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Nem tudo são flores

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010 by Leila Franca


Nem sempre deu tudo certo no meu trabalho com as miniaturas. Houve ocasiões em que tudo deu errado. No início, experimentei queimar minhas peças de argila num forno elétrico que meu marido construiu. Eu me lembro que ele tentou usar resistência de chuveiro, mas não aquecia o suficiente. Então arrancou a espiral de cadernos universitários e usou como resistência! E foi com isso que o nosso forno funcionou!

Nós morávamos num apartamento térreo tipo casa e do lado de fora, nos fundos e à pouca distância, havia um quarto que transformei em atelier. Mas eu vivia sobrecarregada com as encomendas, filhos, casa, bichos, de forma que uma noite fomos dormir e quando acordei pela manhã e abri a janela, descobri que o meu atelier inteiro tinha queimado durante a noite! Meu marido tinha esquecido o forno ligado! Perdi todo o material. Tudo estava preto, como carvão! Não deu pra salvar absolutamente nada. Tive de começar tudo de novo, do zero.

Detail view of a log fire in a dark room

Em outra ocasião fui morar temporariamente na casa dos meus pais, mas apesar da casa ser enorme, não havia um lugar onde eu pudesse fazer minhas miniaturas. A casa tinha sido recém construída, tudo era novo, mas ainda havia, nos fundos, o barracão da obra, que meu pai havia feito num terreno vizinho. Com o final da construção, o barracão ficou abandonado no matagal. E foi ali que fiz meu atelier improvisado.

De vez em quando eu era surpreendida por mosquitos, formigas, grilos, bruxas, morcegos, mariposas enormes, se bobeasse tinha até cobra ali, pois durante a construção meu pai matou várias. Encontrou até um gambá! Então, depois que meus filhos iam dormir, lá ia eu pro meio do mato fazer miniaturas no atelier-barracão e ficava lá até a madrugada. Era desconfortável, mas era o que eu tinha.

Uma noite, quando eu estava terminando uma série de peças, começou uma ventania. Uma tempestade forte estava vindo. Comecei a tampar as tintas, guardar as miniaturas em caixas, limpar os pincéis pra poder guardar, mas o vento ficou mais forte, raios, trovões! Larguei tudo e corri pra dentro de casa. Um minuto depois, o barracão simplesmente desmoronou! Caiu! E tudo que eu tinha foi destruído!

Low angle view of a cloudy sky

Depois disso fiquei um tempão sem fazer as miniaturas. Parecia que eu estava forçando demais a barra. Mas uma vez parecia que a sorte voltou a me fazer companhia. Eu estava em Boston e um dia tentei explicar a uns amigos americanos como eram as miniaturas que eu fazia. "Por que você não faz umas e traz pra gente ver?", sugeriram. E foi assim que improvisei também um atelier lá em Boston e comecei a vender miniaturas naquela cidade.

Fiz tantos contatos, que acabaram me convidando para expor meus trabalhos no Museu de Sommerville (por um dia apenas). Fiquei super feliz. O problema é que na noite da véspera da exposição houve uma tremenda tempestade de neve! Ventava tanto que a neve passava pela janela na horizontal.

Urban Traffic in the Snow

"Pronto! Ninguém vai a exposição nenhuma!", pensei. Mas sem perder a linha, lá fui eu pra minha própria exposição, sozinha, como sempre. O museu era meio contra-mão: longe pra ir a pé e perto pra ir de carro. Resolvi ir à pé (não tinha limosine branca não..). Chapéu de feltro na cabeça, vários casacos e por cima de tudo um casaco lindo de camurça marrom, que eu tinha comprado para a ocasião. Mas foi só eu dar 3 passos na rua e um pombo fez cocô no meu braço! Destruiu meu casaco!

Fui xingando, resmungando sozinha! Estava tão frio que eu não aguentava nem fumar! Como eu pensei, o museu vazio, ninguém. Quem vai sair de casa num frio desse? Mas meia hora depois, o museu encheu de gente!!! Só descobri o mistério da chegada repentina de tanta gente quando fui fumar do lado de fora. O museu ficava em frente de uma igreja! No final de cada missa, todos os fiéis atravessavam a rua e entravam no museu!

Acho que fui salva pela fé!

Winter church scene




19 comentários:

  1. Gookz
    22 de fevereiro de 2010 23:45

    a gente tem que passar por tudo
    essas etapas trazem boas lições!!!

  1. Gernain
    22 de fevereiro de 2010 23:47

    Olá amiga Leila,
    depois da história com policiais você conta todas essas aventuras? Uma coisa é certa: você não pode reclamar de ter uma vida chata, não é mesmo?
    Já viu gambá, ja teve incêndio, já passou por tempestade e geada e até teve um milagre!
    rsrsrsrs

    Um abraço,
    Gernain.

  1. LISON
    22 de fevereiro de 2010 23:49

    Saudações!
    Que Post Fantástico!
    Amiga LEILA, eu adoro ler os seus fascinantes textos. Realmente, amiga, a vida sempre nos apresenta seus ciclos, e graças a Deus você foi salva pela Fé!
    Você é uma pessoa iluminada!
    Parabéns por mais um excelente Post!
    Contagiou. Mexeu. Valeu.
    Abraços,
    LISON.

  1. Geraldo
    22 de fevereiro de 2010 23:51

    Olá Leila,

    Acho que só nossa fé inabalavel pode vencer todas as adversidades. Por isto Leila tu é uma vencedora. Parabéns

    Abraço

  1. Levi Ventura
    22 de fevereiro de 2010 23:59

    Terminei de ler o relato com um sorriso no rosto.
    Mas essa história dos ateliers destruídos é muito sinistra. Ainda bem que tudo ficou bem.

  1. Anônimo
    23 de fevereiro de 2010 00:43

    NOSSA LEILA VOCE DEU UM EXEMPLO BONITO DE FÉ E IMPERSISTENCIA,E NUNCA DESISTIR DE UM OBJETIVO E ISSO AI AMIGA QUE DEUS TE ABENÇOE AINDA MAIS UM GRANDE BJO

  1. MARIA COSTA
    23 de fevereiro de 2010 00:58

    Oi amiga Leila!
    Adoro ler suas histórias, com certeza você é uma guerreira e bem, determinada, nao desiste com facilidades.Tambem sou assim como você já passei por poucas e boas, mas sempre vou atrás do que quero, e procuro levar esses dias que não são flores como aprendizado, pois como uma boa brasileira, não desisto nunca.
    Bjs

  1. dalton assis
    23 de fevereiro de 2010 03:19

    Olá amiga

    Gostei do seu post, parabéns e juro que quando vc citou que havia muita neve em Boston e não tinha como sair de casa, bateu uma baita de uma raiva pq pensei '' mais será que não vai dar certo de novo''

    mais me animei e fiquei feliz e pode ter certeza foi a fé mesmo pois quando nos perseveramos conquistamos pode demorar mais consiguimos nosso objtivo continue assim


    Abraços
    Dalton Assis

  1. arte-e-manhas-arte
    23 de fevereiro de 2010 07:20

    Leila!

    Ai amiga, que bom! Já estava aqui a imaginar um vento ciclónico, cheio de flocos de neve, a estilhaçar janelas e a entrar sem convite no Museu! rsrsrsrrs

    Confesso que estou aliviada. Nada como um pouco de fé e fiéis também!

    Linda crónica.

    Beijocas
    Luísa

  1. Edegard
    23 de fevereiro de 2010 13:25

    Ola Amiga
    Que sina heim? As miniaturas não têm valor, são puras raridades e haja contratempos assim.Rssss.Aqui cabe perfeitamente o provérbio " água em pedra dura tanto bate até que fura".
    Parabéns pela linda matéria

  1. Edvalter
    23 de fevereiro de 2010 14:27

    Lindo trabalho e exemplo de perseverança Leila. Por isso você é tão especial. Parabéns!!

  1. Valéria Braz
    23 de fevereiro de 2010 15:18

    Como sempre belas histórias amiga.... adoro todos os seus trabalhos...mas afirmo que escrever ainda é o seu dom supremo! Olha só, ouça todo o universo conspirando a seu favor.... comece a pensar no seu primeiro livro....KKKKKKKKKK... já sei, não vou começar com esta história de novo!
    Beijo no coração

  1. Lilian
    23 de fevereiro de 2010 15:29

    Olá querida amiga Leila,

    Parabéns pela linda história de um pedacinho de sua vida. E que vida, heim? Tantas ciladas e emoções mescladas, que tornam essa vivência, uma extraordinária experiência de fé e perseverança.

    Adoro a beleza e leveza de seus contos.

    Carinhoso e fraterno abraço,
    Lilian

  1. Cris Travassos
    23 de fevereiro de 2010 16:48

    Leila,

    A tua perseverança demonstra a mulher forte que és. Essa fé que você tinha no seu trabalho, fez tornar realidade os sonhos.

    Beijocas

  1. Fernando Monção
    25 de fevereiro de 2010 03:54

    Que lição, concordo com você... fé!
    Abração e obrigado pela visita lá na cidade da leitura, ok?

  1. Eu, sem clone
    25 de fevereiro de 2010 05:34

    Que bela historia de sucesso, Leila! Qdo meu pai era jovem, no dia do seu aniversario um urubu fez coco no braco dele. E eleteve muito sucesso na vida. Claro que por seu esforco proprio pois acredito que a sorte depende de como voce encara a vida. Achei interessante a comparacao q vc fez entre o nome da Sumieee e a palavra someiller q sua avo dizia... bj

  1. Eu, sem clone
    25 de fevereiro de 2010 05:50

    Ih, desculpe. A palavra q eu queria me referir eh sommier e nao someiller. bj

  1. P.Jr
    27 de fevereiro de 2010 09:50

    Duvidas ou Dividas que foi a mão de Deus!? haususa

    Gostei do blog e das miniaturas também(manda uma pra mim *_* hsuahu) xD

    Vou seguir.

    Fique com Deus...abraçu o/

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