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Tudo se vai...

quarta-feira, 19 de maio de 2010 by Leila Franca

Anos atrás, quando não tinha internet, eu gostava de me corresponder com pessoas de outros países através de cartas, pois sempre fui curiosa em relação à culturas diferentes. Cheguei a ter cerca de 60 correspondentes espalhados pelo mundo.


Mas quem começou com essa história na minha casa foi a minha irmã. Ela se correspondia com uma garota alemã. Na época, ainda havia o muro de Berlim e a menina morava do lado de lá do muro, ou seja, na Alemanha Oriental, a antiga DDR.

UPI POY 2009 - News and Features.

É lógico que naquele tempo, quando tudo parecia envolvido em grande mistério, tínhamos uma curiosidade incrível em saber como era a vida do outro lado da cortina de ferro e a garota gostava de contar como eram as coisas por lá.

Eu me lembro que uma vez a menina foi passar as férias de verão na antiga União Soviética, a URSS. A família foi para uma cidade litorânea e levaram até um barco, mas chegando lá, mesmo sendo verão, a temperatura estava abaixo de zero e, com tudo congelado, não puderam usar o bote.

woman writing letter

Nessas alturas, eu também já começava a ter meus correspondentes e estávamos sempre olhando a caixinha de correio pra ver se haviam cartas. Porém, um belo dia, encontramos uma espécie de aviso dos correios para comparecer a uma agência. O motivo era uma "carta dilacerada de Moscou". Tomamos um susto! Que diabos era aquilo? Minha irmã foi à agência dos correios e lá recebeu uma carta que havia sido rasgada no caminho.

Tive oportunidade de ver a tal carta. Não era uma carta comum, de papel branco e escrita à mão. Na verdade, era um papel enorme, que à primeira vista parecia um mapa! Haviam figuras de alguns satélites soviéticos e de tanques de guerra. Tudo escrito em russo. Era um negócio de respeito! Sendo isso nos tempos da guerra fria, a tal carta ganhou um clima digno dos filmes de 007.

Spy taking photos with mini-camera in conference room

Entretanto, apesar das aparências, o tal "mapa" era apenas o prospecto de um museu, possivelmente um museu da ciência, que a menina havia visitado nas férias. E eu, com a minha fértil imaginação, ficava a fantasiar algum agente soviético inspecionando a carta enquanto ela ainda transitava por aquelas terras geladas.

Mas é incrível como tudo se vai. A grande união das repúblicas soviéticas se dissolveu. O muro de Berlim caiu. A cortina de ferro se abriu. A guerra fria se dissipou no ar. E o que hoje é tão importante, também passará.


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