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Que tombo!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010 by Leila Franca

Não tem nada pior do que tomar um baita tombo no meio da rua. A gente nunca sabe como foi que aquilo aconteceu. De repente a gente se vê no espaço! É impossível parar. Parece que por um momento a gente entra num mundo de sonhos e imagens abstratas e em seguida está no chão.


Woman falling down stairs

Eu vivo dando bico nas calçadas. Não sei se o problema está no meu andar ou se o calçamento é que está ruim. Será que devo andar marchando que nem aqueles soldados que levantam a perna até quase a altura da cintura?

Guards of honour march before a wreath-laying ceremony at the Tomb of the Unknown Soldier by the Kremlin wall as a heavy smog shrouded the capital in Moscow, August 6, 2010. REUTERS/Alexander Natruskin (RUSSIA - Tags: ENVIRONMENT MILITARY SOCIETY)

O tombo mais memorável que já tive foi uma vez que caí duas vezes no mesmo dia no mesmo lugar! Nunca ouvi ninguém dizer que isso também lhe aconteceu. Eu estava andando rápido em direção ao banco. Daqui a pouco, ao passar por uma parte esburacada da calçada, não teve jeito: caí e caí feio! Ralei os dois joelhos e as duas palmas das mãos. Que raiva!

Me levantei e continuei meu caminho. Fui pensando que toda vez que passasse naquela calçada iria prestar mais atenção. Eu estava com pressa porque tinha deixado o carro num local onde é proibido estacionar. Mas eu não ia demorar nada! E assim fui ao banco em 15 minutos.

Visitor's Parking Stall in Parking Lot

Na volta, estava atravessando a passarela, quando vi um verdadeiro comboio de guardas municipais e até dois reboques indo em direção da rua que meu carro estava estacionado! "Nãããããããooooo!!!!".

Businesswoman running

Esqueci completamente da calçada esburacada e saí correndo pra tirar meu carro daquele local onde era proibido estacionar antes que os guardas municipais chegassem! Do alto da passarela eu podia ver os carros se aproximando! Mas não fui muito longe. Ao chegar exatamente no ponto onde havia caído na ida, me esborrachei de novo no chão!!!

Era um verdadeiro ultraje! Eu queria chorar! Minhas mãos já machucadas ficaram em pior estado e dessa vez ralei até a cara no chão!!! Por ironia do destino, um guarda municipal me ajudou a levantar! No final o comboio tomou outro rumo e os guardas não viram meu carro.

E você, meu caro leitor, já tomou um tombo daqueles que não dá pra esquecer?


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Onde está você?

quarta-feira, 12 de maio de 2010 by Leila Franca

Todas as manhãs, quando acordamos, já temos em mente o que pretendemos fazer naquele dia, onde devemos ir ou estar. Mas nem sempre as coisas acontecem conforme planejamos. Muitas vezes me pego a pensar nos acontecimentos do acaso que simplesmente nos tiram do curso que deveríamos ter seguido e nos colocam em outro lugar.


Lembro de um dia que eu tinha que ir ao médico na Tijuca - bairro de classe média do Rio de Janeiro. Não estava acostumada a ir neste bairro e por isso, dei uma olhada no mapa antes de sair de casa. Memorizei o itinerário e fui. Mas quando cheguei na Leopoldina - onde há um emaranhado de viadutos, entrei numa pista errada que me fez parar no outro lado da cidade. Assim, às 9h da manhã, quando deveria estar entrando no consultório, lá estava eu deslizando ao redor da Lagoa Rodrigo de Freitas e admirando o Corcovado! Me peguei pensando: se algo me acontecesse, ninguém sabia que eu estava ali.

Traffic on cloverleaf overpass, aerial view

Ainda ontem, voltando pra casa, pretendia ir até o supermercado, mas uma luz vermelha no painel do meu carro acendeu. Parei o carro e fui ver o que era. Vi a correia do alternador pendurada. Tinha saido do lugar. Fui numa loja de baterias de havia perto e um funcionário veio me ajudar. "Esta correia está gasta, é melhor comprar outra", ele disse. Em seguida, se ofereceu pra me levar até uma outra loja para comprar uma correia nova. Fomos.

Assim, de repente, eu, que ia ao mercado, me vi dentro do carro de um rapaz que nunca tinha visto na vida indo a um lugar que não tinha planejado. "Ninguém sabe que estou aqui", pensei. No final deu tudo certo. Com a correia nova no lugar, voltei para casa.

Jigsaw Puzzle with a Missing Piece

Acho muito importante avisar às pessoas próximas onde estamos e onde pretendemos ir. Mesmo quando eu estava no exterior, telefonava para dizer onde ia, ainda que não conhecessem o lugar: "Vou a Plymouth", "Estarei em Granby".

Sempre fiquei admirada, impressionada - assombrada até com histórias de pessoas desaparecidas. Será que é assim que elas se vão? Algo as tira do caminho que pretendiam seguir ou elas desaparecem por vontade própria?

A verdade é que muita gente não gosta de dizer aos familiares onde pretende ir. Pensam que não precisam "dar satisfação". Muitos até viajam pra longe sem comunicar à pessoa alguma. Acredito que não deve ser assim. Até mesmo para fazer uma caminhada na praia, eu deixo um bilhete.


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Dirigindo a própria vida

sábado, 8 de maio de 2010 by Leila Franca


Anos atrás li em algum lugar sobre uma coisa curiosa: quando nós falamos da nossa casa ou do nosso carro estamos falando de nós mesmos. Pra mim, isso foi uma descoberta interessantíssima, que me fez pensar em muito do que eu já havia dito a respeito da minha casa ou do meu carro.

Woman sitting on hood of car, beach in background

Não importa o ano ou a marca do carro. Minha mãe, por exemplo, tem um fusquinha que ela gosta tanto, que beija o volante dele de vez em quando! Uma vez também, quando voltei de viagem, abracei o Escort que eu tinha na época. Será que isso estaria relacionado com a auto-estima? É lógico que a maioria não abraça nem beija o seu carro, mas passa horas dando brilho ou conversa com o carro, como se falasse consigo mesmo.

É curioso notar que o ato de dirigir estaria relacionado com o ato de dirigir a própria vida. Os homens se acham os melhores na direção e é fato que existem muitas piadas em torno da mulher ao volante. Ora, durante séculos da história da humanidade a direção sempre foi uma incumbência masculina. O homem dirigia o clã, a família até exércitos e países. A mulher passou a dirigir e ocupar as mesmas funções que o homem bem dizer há pouco tempo. Entretanto, a cada dia, mais e mais mulheres estão dirigindo, não só seu próprio carro como todo o resto.

Young woman driving car, smiling, side view

Existem também detalhes curiosos: eu, por exemplo, detesto ocupar o banco do carona. Não gosto que "me dirijam", ou seja, prefiro eu mesma dirigir não só o carro como também a própria vida. Mas muita gente, homens e mulheres, preferem que a direção fique nas mãos de outra pessoa. Não acho ninguém melhor ou pior por causa disso; é apenas uma maneira que temos de nos conhecer melhor.

É interessante observar também nossa reação quando o carro apresenta problemas. Todo carro acaba tendo um problema, nem que seja um pneu furado. E o que a pessoa faz? Conserta logo, amarra um barbante, evita dirigir ou prefere não ter carro justamente para não ter que lidar com os problemas?

Man leaning on car with bonnet open at roadside

Outro detalhe que me faz pensar é o que sentimos quando precisamos dirigir o carro de outra pessoa. Eu não me sinto à vontade e prefiro não dirigir. E em relação a outra pessoa dirigindo o nosso próprio carro? O que sentimos?

O que a gente carrega dentro do carro de um lado pro outro também fala muito de nós. Carros cheios de ferramentas, de brinquedos, papéis, roupas... tem até carro sem nada dentro. O que há dentro do seu carro?

Man putting suitcases into boot of car, side view

O que eu acho interessante é que podemos tentar nos conhecer melhor através dessa analogia. Nem sempre é fácil ver a si próprio. A mesma coisa se aplica quando falamos da nossa casa, mas sobre isso vou deixar pra falar depois.



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Tem gente que faz tudo devagar...

sexta-feira, 2 de abril de 2010 by Leila Franca


Francamente, não sei se sou eu que faço tudo correndo ou se tem muita gente que faz tudo devagar... Essa semana tinha de fazer mil coisas e pra começar precisava chegar rápido ao banco, mas logo de saída peguei um sinal fechado. Só havia um carro na minha frente, mas quando o sinal abriu, o cara ficou lá parado... Dei um leve toque na buzina e finalmente ele começou a se mover.

Close up of a red 'stop' traffic light

Não havia ninguém na rua até perder de vista, mas o motorista adiante andava a menos de 40 km/h. A pista estreita de mão dupla estava movimentada no sentido contrário. Não dava para eu ultrapassar. "Mas que sujeitinho!" Ainda bem que eu ia dobrar à direita! Mas quando coloquei a seta, vi que o cara colocou também!!!

Quando faltava uns 30 metros para virar à direita, ele foi reduzindo mais ainda sua velocidade. Uns dois metros antes de virar a curva, quase parou! "Caraaaaaaaaaaaaaaca!!!" - eu gritei dentro do carro! Já estava quase batendo na traseira do sujeito!

a young female driver stuck in traffic jam

Ainda teve um quebra-mola antes de eu virar a esquerda e me ver livre da lesma. Mas minha alegria durou pouco. Na minha frente, na rua estreita atrás do hospital, um carro parado no meio da rua e o motorista conversando com um pedestre. Parei atrás dele e vi que um pediu um cigarro para o outro, fazendo um gesto com os dois dedos em "V". O pedestre começou a mexer nos bolsos procurando os cigarros... "Mas que cara de pau!" Buzinei bem alto. O cara andou. Em seguida, mais um sinal fechado."É hoje que não chego em lugar nenhum!"

Close-up of a human hand pressing the horn of a car (blurred)

Naquela rua cabem dois, mas os carros faziam fila única e desengonçada bem no meio. Fui pelo cantinho da direita, quase subindo no meio fio e passei a frente de todo mundo. "Pooooooooooô! Até que enfim!" Mas minha alegria durou pouco. Logo em seguida tinha um radar. Lá fui eu em terceira, a menos de 40 km/h...

Saí da cobertura do radar e "voei" até a primeira curva à esquerda, onde um carro estava saindo de cima da calçada de ré bem na minha frente. Tive que parar. Ele seguiu em frente, devagar... Era um carro novinho, prata. Mas ia lentamente pelo meio da rua. Não adiantava tentar ultrapassá-lo pela direita, pois tinha um caminhão parado logo à frente. Fui atrás do "bonitão". Assim que passamos o caminhão, lá fui eu ultrapassando pela direita, mas o sinal fechou.

Traffic cones, close-up

Assim que o sinal abriu, saí correndo, mas avistei cones laranja e os garis cortando a grama do canteiro da direita. À esquerda um carro saía do posto de gasolina, devagar. Tive que fazer um "S" ao contrário e passei a frente de todo mundo. Finalmente sinais abertos e as pessoas atravessando na frente dos carros assim mesmo. Liguei o farol alto e os pedestres correram pra calçada.

Estacionei, fui no banco (vazio!) e fui carregar o cartucho da minha impressora. A garota me olhou com cara de sono e perguntou: "Vai esperar?"


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Urucubaca não me atinge!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010 by Leila Franca


Essa semana, meu filho foi pra faculdade dirigindo meu carro, mas uma meia hora depois que ele saiu o telefone tocou: "Mãe, a embreagem do carro está fazendo um barulhão e agora nenhuma marcha entra!". Lá fui eu procurar telefone de reboque e telefonar pra oficina pra avisar que o carro ia chegar lá.

Man pressing car pedal, close-up, low section

Curiosamente, meu filho me contou que enquanto esperava o reboque, o pneu dianteiro do carro foi esvaziando, até que arriou totalmente! Furou o pneu com um prego na mesma hora que a embreagem escangalhou??? Lá se foram 80 reais de reboque e 781 reais de oficina! Que começo de semana!

Mas não parou aí. No dia seguinte fui numa lojinha comprar ração para os gatos. É uma ruazinha apertada, que os motoristas insistem em estacionar em ambos os lados, de modo que só passa um na rua de mão dupla. Quando vêm dois carros de lados opostos, um deles tem que dar marcha ré para o outro passar... Por isso, quando vi que não vinha ninguém saí correndo, já vendo uma vaga bem na frente da loja que eu queria ir!

Mas um quebra mola me fez reduzir e eu já estava colocando o carro na vaga, quando vi que vinha em minha direção, uma pobre mulher empurrando uma carroça e pelo retrovisor, vi que vinha um caminhão! Não ia caber! Por isso encostei bem o carro junto ao meio fio, mas 2 segundos antes de desligar, a ponta de um paralelepípedo torto rasgou meu pneu!

Auto repair shop supplies

Não havia espaço para trocar o pneu naquela vaga... Fui com o pneu furado mesmo devagarzinho até uma oficina quase em frente. Pisca-alerta ligado, uma fila atrás de mim... um calor insuportável. 10 reais de gorjeta e o mecânico trocou meu pneu. Lá fui eu pro borracheiro... Tem que comprar pneu novo! Com 180 reais sacado do banco 24 horas, saí eu feliz com pneu novo, embreagem nova, tudo ok!

Hoje fui ao banco. Puxei extrato e descobri que o banco errou e debitou os 180 reais do pneu duas vezes! "Você tem que telefonar pra ouvidoria", me disseram no banco. Anotei o telefone 0800 pra ligar quando chegasse em casa.

Saí do banco e dei um suspiro. Quer saber? Está um dia lindo! Entrei numa confeitaria, fiz um lanche gostoso, depois entrei numa loja e comprei um chapéu de praia, de palhinha marrom com um lenço de gaze estampada, que arrematava a parte de trás com um laço! Adoro chapéus!

Woman smiling on beach, close-up

Urucubaca não me atinge.

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Uma Carona Inconveniente

terça-feira, 10 de novembro de 2009 by Leila Franca


Quando aprendi a dirigir eu tinha 18 anos. A única coisa que fiz de errado na prova de direção foi tentar ligar o carro até o instrutor do detran me avisar que o carro já estava ligado.

Aprendi a dirigir num fusquinha, aliás já dirigi muito carro velho cheio de macetes pra poder funcionar. Antes eu tinha bloqueio: se o carro tivesse com algum problema eu preferia sair de ônibus, até que minha analista me convenceu de que quem dirige, dirige também os problemas. Então passei a dirigir tudo que é lata velha: carro que a porta não abre, depois não fecha, que o banco cai pra trás, carro sem freio de mão, sem espelho, sem limpador de para-brisa etc.

Abandoned Car

Logo que comecei a dirigir perguntei ao meu pai: "Pai, o que eu devo fazer se algum dia eu bater no carro de outra pessoa, quer dizer, se a culpa for minha?" E meu pai me respondeu com toda a sua sabedoria: "Você sai do carro, vá até o carro que você amassou e diga o seguinte ao motorista: Olha só o que o senhor fez!!!".

Mas eu nunca passei por nenhum acidente grave (só aquela vez que eu parei num sinal vermelho que ninguém para e o motorista que vinha atrás de mim teve perda total, embicou até o teto, ao bater no meu carro). Morando no Rio de Janeiro, logicamente, também já roubaram meu carro, mas sobre isso escrevo depois.

Sou educada no trânsito, cedo a vez, não xingo nem perco a classe, só quando alguém faz uma loucura pra me ultrapassar e depois fica andando feito uma tartaruga na minha frente. Só faço zigue-zague quando estou com pressa. Mas nunca bati dentro da minha garagem, só enganchei no carro da minha mãe e também teve uma vez que não reparei que uma cadeirinha de praia enganchou no meu carro dentro da garagem e eu acabei indo para o trabalho com aquela cadeira pendurada na traseira.

Depois melhorei de vida e comprei um carro semi-novo, mas só fui dirigir carro automático depois que fui morar nos Estados Unidos. Eu não cheguei a comprar carro lá, porque tinha o metrô, mas alugar carro naquele país não é tão caro como no Brasil. Agora, caminhão de mudança lá é caro. Talvez seja por isso que os americanos quando se mudam deixam tudo na casa e levam só uma mala.

Teve uma vez que eu e o americano que morava comigo resolvemos nos mudar de Springfield para Boston. Eram três horas de viagem e ele cismou de levar nossas coisas num caminhão. Ele alugou um caminhão, mas o problema é que ele não tinha carteira de motorista! Eu falei pra ele que a minha carteira não me permitia dirigir aquele tipo de veículo, então ficamos com um problema. Caminhão alugado, mas sem ninguém pra dirigir.

Um amigo nosso se ofereceu pra dirigir o caminhão. Problema resolvido, só que eu teria que dirigir o carro do rapaz pra ele poder depois voltar pra casa, já que devolveríamos o caminhão na cidade para onde estávamos nos mudando. Eu não sabia o caminho a tomar, então o caminhão iria na frente e eu atrás no outro carro. Tudo certo.

No dia da mudança, eu fiquei arrumando as coisas enquanto os dois americanos iam enchendo o caminhão. Só quando fui do lado de fora é que eu vi o carro que eu teria que dirigir... Era um carro conversível vermelho, baixinho, que eu nunca tinha visto de perto.

Toyota's New Soarer

Mas a surpresa maior não foi somente o carro. Meu amigo tinha uma cobra chamada Jack que vivia num terrário. Eu pensei que esta cobra fosse em alguma caixa dentro do caminhão, mas ele disse que deixaria a cobra com uma amiga antes de seguirmos a viagem e por isso a cobra iria conosco só até a casa da garota...

Quando liguei aquele carrinho vermelho senti o poder do ronco do motor... ai ai ai... O americano que morava comigo apareceu com a cobra enrolada no pescoço e se sentou do meu lado. Eu, morrendo de medo, disfarcei e disse que só tinha medo de alpaca (assista o vídeo e entenderá).


Foi só encostar o pé no acelerador e o carro deu um pulo pra frente e saímos em disparada! Eu olhava pra frente, mas ao mesmo tempo prestando atenção na cobra que começou a se desenrolar do pescoço do meu amigo e vir com meio corpo no ar na minha direção. Eu já estava meia que virada de lado e a cobra chegando perto do meu cabelo!

O outro americano no caminhão corria mais do que tudo e em poucos minutos desapareceu da minha frente. Eu apertava mais o acelerador e o carro ia que ia, mas quando fazia alguma curva a cobra quase que caía entre o encosto do carro e as minhas costas.

Ainda bem que a casa da americana que ficou com a cobra não era muito longe. Ela, vendo que eu estava morrendo de medo e querendo curtir com a minha cara, pegou a cobra e enrolou no pescoço, dando uma risadinha pra mim.

Ainda rodamos bastante naquele dia. Meu amigo não era muito bom com mapas. Se íamos para a esquerda eu tinha a impressão que acabaríamos chegando no Maine e se íamos para a direita começávamos a ver as placas apontando Rhode Island. Mas finalmente chegamos em Boston onde o caminhão já tinha chegado há muito tempo.

video: Okiesp

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Existem dias em que tudo acontece

domingo, 25 de outubro de 2009 by Leila Franca


Roupa mancha, cachorro foge, perfume vira, pneu fura, gás acaba, comida queima, alça arrebenta, corta o dedo e o relógio não desperta.

Chuveiro queima, vaso quebra, pagamento atrasa, falta luz, quebra copo, computador não liga, voo atrasa, chave quebra, remédio acaba e o telefone fica mudo.

Queima o dedo, caneta falha, televisão queima, empregada falta, carro esquenta, corda arrebenta, óculos quebra, lixo vira e perde a lente.

Martela o dedo, arranha o carro, perde a chave, biscoito vira, frigideira gruda, porta não fecha, ônibus enguiça, pilha acaba, chinelo arrebenta e o fecho da calça escangalha.

Lâmpada queima, guarda-chuva não abre, pisa em cocô, guarda multa, perde a carteira, vizinho reclama, pia entope, celular some e chega atrasado no trabalho.

Sapato aperta, janela não abre, dente quebra, conta atrasa, trânsito engarrafa, dá topada, unha quebra, perde o trem, fósforo molha e a impressora falha.

Pisa em chiclete, perde brinco, elevador enguiça, ar condicionado não gela, torneira não fecha, fogão não acende, café acaba e o passarinho, lá do alto, faz cocô em seu paletó.

Essas coisas sempre acontecem em sequência de duas ou três juntas nos dias em que estamos mais ocupados. Parecem querer nos testar, mas na verdade o que fazem é deixar nosso dia com gosto de vitória.



PS.: Querido leitor, se quiser acrescentar alguma coisa nesta lista, poderá usar o espaço para os comentários.

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