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A verdade sempre aparece...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 by Leila Franca


Hoje, mais uma vez, iremos voltar no tempo. Iremos voltando até chegar ao início do século passado, precisamente numa casa simples de família numerosa. Na frente do quintal as crianças estão distraídas brincando até que percebem a chegada de um homem.

Vintage image of man with car

"Tio João!!!"- Beatriz o reconheceu de imediato e correu para abraçá-lo. O homem correspondeu ao abraço e exibiu um pacote embrulhado de jornal que trazia consigo: "E hoje lhe trouxe uma surpresa! Vamos entrar que já lhe mostro!"

A família inteira se reuniu na cozinha, enquanto o tio João desembrulhava solenemente o presente. Por fim pôde-se ver do que se tratava: era uma caixinha de madeira polida, como um cubo de uns 12 centímetros de altura. Ele mesmo - excelente marceneiro, a havia feito com capricho. As crianças pareciam decepcionadas.

Vintage image of children with musical instruments

"Vamos! Abra a caixa!" - disse João sorrindo para o pai de Beatriz que, como chefe da família, tinha o privilégio de ver o presente primeiro. As crianças se esticaram para espiar.

O pai de Beatriz puxou a tampa da caixa com o dedo indicador. A tabuinha deslizou e aí veio o susto: de dentro da caixa saiu uma cobrinha articulada, que estava enroladinha e que tinha na boca um pequeno alfinete que espetou de leve, mas rapidamente aquela mão que não sabia do segredo!

Ohhhhhh! Era uma "caixinha mágica"! Todos experimentaram a novidade, menos a tia Isabel, que resmungou dizendo que aquele era um brinquedo impróprio para as crianças.

Vintage image of girl

Mas a partir daquele dia, sempre que vinham visitas, Beatriz se encarregava de escolher uma "vítima" para a brincadeira. Para os que já conheciam o segredo, era o maior prazer enganar os novatos.

Entretanto, um dia a caixinha sumiu. Procura dali, procura daqui e nada de encontrá-la. Todos pensaram que tia Isabel a havia escondido, pois ela não aprovara a brincadeira desde o princípio e vivia pedindo ao pai de Beatriz que tirasse o alfinete da cobrinha. Mas tia Isabel batia o pé e dizia que não havia sido ela. E o mistério do sumiço da caixinha mágica ficou sem solução durante anos.

O tempo passou. Aquelas crianças cresceram e ficaram adultas. Beatriz já era uma mulher feita, quando foi visitar uma de suas amigas de infância, que havia se casado e tivera um bebê.

Vintage image of mother with baby

A visita foi alegre e cordial. Mas num dado momento, o esposo da jovem mãe apareceu com a novidade: "Vou fazer uma surpresa!" E se retirou para outro aposento.

Para a surpresa de Beatriz, quando o esposo de sua amiga voltou para a sala, trazia nas mãos a sua caixinha mágica! Ela ficou calada e participou da brincadeira, abrindo a caixinha com cuidado, pois já sabia do segredo. O rapaz ficou admirado. "Já tive uma caixinha igual a esta", explicou ela.

A jovem mãe baixou os olhos e Beatriz compreendeu quem havia escondido, há anos, sua caixinha mágica. E ela nada disse até ir embora. A verdade, enfim, havia surgido.

8 comentários:

  1. Solange e Alessandro
    21 de janeiro de 2010 19:52

    Nossa...
    Adorei...
    Bjs no Coração.

  1. concentrado
    21 de janeiro de 2010 19:53

    Leila, adorei o texto. Parabéns querida.

  1. LISON
    21 de janeiro de 2010 19:59

    Saudações!
    Que Post Fantástico!
    Amiga Leila, é sempre assim, quando ensaiam em esconder a verdade...Mas, pode se passar 1.000 anos e ela vira novinha em folha!
    Parabéns pelo excelente Post!
    Abraços,
    LISON.

  1. Luísa
    21 de janeiro de 2010 20:53

    Leila,

    Que história fantástica!
    A grande maioria das mentiras e segredos, por muito bem guardados que sejam, acabam por ser desvendados quando menos se espera.

    Adorei.
    Beijos
    Luísa

  1. Joselito
    21 de janeiro de 2010 20:55

    Nem sempre, as vezes a verdade morre ....em outros casos ela aparece, mas, ja nem causa mais indignação ... apenas uma leve surpresa.

  1. RobMaia
    21 de janeiro de 2010 21:47

    A narrativa está perfeita - como sempre -, deliciosa de ler. Poré, se me permite dizer,... o título não corresponde à realidade. A verdade 'às vezes' aparece. É assustador ver a quantidade de vezes - e isso vale para todos os contextos da vida - em que a mentira prevalece para sempre. Valeu mesmo, minha amiga. Beijos.

  1. Lilian
    22 de janeiro de 2010 14:01

    Olá querida amiga Leila,

    Já não me surpreedo com suas narrativas, sei que serão sempre formidáveis.

    Esta, não deixou por menos, é perfeita e deleitosa de ler, prendeu minha atenção e fiquei admirada com o final.

    Minha mãe dizia um velho ditado: “a mentira não é anã, mas tem as pernas curtas”.
    Há MENTIRAS e mentiras e depende muito da intenção. Pode ser boa (que é mais uma brincadeira do que mentira e não prejudica ninguém) ou má (esta, dita propositadamente com a intenção maléfica de prejudicar alguém)
    Mentir, nunca é bom, apesar de ser algo que o ser humano mais gosta de fazer, e o faz com maestria, mas envolve a questão moral, que deforma a honestidade.

    Tá vendo, amada, você e suas histórias mexem comigo e acabo sempre escrevendo um romance nos seus comentários.

    Amei.

    Carinhoso e fraterno abraço,
    Lilian

  1. Marcos
    22 de janeiro de 2010 17:34

    Gostei da caixinha,fiquei curioso até o fim,parabéns!

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