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A Queda do Muro de Berlin

segunda-feira, 9 de novembro de 2009 by Leila Franca


Hoje jornais de todo o mundo estão falando sobre um mesmo assunto: o aniversário dos 20 anos da queda do muro de Berlin. Encontrei uma incrível seleção de fotos no Boston Globe, lugar de destaque na CNN, no inglês Guardian , cenas pra fazer qualquer um chorar no Le Monde e uma reportagem mais do que completa no jornal alemão (em inglês) The Local, além do especial do Globo e da reportagem do Estadão.

Preparation For Germany's Fall of the Berlin Wall Celebrations

A idéia de colocar um enorme dominó simbolizando o muro para que possa ser derrubado outra vez na hora da comemoração foi genial. A existência uma parede dividindo uma cidade não combina com os nossos ideais de liberdade. Se eu pudesse estaria lá para festejar os 20 anos do fim dessa grande barreira que era muito maior do que aqueles blocos de concreto.

Giant dominos are placed along the path of the original Berlin Wall

Se os grandes jornais já contaram basicamente todos os fatos e cobriram todas as análises, eu me encontro aqui a pensar no povo de Berlin. Nos jovens, nos trabalhadores, nas donas de casa, nos idosos, nas crianças, nos intelectuais e nos artistas. Penso naqueles que tiveram a sombra daquela grande parede em seu dia-a-dia. Penso agora naqueles que fizeram loucuras para ultrapassar aquela divisão absurda, nos que foram separados de suas famílias, amigos, amores. Penso nos que já se foram e nas pessoas que hoje amam Berlin.

Faz pouco tempo que encontrei na internet um vídeo onde Kiwi, a autora, o descrevia simplesmente assim: "Eu amo Berlin, mesmo às 7 horas da manhã". O vídeo, simples, cujo título é "Dawn" (Amanhecer), me chamou atenção pelo sentimento transmitido em suas imagens e na música escolhida. Logo encontrei mais um vídeo, também de Kiwi, entitulado "Berlin Impressions" (Impressões de Berlin), onde ela aparece com seus amigos ao som de uma linda canção. Enviei a ela um e-mail pedindo autorização para publicar seus vídeos neste artigo e ela, muito amável, me respondeu 1 minuto depois, como se estivesse bem aqui, na mesa ao lado.

Em pessoas como Kiwi e seus amigos que penso hoje. Parabéns!

Dawn (amanhecer)




Berlin impressions (Impressões de Berlin)

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Dark Lord Don Dorcha & Warlords

domingo, 8 de novembro de 2009 by Leila Franca


Admiro muito aqueles que alcançam o máximo em suas habilidades. No vídeo a seguir, em apenas 3 minutos, este grupo dá um verdadeiro show!

Trata-se de um trecho do musical Lord of the Dance (Deus da Dança) criado e dirigido por Michael Flatley e baseado no antigo folclore irlandês. Música e imagem, assim como a própria dança irlandesa nos leva de fato a passear por histórias antigas daquele país do Norte.

Dark Lord Don Dorcha é o vilão que desafia o Deus da Dança numa luta entre o bem e o mal. Aqui ele se apresenta demonstrando todo o seu poder.


video: ThalosS




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Um baterista de "quatro braços"

by Leila Franca


Alguém me contou que, na gíria dos músicos, quando um baterista toca muito, então ele é chamado de baterista de "quatro braços" porque são capazes de se movimentar com uma rapidez tão incrível, que é como se tivessem um par de braços a mais.

Existem muitos percussionistas fantásticos, mas esse ano em especial, já que o mundo comemora os 40 anos do Festival de Woodstock fiquei feliz em lembrar e rever o vídeo de um dos percussionistas mais talentosos que já existiu: Michael Shrieve.

Michael Shrieve tinha apenas 19 anos na ocasião do festival. Foi o músico mais jovem a se apresentar diante daquela platéia gigantesca. E ele roubou a cena, fazendo o público delirar com sua habilidade na bateria, sendo sua apresentação considerada um dos pontos mais altos de todo o espetáculo.

O que eu gosto em Michael Shrieve é que ele se abandona na música. Ele é a música e a música é ele, numa integração perfeita. Com viradas sensacionais, deu um show de solo durante o qual podemos flagrar em suas expressões, o sentimento. Quase no finalzinho dessa performance, até hoje me pergunto como ele conseguiu acompanhar aquele órgão que a cada segundo ficava mais rápido. Parecia um bordado intrincado de sons.

Mas chega de palavras, vamos ao som desse mestre da bateria!


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Uma música com o seu nome

sábado, 7 de novembro de 2009 by Leila Franca


Quem é Maria ou Mary, Carolina ou Lucy, Madalena ou Angie sabe bem como é bom ter uma música com seu nome. Seu namorado, marido ou companheiro cantam esta música pra vocês? Seus amigos brincam contigo usando a sua canção? Não foi feita pra você, mas tornou-se sua. Ninguém duvida disso. Cantores e compositores deveriam criar mais músicas com os nomes de suas musas de modo que cada mulher pudesse ter sua própria melodia.

Eu, Leila, não tinha a menor esperança de que pudesse haver uma música com o meu nome. Quem vai fazer uma música com este nome? E assim devem pensar todas as Flávias, Carmens, Sônias, que ainda esperam por sua própria canção.

Cresci ouvindo as músicas dedicadas aquelas mulheres misteriosas que inspiraram um compositor, um músico ou um artista qualquer. Parecem ser lindas e impiedosas, fazem os homens chorar. Será que não existirá nunca uma leila assim mais bonitinha? Serão todas pacientes e bobocas a ponto de silenciar as cordas de um violão?

Não tem nem um mês que li no Globo que Lucy Vadden, que inspirou John Lennon na música "Lucy in the sky with diamonds", faleceu. Ter seu nome cantado por gerações e gerações é algo assim como ganhar um presente dos anjos e fadas. Uma alegria suave, algo que acaricia o coração.

A origem do meu nome é arabe. Pode ser que em algum ponto do Saara haja algum beduíno cantarolando um refrão para uma leila coberta com véus e as mãos sujas da areia do deserto. Quem vai saber?

Mas não precisei ir tão longe. Bem, um pouquinho longe apenas. Desde que cheguei em Boston, nos Estados Unidos, bastava ser apresentada a alguém, que logo após o cumprimento a pessoa que eu acabara de conhecer começava a cantar: "... Leila, you've got me on my knees", algo assim como "Leila, você me deixou de joelhos". Eu só pensava assim: "Nossa, que povo estranho". O que eu fiz?

Isso acontecia tanto que tentei descobrir que música era aquela que eu não conhecia. Era uma música bastante popular na costa leste americana, já que todo mundo sabia. Mas uma vez conversando com um amigo do amigo ao telefone, que estava em Tucson, no Arizona, novamente eu ouvi "Leila, you've got me on my knees". A música era conhecida de norte a sul, leste a oeste, só eu que não sabia. Fui pesquisar e descobri que a música de fato chama-se "Layla", que em inglês pronuncia-se leila. Dava no mesmo.

A coisa realmente chegou ao seu ponto culminante numa noite que eu estava sentada no balção de um pub esfumaçado e lotado de gente maluca em Boston. Fui apresentada a um rapaz que, como de praxe, começou a cantar o refrão que já era meu conhecido. A bartender lourinha ouviu aquilo e começou a cantar também. Um casal que estava ao meu lado se juntou ao coro. Logo eu ouvi alguém e mais alguém perguntando "quem? quem?" e a lourinha sorridente começou a apontar pra mim e a dizer pra todo mundo que estavam cantando porque meu nome era leila. A coisa foi se espalhando até que todas aquelas pessoas cantaram juntas a música inteira, levantando seus copos de cerveja, seus bonés e outros drinks.

Foi um fenômeno. Realmente, agradeço aos americanos por este momento de alegria que me ficará na memória. Agora posso dizer que tenho, afinal, a minha música! Cliquem no vídeo abaixo para ouví-la e reparem no refrão. Quem canta e toca maravilhosamente é o autor, Eric Clapton.


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Em busca da imperfeição

quinta-feira, 5 de novembro de 2009 by Leila Franca


A brincadeira do artigo anterior me fez lembrar daquele tempo, de dez anos atrás. Naquela época, minha estratégia para combater o desemprego era ter pelo menos duas ou três atividades remuneradas diferentes, em horários ou dias alternados.

Entretanto, estes dois ou três empregos não eram suficientes para acalmar minha preocupação com o dia de amanhã. Então eu também aceitava serviços avulsos e tarefas de última hora. Mesmo assim, ainda pensava na probabilidade remota de ficar na dependência financeira de alguém e por isso minha mente não parava de bolar planos mirabolantes de fazer dinheiro por conta própria, o que de fato consegui inúmeras vezes. (Quase cheguei à conclusão de que o sucesso seria consequência de uma personalidade ansiosa.)

Pensava também que tinha de me manter atualizada e por isso não havia um dia que eu me levantasse sem ler as notícias dos principais jornais. Parar de estudar estava fora de cogitação. Precisava aprender e ensinar algo novo a cada dia.

Também não queria estar numa posição em que me sentisse solitária ou deprimida, portanto criei para mim passatempos que pudessem me manter ocupada e feliz para sempre. Atividades artísticas que fazem bem a alma. Entre uma tarefa e outra, eu pintava um quadro, uma aquarela ou fazia um desenho a bico de pena. Não me importava se aquilo me faria dormir apenas quatro horas por noite.

Tinha uma verdadeira dificuldade de fazer o que quer que seja com desordem à minha volta. Por isso mantinha documentos e papéis em pastas separadas e etiquetadas. Nas gavetas, a roupa dobrada. Meus talheres não podiam ficar misturados. Colher com colher, garfo com garfo, faca com faca. Não era muito fácil ser eu.

Mas nem sempre tudo funcionava da maneira como deveria ser. Estava tão acostumada com minha rotina que houve um dia em que fui trabalhar em pleno feriado. Só reparei que não era dia de trabalho quando fui estacionar o carro e tinha vaga. Também fui ao médico um dia antes da consulta marcada. É isso mesmo: a máquina de vez em quando trava.

Muitas vezes tirei um dia de folga (férias nunca), mas no dia seguinte precisava ir a nove lugares diferentes. Apesar de adorar paisagens campestres, acho que não me adaptaria a uma vida no campo. Sou uma pessoa da metrópole. Da confusão, do barulho, do engarrafamento, da poluição, do corre-corre, do anonimato.

Mas apesar de viver no controle da minha vida, este por vezes escapa. Ninguém é perfeito, mesmo que tente. Num dia em que teria de fazer um percurso digno de um quebra-cabeças do tipo labirinto, fui pega de surpresa.

Deveria comparecer a um compromissos em cada um dos meus três empregos no mesmo dia. Quando acordei, às 5 e meia da manhã ainda estava escuro. Me arrumei depressa, deixei bilhete com instruções para os filhos que dormiam, peguei o carro e saí. No primeiro emprego, tudo certo: "Mission accomplished!"

Passei no mercado, fiz um almoço rápido, deixei filho na escola, me arrumei de novo e fui para o segundo compromisso do dia: uma reunião importante na empresa do emprego número 2. A reunião não poderia durar mais do que duas horas, pensei. Assim, ainda poderia passar no caixa eletrônico, ir para o terceiro emprego, fazer um pequeno lanche e ir a faculdade. Estava tudo esquematizado.

Estacionei o carro em frente da empresa faltando apenas 5 minutos para a reunião. Estava dando tudo certo! Dei uma olhadinha no cabelo pelo espelho do carro, peguei a bolsa e ainda ia fumar um cigarrinho antes de entrar no prédio. Foi quando vi o problema: minha blusa estava do lado avesso!

Eu me perguntava como... Como vesti a blusa ao contrário? Não era uma blusa que desse pra disfarçar, dizer que era "estilo" estar do lado avesso. Era uma blusa do tipo social, com gola, bolso, botões na frente. A gola estava virada pra dentro. As linhas e fiapinhos dos botões estavam aparecendo. Do bolso, só se via o formato, pela costura. Coloquei a mão no alto das costas e senti as três etiquetas penduradas juntas. Não dava! Impossível ir à reunião vestida assim!

Frustrated Businesswoman

O que eu ia fazer? Na porta da empresa, pequenos grupos conversavam em círculos, na calçada e na rua havia um monte de gente andando. Como é que eu ia tirar a blusa ali? Mas que droga! O pior é que já haviam me visto chegando. Deram tchauzinho de longe. Como eu poderia fazer a volta e ir embora? Mas ao mesmo tempo, aparecer na reunião, quando todos param o que estão fazendo pra nos olhar, com aquela blusa ao avesso seria tenebroso!

Poderia tirar o carro da vaga, estacionar num lugar mais escondido e tirar a blusa. Mas pela lei de Murphy isso não poderia dar certo. Com certeza o próprio diretor da empresa apareceria na minha frente na hora que eu estivesse só de sutiã.

O pior é que estava fazendo um calor horrível dentro do carro. Já estava ficando suada, maquiagem derretendo. cabelo colando no pescoço. Um inferno! O que a gente não faz para não perder a pose!

Acendi um cigarro enquanto a hora da reunião ia chegando. Nunca havia chegado atrasada e não ia ser naquele dia que eu ia chegar! Ainda mais que eu já estava ali. Seria um absurdo. As pessoas já me olhavam de longe sem entender por que eu não saía do carro com o sol que estava fazendo. Eu fingia que procurava alguma coisa na bolsa. Que coisa mais ridícula!

Quer saber? Vou tirar a blusa aqui e pronto! "Tô no Rio de Janeiro, mermão! Qualé?!", pensei, tentando me convencer. Mas foi só desabotoar o primeiro botão e um homem apareceu na janela do carro: "Empresta o fósforo?" Não, não dava pra tirar a blusa ali! O pior é que não dava pra entrar rápido naquela empresa e seguir direto para o banheiro. Tinha que apresentar documento, cartão, crachá, rubricar um papelzinho, passar pela roleta, sorrir pra recepcionista, cumprimentar o segurança. Culpa da violência urbana.

Chegou a hora da reunião e todos que estavam na calçada sumiram no saguão do prédio. Tomei coragem, saí do carro e fui ter com a recepcionista. "Tem algum banheiro aqui embaixo?" Ela sorriu olhando para a etiquetona lateral da minha blusa (essa eu não tinha visto!) e me apontou um corredor. Caminhei rápido balançando as etiquetas da nuca, entrei no banheiro e virei a blusa.

Mais tarde pensei: sabe de uma coisa? É horrível ser perfeccionista! E a partir daquele dia tem faca na colher, tem colher no garfo, tem quadrado no redondo, tem papel fora da pasta, tem dias que chego atrasada, tem dias que simplesmente não faço e não vou. E se ficar sem emprego eu invento!

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Ping Pong!!! Rebatendo daqui também!!!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009 by Leila Franca


Pelo que eu saiba, a brincadeira começou com o Diego, que jogou pra Maria, que jogou pra Joici e as duas jogaram pra mim!!! Então vou jogar:

1. Há dez anos:

Eu estava trabalhando para 3 empresas diferentes, ainda tinha a casa, 3 filhos e como se não bastasse estava cursando a minha terceira faculdade. Eu dirigia cerca de 100 km por dia e ainda arranjava tempo de levar meu filho mais novo até a escola, fazer almoço, etc.

2. Há cinco anos:

Fui mostrar as minhas miniaturas para pessoas do meu bairro e passei um ano inteiro para conseguir entregar todas as encomendas que recebi!

3. Há dois anos:

Começaram a abandonar animais na minha rua e tive muito trabalho para encontrar adoção para cerca de 20 gatinhos abandonados. Chorava muito quando algum deles, mais fraquinho, morria.

4. Há um ano:

Descobri que sou uma pessoa tranquila, mas sou capaz de entrar numa briga horrorosa se o caso for defender um animal.

5. Ontem:

Constatei que não é possível fazer tudo que tenho para fazer e não me sinto culpada por isso.

6. Amanhã:

Nunca se sabe.

7. Cinco coisas sem as quais não posso viver:

Meus óculos, computador, carro, um cigarro e um fósforo (já sei... já sei...).

8. Cinco coisas que eu compraria com mil reais:

livros, roupas, presentes para a família, coisinhas para o computador, material de escultura e pintura.

9. Cinco maus hábitos:

Ficar acordada até altas horas da madrugada, encher demais a xícara de café (sempre vira), fumar, falar com os outros sem dizer primeiro "bom dia", "boa tarde" ou "boa noite" (sempre esqueço, não tem jeito), me preocupar demais.

10. Três coisas que me assustam:

Acidentes aéreos, incêndios, violência na minha cidade (Rio de Janeiro).

11. Três coisas que estou vestindo neste momento:

Short, camiseta e sandálias.

12. Quatro das minhas bandas/cantores favoritos:

1. Britney Spears (podem falar a vontade, mas eu adoro ela)
1.1. Justin Timberlake
1.2. Michael Jackson
1.3. Christina Aguilera
1.4. George Michael (podem falar também, mas gosto dele...rs)
1.5. Madonna
1.6. Lady Gaga
1.7. Eric Clapton
1.8. Alanis Morissette
2. Ivete Sangalo
2.1 Daniela Mercury
3. Dire Straits
3.1. Bee Gees
3.2. Santana
4. The Doors
4.1. Led Zeppelin

13. Três coisas que eu realmente quero agora:

Uma pizza, uma coca-cola e um ventilador (está o maior calor!)

14. Três lugares aonde quero ir nas férias:

Qualquer lugar que fosse FRIO! Gostaria de conhecer o Sul do Brasil, pois não conheço. Um sonho distante: ir à Grécia e ao Egito (viagens caras, mas depois de tudo que estudei, bem que merecia...)

15. Pessoas escolhidas para fazerem o mesmo (haha...):

Atenção: Vou tentar escolher pessoas mais ou menos novas no diHITT.













Regrinhas:

Não pode retornar pra mim nem repetir os indicados.




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Sobrevivi!!!

terça-feira, 3 de novembro de 2009 by Leila Franca


Ontem quando li no Globo a notícia sobre o tubarão bocão, de quase 6 metros de comprimento, encontrado em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, lembrei de um episódio que vivi naquelas águas claras.

Aconteceu numa época em que ainda podíamos acampar na areia da praia, que então era quase deserta. Chegamos durante a noite enquanto chovia. A escuridão era quase total. Armamos as barracas na base do tato e fomos logo dormir.

O dia seguinte amanheceu maravilhoso. O céu azul sem nuvens prometia um bom dia de praia. Eu e minha amiga Gelita nos levantamos cedo e ficamos à toa na areia a observar o mar. Ainda estava cedo para entrar na água cristalina, que devia estar fria.

Feet walking on the beach

Logo, mais uma pessoa do grupo acordou e veio se juntar a nós duas. Era um rapaz morava em Brasília, de visita ao Rio de Janeiro, e que não estava acostumado a despertar assim tão perto do mar. Ele tinha um apelido engraçado: Marcha Lenta ou, mais simplesmente, Lento.

Eu e Gelita queríamos levar o Marcha Lenta pra passear, para que ele conhecesse melhor as praias e a cidade. De onde estávamos, olhando para a praia, víamos um morro à direita que ia diminuindo de altura até se transformar numa pontinha que desaparecia no mar. Não sei quem teve a idéia de irmos até aquela ponta, que parecia ser a entrada daquela enseada. Partimos, sem avisar a ninguém, pois todos estavam ainda dormindo.

Aquele morro, que de longe parecia fofo e verdinho, não era tão amigo visto de perto: sua vegetação consistia de cactus e outros espinhos, que só paravam de crescer quando encontravam as rochas e o mar. Por isso fomos caminhando pelas pedras. Eu e Gelita usávamos apenas biquinis, o Lento uma bermuda. Devia ser umas 8 horas da manhã e nem havíamos tomado café. Pensávamos que o passeio seria curto e logo estaríamos de volta ao acampamento.

Já um pouco afastados da praia, vimos pescadores cercando peixes enormes numa rede. Eles batiam nos peixes com os remos dos barcos e a ponto da água do mar ficar vermelha. Horrorizados com o espetáculo, em vez de voltarmos para a praia, seguimos em frente, ainda procurando alcançar a pontinha que marcava a entrada da enseada.

Observamos que dois homens também caminhavam nas pedras quase junto de nós. Pela pele bronzeada e o jeito de falar, achei que provavelmente seriam simples moradores daquele lugar. O caminho começava a ficar difícil, as pedras escorregadias e por várias vezes eles me deram a mão para ajudar a pular de uma pedra pra outra.

Waves crashing on rocky shore

Já estávamos andando há um bom tempo e nada de chegar à pontinha daquele morro. Era mais longe do que imaginávamos. O sol estava queimando nossa pele e as pedras já estavam bem quentes. Começamos a sentir fome, sede e, para piorar, encontramos diante de nós um tremendo paredão, uma falha na rocha, quase impossível de passar. Resolvemos voltar ao acampamento, mas no meio do caminho descobrimos que a maré tinha começado a subir e não era mais possível passar por onde tínhamos passado antes, a menos que caminhássemos sobre os espinhos!

Decidimos dar meia volta e de novo estávamos diante daquele paredão onde as ondas batiam lá embaixo. Neste caminho observamos que um peixe muito grande nos acompanhava junto das pedras. Ele ia e vinha e só víamos aquela sombra enorme correr naquelas águas limpas. Não sei que tipo de peixe era, sabia apenas que qualquer um de nós caberia perfeitamente em sua barriga! (Tenho suspeitas de que se tratava de algum parente remoto do tubarão bocão encontrado lá essa semana!) Dava medo. Nem pensar em voltar à praia nadando! O jeito era encarar o paredão.

Com os pés virados de lado, pisando em degraus mínimos de pedra quebradiça e abraçados àquela rocha fervente conseguimos alcançar o outro lado. O Marcha Lenta teve azar. No meio do caminho ele foi atacado por um casal de maribondos que saiu dos espinhos. Ele não podia nem espantar os insetos, que picaram à vontade suas costas.

O sol estava abrasador naquela hora mais quente do dia. Procurávamos alguma praia entre aquelas rochas ou então um caminho que pudéssemos trilhar entre os espinhos. Os dois homens que inicialmente nos acompanhavam a pouca distância agora haviam se juntado a nós, em grupo. Houve um momento, que nós paramos pra descansar numa pedra mais chata e um deles encontrou uma linha de pesca. Enrolou a linha grossa de nylon em cada uma de suas mãos e testou sua resistência. Eu e Gelita olhamos uma pra cara da outra e por um instante ficamos com medo. Afinal eles eram estranhos.

Finalmente chegamos naquela pontinha do morro. Na nossa frente, mar aberto. Pensávamos que seríamos capazes de ver a cidade depois daquela curva, mas estávamos enganados. Só haviam mais pedras, espinhos, cactus e o mar. Já não podíamos mais ver a praia onde nossos amigos acampados deviam estar nos procurando. Estávamos numa enrascada.

Wave Crashing Onto Rocky Shore

De longe vimos um barco grande de pescadores. Eles também nos viram, mas não podiam chegar perto por causa das pedras. Acenamos e eles responderam abanando os braços. Acho que perceberam o problema em que estávamos metidos e pudemos ver que eles apontavam para um determinado lugar no meio daquelas pedras. Sem entender direito o recado, continuamos a andar. Acho que cada um de nós estava se segurando pra não passar mal. O sol estava queimando muito e não tínhamos comido ou bebido nada. Devia ser umas 3 da tarde àquela altura.

Depois de muito andar naquelas pedras, já estávamos começando a ficar desesperados quando encontramos um obstáculo ainda maior. Diante de nós havia uma enorme falha na pedra, que formava uma gruta escura. As ondas vinham e entravam com força por aquele enorme buraco feito na rocha. Não havia lugar para passar. Acima de nós, ainda os espinhos.

Paramos pra pensar o que devíamos fazer. Quando as ondas recuavam, deixavam de fora algumas pedras negras de limo, que logo eram cobertas com o chegar de uma nova massa de água. Resolvemos dar as mãos, formando uma corrente humana, e pisar nestas pedras escorregadias no recuo, entre uma onda e outra. E lá fomos nós.

Mas não deu tempo! Eu, Gelita e Marcha Lenta recebemos o impacto de uma onda enquanto ainda estávamos pisando nas rochas negras dentro da gruta. A onda passou por cima de nós e encheu aquele buraco até o teto com a gente dentro. Foi assustador. Com a força da água, meus pés não conseguiram se firmar sobre a rocha e por alguns instantes eu me vi flutuando naquele azul sem fim. Mas cada um dos meus pulsos estava seguro com força pelas mãos daqueles dois homens, que provaram estar ali para nos ajudar. Quando a água recuou mais uma vez, eu pensei que não fosse aguentar. Era muito forte! A pressão nos meus pulsos aumentou e assim não fui levada pela força do mar.

Ao sairmos dali, estávamos mais assustados do que tudo. Ainda andamos bastante até que chegamos a uma ponta onde havia uma relva macia e um caminhozinho feito por gente, em vez dos espinhos. O caminho sumia no meio de árvores, arbustos - sombra finalmente! - e um milharal! Corremos pra pegar algumas espigas ainda verdes, mas não conseguimos nem provar: o som do latido de vários cães fez com que saíssemos correndo pela mata!

Nos separamos. Eu e Gelita corremos para um lado, Marcha Lenta e os dois homens para o outro. Ofegantes, minha amiga e eu nos escondemos atrás de um pedregulho. Além de muito queimadas pelo sol, estávamos agora sujas de terra e cheias de arranhões. E agora? Eu pensei que minha amiga ia desmaiar. Havíamos perdido as espigas de milho na corrida e não tínhamos a menor idéia de onde estávamos e o que fazer para sair dali.

Ainda andamos sem rumo pela mata até que ouvimos vozes nos chamando. Era o Marcha Lenta e os dois homens que nos ajudaram. Eles foram ter com o dono daquela roça e explicaram o que havia acontecido conosco. O proprietário do lugar mostrou o caminho que deveríamos tomar para voltar à cidade e ainda nos deu uma bolsa cheia de espigas.

Chegamos ao acampamento ao anoitecer. Todos estavam aflitos nos procurando desde cedo. Quando nos despedimos daqueles homens, agradecendo a ajuda, um deles falou: "Quando vimos vocês seguindo aquele caminho das pedras, nós resolvemos ir atrás. A gente sabe que é perigoso, mas não queríamos incomodar. A gente só achava que vocês iam acabar precisando de ajuda!" E não é que eles acertaram? Foi uma surpresa descobrir que eles estavam lá só para nos ajudar e proteger. Não sei o que teria acontecido conosco se não fossem aqueles dois!

É interessante que a gente cria um elo especial com as pessoas com quem compartilhamos estes momentos. Nunca mais vi ou encontrei aqueles dois homens, mas jamais os esquecerei. Encontrei uma vez o Marcha Lenta num show de rock e anos depois, caminhando pelo centro do Rio de Janeiro, vi a Gelita através da vidraça de um banco onde ela era uma das gerentes. Entrei para falar com ela, que me recebeu com um abraço. Duvido que algum dos clientes pudesse sequer imaginar os assuntos que nós duas estaríamos a conversar.

Sunset over ocean

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