só acontecem na nossa vez: aquele cliente que não sai nunca do caixa, parando a fila, nos deixando a pensar: "que diabos essa pessoa está fazendo ali há tanto tempo?!" Ou então é aquela máquina que está sem papel e você tem que pagar uma conta e precisa do comprovante, a máquina com um bilhete escrito à mão por algum funcionário do banco a dizer que está inoperante, a máquina com a tecla afundada, que bate sempre duas vezes o mesmo número e faz você errar sua senha, a máquina que prende o cartão, a que não lê direito, fazendo parecer que você está com um cartão que não lhe pertence. Isso sem falar daquelas máquinas que não leem direito o código de barras e você tem que ficar ali digitando aquele número gigantesco, contando quantos zeros tem que escrever...

Da fila propriamente dita, acho irritante aquelas pessoas que não se movem do lugar quando a fila anda. Todo mundo dá um passo à frente, mas a partir daquela pessoa ninguém mais pode andar. O pior é quando chega o carro forte, com aqueles seguranças que parecem da SWAT e a gente fica com medo de algum assalto bem na hora que a gente está ali.

Bancos com várias filas ficam ainda mais confusos em dia de muito movimento. Tem a fila do "povo" (o usuário que não é cliente do banco), a dos clientes, dos super clientes, dos idosos, do depósito, do cheque... É muita fila.

Alguns bancos já chegaram à conclusão que colocar uma fileira de assentos para os usuários não é tão caro assim e instalaram poltronas no salão. Em muitos lugares, essas cadeiras são apenas para idosos e deficientes físicos, como se uma pessoa de menos de 65 anos não ficasse cansada também. O pior são aqueles bancos que exibem 20 caixas, mas só 2 funcionam (acontece o mesmo em supermercados). Ou quando você vê que 5 operadores estão sentados lá, mas parece que só um de fato trabalha.

Muitas pessoas conversam nas filas dos banco. A conversa geralmente gira em torno de alguma reclamação, pelo menos começa assim, depois o papo fica mais relaxado e muitos acabam até trocando números de telefone. Também tem aquelas pessoas ingênuas que aparecem com a senha escrita em números garrafais num pedaço de papel.

Noutro dia eu estava numa fila enorme no banco e a um metro na minha frente havia um senhor aparentando seus 75 ou 80 anos. Ele era magrinho e enérgico, com os cabelos totalmente brancos e conversava animadamente com algumas pessoas ao seu redor. Eu não conversava com ele, mas prestava atenção à conversa. A fila dos idosos estava praticamente vazia, devia ter apenas uma ou duas pessoas, e a fila onde aquele senhor idoso e eu estávamos era enorme.

De repente, uma pessoa que estava na minha frente perguntou ao velhinho: "Por que o senhor não vai para a fila dos idosos? Está vazia!" E ele respondeu: "Eu não!!! Aqui é o único lugar que eu converso!!! Se eu for pra aquela fila, vou logo embora pra casa!"

E eu fiquei a pensar... Pois é, enquanto a gente reclama da fila, da demora e de tudo mais, exatamente todas essas coisas são importantes para alguém. O único lugar que o velhinho encontrava com quem conversar era na fila do banco que, para ele, era super importante e que não deveria jamais terminar.


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