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Anos atrás, quando não tinha internet, eu gostava de me corresponder com pessoas de outros países através de cartas, pois sempre fui curiosa em relação à culturas diferentes. Cheguei a ter cerca de 60 correspondentes espalhados pelo mundo.
Mas quem começou com essa história na minha casa foi a minha irmã. Ela se correspondia com uma garota alemã. Na época, ainda havia o muro de Berlim e a menina morava do lado de lá do muro, ou seja, na Alemanha Oriental, a antiga DDR.
É lógico que naquele tempo, quando tudo parecia envolvido em grande mistério, tínhamos uma curiosidade incrível em saber como era a vida do outro lado da cortina de ferro e a garota gostava de contar como eram as coisas por lá.
Eu me lembro que uma vez a menina foi passar as férias de verão na antiga União Soviética, a URSS. A família foi para uma cidade litorânea e levaram até um barco, mas chegando lá, mesmo sendo verão, a temperatura estava abaixo de zero e, com tudo congelado, não puderam usar o bote.
Nessas alturas, eu também já começava a ter meus correspondentes e estávamos sempre olhando a caixinha de correio pra ver se haviam cartas. Porém, um belo dia, encontramos uma espécie de aviso dos correios para comparecer a uma agência. O motivo era uma "carta dilacerada de Moscou". Tomamos um susto! Que diabos era aquilo? Minha irmã foi à agência dos correios e lá recebeu uma carta que havia sido rasgada no caminho.
Tive oportunidade de ver a tal carta. Não era uma carta comum, de papel branco e escrita à mão. Na verdade, era um papel enorme, que à primeira vista parecia um mapa! Haviam figuras de alguns satélites soviéticos e de tanques de guerra. Tudo escrito em russo. Era um negócio de respeito! Sendo isso nos tempos da guerra fria, a tal carta ganhou um clima digno dos filmes de 007.
Entretanto, apesar das aparências, o tal "mapa" era apenas o prospecto de um museu, possivelmente um museu da ciência, que a menina havia visitado nas férias. E eu, com a minha fértil imaginação, ficava a fantasiar algum agente soviético inspecionando a carta enquanto ela ainda transitava por aquelas terras geladas.
Mas é incrível como tudo se vai. A grande união das repúblicas soviéticas se dissolveu. O muro de Berlim caiu. A cortina de ferro se abriu. A guerra fria se dissipou no ar. E o que hoje é tão importante, também passará.
"Alô pessoal!
A minha filha Leila nos mostrou (para mim e a irmã) na tela do computador, as palavras gentis e incentivadoras que vocês escreveram sobre a nossa opção de morar na Região dos Lagos (Saquarema).

Além do jardim, cujas flores vocês apreciaram, plantei árvores frutíferas em grande quantidade, que já deram frutas deliciosas e ainda vão dar. Banana, acerola, mamão, maracujá, amora, figo, fruta de conde, cana, goiaba, romã e côco. Ainda espero colher as frutas das mudas mais novas: laranja, sapoti, tangerina, caqui e abacate.

Sou idosa, tenho uma bisneta de 5 anos, linda, chamada Isabela. A irmã de Leila, Lúcia, que mora comigo, cuida dos animais: a égua Mimosa, o gato Cebolinha, o cachorro Príncipe e aves (galo e galinhas).

É tudo muito simples em contato com a natureza. Temos aqui um pé de ipê, seis pés de bouganville, flamboyant, patas de vaca, acácia imperial, papoulas, roseiras etc. Estas árvores estão muito altas! Fiz um caramanchão para os bouganvilles.

Tomamos café da manhã sentadas na varanda, ouvindo o canto dos passarinhos e apreciando o beija-flor pousando nas flores. Tenho 4 redes: duas na varanda e duas no terraço. Perto do portão, num poste, há uma casa de joão de barro; sanhaços azuis comem os mamões, bandos de quero-quero barulhentos voam em alegria! Alguns partais e juritis fazem ninhos nas árvores e sem medo comem farelo de pão no piso da varanda e bebem água dos viveiros. Na rede do terraço, à tarde, apreciamos o pôr-do-sol. Lindo! As gaivotas voam formando um V lá para os lados da lagoa e do mar.
Aqui passam vaqueiros levando a boiada, pois pertinho de nossa casa há uma fazenda com muitos eucaliptos enormes. É uma bênção respirar o ar puro, o cheiro do mato, ao cair da tarde e o céu muito estrelado à noite.

Temos teto solar para poupar energia. A água já temos em abundância, temos cisterna e poço: água potável tratada da empresa de Jurtunaíba, sendo assim temos conforto, telefone fixo e celular, tv a cabo e parabólica, Lúcia tem um computador, internet banda larga. Eu escrevo muito, mas à antiga.
Abraços para vocês e obrigada pelas palavras de carinho e apoio.
Evangelina e Lúcia.
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- Rio de Janeiro, RJ, Brazil
- Escritora freelance, arquiteta, escultora, pintora,miniaturista, professora... a cada dia descubro mais sobre mim.
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