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É tudo a mesma coisa

terça-feira, 30 de março de 2010 by Leila Franca


O Rio de Janeiro é um lugar quente de derreter, mas o curioso é que à menor chuvinha todos correm para vestir casacos e blusas de manga comprida! Mas é engraçado que nos lugares de clima muito frio, onde as pessoas vestem casacos sobre casacos o ano quase todo, basta que a temperatura suba pouca coisa acima de zero para que todos vistam shorts, sandálias e bermudas.

É tudo a mesma coisa! Qualquer que seja a nacionalidade, ser humano é ser humano, não tem jeito. Até a inadequação é a mesma.

Quando eu morava em Hyde Park me divertia muito sozinha encontrando semelhanças e diferenças entre aquele lugar e o bairro que sempre vivi no Rio de Janeiro. Uma das coisas que observava era o carteiro.

Mailman delivering valentine

O carteiro de Hyde Park era um homem magrinho e seu uniforme era o que me deixava curiosa. Num lugar frio como aquele, onde ninguém podia nem ao menos abrir as janelas durante 8 meses no ano, o uniforme do carteiro era parecido com o dos escoteiros mais jovens, os "lobinhos". Aquela camisinha fina azul clara, quase gelo (gelo!!!) e uma bermuda também azul num tom um pouco mais escuro, mas ainda claro.

Eu vestiria aquela roupa em pleno verão! Quando o carteiro vinha ao longe, sua figura esbelta quase se confundia com a paisagem. Tiritando de frio, ele ia de casa em casa cumprindo sua missão.

Elevated view of letters in a mailbag

Eu ficava lembrando do carteiro gordo que subia a ladeira da minha rua no Brasil. Às 3 da tarde, lá vinha ele bufando, subindo a ladeira com o sol de 39 ou 40 graus a lhe cozinhar os miolos. O suor lhe descia pela testa e pingava no queixo.

Acredito que a calça comprida azulão e a camisa amarelo ouro, da cor do sol, lhe aumentava a sensação de calor. Ele era o próprio sol ambulante a visitar todas as casas numa hora que ninguém queria estar na rua.

an array of envelopes from the mail

Tudo isso me levava a pensar que é tudo a mesma coisa. Só o que muda é o mapa. A geografia. Em qualquer lugar nos deparamos com os mesmos problemas. Um ou outro é que são diferentes. Claro, fazem uma enorme diferença muitas vezes. Mas se um lugar não tem um determinado problema, então tem um outro, que o primeiro não tinha. Mas a grande maioria dos pequenos entraves do dia a dia são exatamente os mesmos. É tudo a mesma coisa!

13 comentários:

  1. paulo
    31 de março de 2010 às 12:02

    E verdade, tudo é a mesma coisa mesmo, foi como voce disse ser humano é ser humano isso nao muda, abraços.

  1. Anônimo
    31 de março de 2010 às 12:21

    É isso Leila, os seres humanos são seres humanos estejam onde estiverem! O comportamento aparente só difere nas regras sociais, mas no fundo é tudo a mesma coisa! :)

    Beijos
    Luísa

  1. J.R. Fernandez
    31 de março de 2010 às 12:36

    Oi Leila querida!
    Adorei o texto e a percepção que propuseste.
    Concordo contigo que, independente de onde estamos, os problemas cotidianos são os mesmos. Apenas ocorrem pequenas variações devido ao contexto geográfico.
    Mas quanto aos carteiros enfrentando o frio e calor, me faz sempre lembrar o quanto adoro o frio... nada contra o nosso Brasilzão, mas adoro dias frios e com neve. :-) rs
    Beijos no coração, Fernandez.

  1. Dieguito
    31 de março de 2010 às 14:12

    legal a sua visão em relaçao ao que relatou no texto. reparou como tudo é previsível? Mudanças ocorrem quando um ser meiokilouco resolve inovar ou fazer diferente.
    Queria ver a cara do povo vendo um carteiro no RJ fazendo entrega de correspondencias pelo litoral trajando boné, oculos escuro, short de praia e camiseta regata e a cara cheia de bloqueador solar.
    q tal?
    ahahaha

  1. Gisela Barbosa
    31 de março de 2010 às 14:52

    Oi, Leila! Como sempre, um texto delicioso de se ler. Beijos!

  1. Valéria Braz
    31 de março de 2010 às 15:19

    Leila, sabe que ainda não tinha pensado nisto? Na verdade, tirando a variação de cultura e geografia, os problemas cotidianos são iguais, na verdade os sentimentos que realmente fazem a diferença no coração do ser humano é igual, igualzinho em qualquer parte do mundo!
    Beijo no coração

  1. LISON
    31 de março de 2010 às 16:02

    Que Post Fascinante!
    AMIGA LEILA, gostei muito da sua análise, e o melhor, é que a leitura está correta. Realmente só muda o ambiente, o cotidiano permanece representado pelos atores nos tempos tendem a permanecer.
    Parabéns por mais um excelente post!
    Abraços fraternos,
    LISON.

  1. Isabel Ruiz,
    31 de março de 2010 às 16:20

    Oi Leila. Adorei o texto.
    Gosto desses convites à observação. Estamos sempre correndo de um lado para o outro e deixamos passar situações interessantes do nosso cotidiano.
    Parabéns,
    Beijos
    Bel

  1. Educação Ativa
    31 de março de 2010 às 16:31

    QUE ENGRAÇADO!, HOJE MESMO AQUI ONDE MORO"BLUMENAU", ESTÁ UM CALOR DE RACHAR , E NÃO FAZ NEM DEZ MINUTOS QUE EU ESTAVA COMENTANDO COM O CARTEITO, "EU ODEIO ESTE CALOR ,VDEVERIA TER NASCIDO NO CANADÁ"... LOGO EU, QUE SOU ALÉRGICO A FRIO?
    A VERDADE É QUE COMO DISSE A IRMÃ "IMAELITA" EM SEU MAISD RECENTE POST, QUE RECLAMAMOS DE TUDO NÉ?
    MAS ENFIM ISTO FAZ PARTE DO CARÁTER DO SER HUMANO, E É GRAÇAS A ESSA FALTA DE "ACOMODAÇÃO, QUE O SER HUMANO, DIA APÓS DIA TEM TRANSFORMADO O MUNDO, NUM LUGAR MELHOR PARA VIVER.
    JÁ IMAGINOU SE THOMAS EDSON, SE CONTENTASSE EM LER SEUS LIVROS SÓCOMO UMA VELA EM VEZ DE UMA LÃMPADA? E SE O SENHOR STARLEY, NÃO TIVESSE AGENIAL IDÉIA DE COLOCAR PEDAIS NA BICICLETA?.. COITADO DO CARTEIRO.
    QUANTO AS SITUAÇÕES DOS DOIS CARTEIROS, EU POSSO DIZER DE BOCA CHEIA QUE SÃO MUITO MAIS CONFORTÁVEIS QUE A MINHA kkkkkkkkkk, AFINAL NÃO SÃO POUCAS AS VEZES EM QUE SAIO DE UMA COZINHA COM 60 GRAUS POSITIVOS, E ENTRO EM UMA CÃMARA ,COM 18 NEGATIVO.
    É VIDA DE CHAF NÃO É FÁCIL NÃO.....OLHA SÓ EU AQUI RECLAMANDO OUTRA VEZ.
    FELICIDADES,PAZ E SUCESSO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  1. "ƤāƤѲēƭāƨ"
    31 de março de 2010 às 17:06

    Olá Leila!

    Gostei muito do texto!
    Adorei a indicação e a conclusão genial. Realmente andamos oposto aos nossos semelhantes.

  1. Ebrael
    31 de março de 2010 às 19:29

    Leila,

    Seja bem-vinda de volta, eu, atrasildo a te saudar!!

    Bem, as bizarrices como essa, diria peculiaridades, são realmente as mesmas em todo o mundo. Gente insatisfeita e inconformada, sei lá.

    Há outras, entretanto, que em alguns lugares do mundo se sobressaem mais que em outros. Nenhum povo do mundo supera o "jeitinho" brasileiro de ser corrupto e cara-de-pau, ninguém supera a capacidade do alemão de tomar cerveja quente a arrotar de orgulho por isso e ninguém supera a capacidade do americano de, por séculos já, continuar a gostar de fazer guerras.

    Ótimo te reencntrar!

    Bjs!

  1. RobMaia
    31 de março de 2010 às 20:41

    Belíssimo texto, Leila. E, do começo ao fim, é tudo verdade. Em essência, somos todos iguais, aqui ou na China. Agora, não posso deixar de destacar a poesia que vi no seguinte trecho de seu texto:

    'Ele era o próprio sol ambulante a visitar todas as casas numa hora que ninguém queria estar na rua.'

    Que maravilha, isso.
    Beijos.

  1. Rumquatronove
    12 de abril de 2010 às 02:58

    Com toda certeza,mapeando-se e "geograficando-se",em qualquer lugar do mundo,aos nossos humanos olhos, mudar-se-ão paisagens;mas ao coração,lá estarão fixas nossas cores,sons,vontades...Obrigado Leila,por fazer com que eu me proporcionasse asssim,mais uma vez,em tua forma...

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