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Tentando ser normal

sexta-feira, 30 de outubro de 2009 by Leila Franca


Após ler a reportagem no jornal "O Globo" sobre uma estudante que teve de se retirar da universidade escoltada pela polícia por estar usando uma minissaia, penso que preciso rever meus conceitos. Será que a juventude mudou e eu não reparei? Parece que estamos 40 anos antes e não depois do Festival de Woodstock. Naquele tempo era normal ser diferente, mas nunca foi fácil. Os hippies que o digam.

Francamente, acho que a única maneira daquela situação se reverter seria se todas as alunas da universidade combinassem de usar um vestido rosa ou vermelho bem curto no dia que a estudante agredida verbalmente retornasse às aulas.

Há muito tempo atrás, tive uma amiga que gostava de criar roupas diferentes para ela própria e por um triz não passou pela mesma situação que esta universitária paulista passou este mês.

Uma vez, minha amiga criou uma roupa para uma festa num clube. Era uma blusa preta de mangas compridas colada no corpo, uma calça preta bem justa (até aí tudo certo), mas sobre aquilo tudo, ela achou que ficaria bonito uma saia rodada estampada com flores enormes, na altura do joelho. A saia era armada com arame. Para completar, usou sapatos vermelhos de salto e bico finos e fez um penteado onde seus cabelos, todos puxados para cima, formavam um coque bem no alto da cabeça, onde ela colocou um véuzinho preto.

A garotada presente no clube no dia da festa não entendeu que minha amiga queria ser estilista. Assim que chegamos ao salão do baile, começaram as piadinhas. Uns chamavam os outros "para ver". Quando começaram a vaiar, eu a convenci de que devíamos sair dali imediatamente. Pegamos um táxi e fomos embora. Ela chorava de raiva. Minha amiga tinha o corpo todo coberto pelas calças e mangas compridas, mas ainda assim aquela "coisa" que move as massas esteve perto de começar. Só porque ela era diferente. Aos 25 anos ela foi para a Europa e não mais voltou. Hoje em dia tem um atelier bem sucedido em Paris.

Desde muito sabemos que nossa sociedade não aceita bem quem é diferente do resto, seja qual for a diferença. Experimente, por exemplo, usar um chapéu (sem estar num casamento, corrida de cavalos ou na praia) e verifique que todos vão ficar te olhando. Se você é homem, tente usar um sobretudo num dia frio e irá causar o mesmo efeito. Por que? Porque as pessoas não estão acostumadas com chapéu nem com sobretudo. Vão atrair olhares como se fossem extraterrestres.

Mas às vezes pessoas ditas "normais" também atraem olhares por escolhas mal feitas num dia de pouca percepção. Nem sempre devemos acreditar na vendedora que nos diz sorridente que estamos ótimos enquanto experimentamos uma roupa na loja!

O segredo para não chamar muita atenção é fácil: basta não tentar copiar os modelitos da atriz Reese Witherspoon no filme "Legalmente Loura", não pensar em Michael Jackson quando for comprar uma luva nem na Lady Gaga quando for fazer maquiagem nem na Britney Spears quando decidir cortar os cabelos bem curtos e muito menos na Madonna na hora de comprar botas ou sutiã.

Debbie Hoare


Há também uma matemática envolvida nessa questão. Se quer mesmo continuar passando despercebida na multidão, faça o seguinte: se o número do seu sutiã for maior que 40, então fique longe das blusas tomara-que-caia. Se o seu quadril mede mais que 120 centímetros, então é melhor esquecer as minissaias. Se a sua cintura é mais larga que o quadril, então nunca use calças de cintura baixa e top. E se você pesa mais que 50 quilos, esqueça completamente os shorts muito curtos.

Quanto aos cabelos, só use o louro se for natural. Jogue fora os tubos de laquê, jamais use franjinha reta com óculos quadrado de aro preto e, por favor, não lembre da Nina Hagen quando quiser tentar uma cor diferente!

Pete And Nina

Bijuterias, somente as delicadas e pequeninas. Lembre que o fato de você ter 10 dedos nas mãos não implica necessariamente em usar 10 anéis. Pra não chamar atenção, esqueça que existem tatuagens, piercings, punks, góticos e principalmente emos.

Mas, se apesar de todas estas precauções, continuarem te olhando na rua, não se desespere: diga para si mesma que ninguém neste mundo é "normal". Normal é aquilo que tentamos ser.

Goths Join Forces For The Annual Gothic Weekend




11 comentários:

  1. Mara Sop
    31 de outubro de 2009 03:38

    É minha amiga... Não é facil fugir do óbvio... Eu sempre fui discriminada por ser naturalmente diferente, nem precisava usar algo pra chamar a atenção... Mas quando fiz 15 anos, resolvi que não iria mais ligar pra o que achassem de mim, que eu nunca conseguiria agradar a gregos e troianos, então que agradaria a mim, e então passei a ser feliz...

    =D

  1. Leila Franca
    31 de outubro de 2009 10:12

    Oi Mara, que bom ver você aqui! Obrigada, querida, pela sua participação. Realmente, se a gente ligar para o que dizem vamos arrancar os cabelos e em vão pois ninguém nunca ficará satisfeito.

  1. Principe Encantado
    31 de outubro de 2009 10:39

    Bem na verdade o que me inclino a cree é que, a maioria das pessoas tentam mostrar-se de alguma forma, como uma auto-afirmação, mostrar o que não é e sim aquilo que gostaria de ser.
    Quem é, é e não precisa de nada disto, simplesmente é.
    Abraços forte

  1. Leila
    31 de outubro de 2009 10:57

    Oi Príncipe, fico feliz em ver você aqui neste espaço. Sim, é o caso da amiga que me refiro neste artigo. Ela era naturalmente diferente e acabou preferindo viver em outra parte do mundo.

  1. Josy Nunes
    31 de outubro de 2009 11:19

    Cada pessoa é única e ímpar. Devemos usar e fazer o que gostamos, não importa o que pensem, o que digam ou o que falem, importante mesmo é estar de bem com a gente é estar feliz pois se todos aceitassem as normas e regras sociais todos seríamos iguais e o mundo seria bem chatinho né?

  1. Nêodo
    31 de outubro de 2009 11:46

    é... é um mundinho complicado esse em que nós vivemos.. né não??..

    bração e excelente post!!!!

  1. Leila
    31 de outubro de 2009 12:12

    Oi Josy, obrigada pela sua presença aqui. Ainda bem que somos diferentes. Seria muito monótono se fôssemos iguais. Cada um deve ser o que é pois se tentarmos satisfazer os outros vamos acabar muito frustrados.

  1. Leila
    31 de outubro de 2009 12:15

    Oi Nêodo, que bom ver você aqui no meu blog. De fato, acontecem coisas que ninguém espera que aconteçam mais. Penso que este caso da menina paulista acabará se tornando objeto de estudo nas universidades.

  1. Anônimo
    1 de novembro de 2009 01:14

    Eu gosto das diferenças, por isso acho essas condutas normais...
    JBCPOETA

  1. Josy
    1 de novembro de 2009 01:43

    Espero que goste de selinhos.

    Pois tem um selinho esperando por você la no meu blog passa lá..

    Bom feriadão e beijos no coração

  1. joselito bortolotto
    1 de novembro de 2009 11:37

    Normal, mas nem tanto. Entretanto no caso especifico da estudante houve excessos sim, entretanto a moça "forçou a barra" ...

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