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Olho por olho, dente por dente

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 by Leila Franca


Acho graça quando alguém, distraidamente, diz assim: "Espera aí que vou escovar o dente!" ou "Só falta escovar o dente!" no singular, em vez de usar o plural, pois parece que a pessoa tem apenas 1 dente para escovar!

Na verdade somente quando alguém está com uma dor de dente dos infernos é que tem a sensação de que tem apenas um dente: aquele que está doendo! Não dá pra pensar em outra coisa, só naquele único dente. E aí, não tem jeito, tem que ir ao dentista, quer queira quer não.

woman feeling her tooth with her finger

Quando o dentista é bom, ótimo, mas já soube de alguém que foi ao dentista e este lhe arrancou o dente errado! Pobrezinho, o que fazer para resolver este problema? Só sentar de novo na cadeira e arrancar o dente certo!

Portrait of a male dentist holding a tooth with an instrument

Tive uma dentista bruxa. Conforme ia colocando isso e aquilo na minha boca, ela ia dizendo. "Agora só mais um pouco de pó de asa de mariposa... um pouquinho de essência de lua cheia...agora vou te espetar com uma espinha de peixe... só falta encaixar um olhinho de morcego aqui..." Eu me divertia cada vez que ia no consultório.

Vinyl Ready Art - Holidays

Nos Estados Unidos dentista é tão caro, que quando vi aquelas pinças e outros instrumentos odontológicos à venda no supermercado pensei que era para o povo se tratar sozinho, em casa, caso não tenha dinheiro para pagar um profissional. Aliás eu sempre levava susto quando via alguém com aquelas dentaduras de Halloween. O negócio parecia tão real que eu nunca sabia se era a dentadura de brinquedo ou se os dentes da pessoa eram daquele jeito mesmo! É horrível!

Man making face with fake teeth

Também já aconteceu com uma amiga que estava grávida quase precisar fazer o parto do seu próprio dente antes mesmo do nascimento de seu bebê. Calma, que vou explicar! Foi o seguinte: ela possuía um dentinho da frente postiço, mas o trabalho para a colocação deste pivô tinha sido tão bem feito que ela até mesmo esquecia que ele estava lá. Mas um belo dia, sentindo aquela fome incontrolável que só as grávidas têm, lá se foi ela atacar um pão doce com a maior dentada que pôde.

Young woman eating a piece of a croissant

E foi aí que aconteceu: na segunda mordida, sentiu que alguma coisa estava faltando em sua boca! Passou a língua e no lugar do pivô havia um enorme buraco! Ela havia engolido o dente! Veio todo mundo correndo ajudar. Um trouxe um copo dágua, outro telefonou pro médico, pra maternidade, alguém começou a abanar, veio até o marido! Toca todo mundo pro hospital.

side profile of a doctor giving a pregnant woman an ultrasound scan

"Agora, além do bebê, há também um dente em sua barriga! ", disse o médico. Nem pensar em raio X. Não havia perigo do dente espetar ou até mesmo morder o bebê. Mas, com certeza, o dente nasceria primeiro que a criança, que até então não tinha companhia. E passou-se poucas horas até que o dente finalmente nasceu - num penico!

Mas minha amiga pelo menos sabia onde o dente estava. Pior foi uma outra amiga, já uma senhora, que jamais sabia onde havia colocado sua prótese, que ela tirava com frequência, para o horror de seus parentes.

Uma vez, fazendo um piquenique na praia, minha amiga farofeira esqueceu sua prótese na areia. Já estava a caminho de casa quando seu marido a avisou de que estava banguela. Todos tiveram de voltar para a praia para procurar os dentes de minha amiga, mas alguém já estava ocupando o lugar onde a prótese poderia ter sido deixada.

Teenage boy and three girls (15-18) lying on beach, rear view

"Oi querida, será que você poderia levantar daí um pouquínho?" - disse minha amiga para a garota de fio dental estirada na areia. A garota levantou e minha amiga sacudiu sua toalha sem cerimônia. Os seus dentes postiços lá estavam enganchados!

Da última vez, minha amiga tirou sua prótese numa festa. Não havia muita luz, então ela aproveitou para comer sem aqueles dentes de plástico. Mas nesta ocasião ela só se lembrou dos dentes no dia seguinte. E aí foi o problema. O evento havia acontecido numa casa de festas alugada para tal fim. Como ela poderia obter seus dentes de volta?

Foi até a casa e pelo portão pôde ver que não havia ninguém. Mesmo assim tocou a campainha até que um empregado sonolento veio atender a porta. "Sabe o que é, senhor? É que eu esqueci um objeto ontem na festa..." (ela não teve coragem de dizer que eram os dentes). O homem foi simpático e mandou que entrasse. "Pode procurar, ainda não fizeram a limpeza! O que perdeu? Quer que eu lhe ajude a procurar?" Minha amiga arregalou os olhos: "Nãããããoooo! Não precisa! É muita gentileza sua, mas eu mesma procuro! É só um objeto. Um objeto, entende?"

Medical Still Life

Ela entrou apressada e começou a remexer os copos plásticos e guardanapos espalhados sobre as mesas. Não demorou muito e encontrou seus dentes dentro de um copinho amassado. O homem ainda se esticou pra olhar o que era, mas minha amiga foi rápida, guardou os dentes dentro da bolsa e foi embora para casa.


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Selo "Mundo Melhor"

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009 by Leila Franca


Recebi o selo Mundo Melhor do meu querido amigo Príncipe, que me deixou muito feliz. Realmente desejamos um Mundo Melhor não somente para nós mesmos, que vivemos aqui hoje como também para os nossos filhos e para quem vier habitar esta Terra depois de nós.

Gostaria de indicar este selo para quem está hoje, de certa forma, lutando por um Mundo Melhor, através de suas postagens dessa semana, cada um do seu jeito, cada um com sua linguagem:

1) Denize (http://bobagenseemocoes.blogspot.com/) - se não fosse ela eu não recebia selo nenhum, pois foi ela quem me ensinou a pegar selinho...rs

2) Sissym (http://www.dihitt.com.br/usuario/Sissym ) - depois dessa semana dando uma força para o rapaz baleado, ela merece o selinho Mundo Melhor.

3) Ebrael (http://nonsenseloucosefelizes.blogspot.com/) - com sua visão crítica e bem humorada, tentando colocar os pingos nos is.

4) Franck (http://franckpl.blogspot.com/ ) - que vem brigando por seus direitos e aquilo que é justo

5) Janilton (http://nunesjanilton.blogspot.com/) - que entrou na briga junto com o Franck

6) Rosana (http://saudadeeadeus.blogspot.com/ ) - sei que já ganhou o selo, mas vai ganhar de novo pela sua coragem e seus 17 gatos

7) Luísa (http://www.arte-e-manhas.com/ ) - que está sempre presente, com sua sensatez

8) Drauzio (http://drauziomilagres.blogspot.com/ ) - com seus temas importantes

9) RobMaia (http://thirinhas.wordpress.com/ ) - com suas tirinhas vai direto no ponto

10) Rose Nakamura (http://orientalfotosflores.blogspot.com/ ) - depois de sua experiência operária, ela merece uns 50 selos.

Agora as regrinhas:

1. Postar as principais coisas que você faz para cuidar do meio ambiente.

- ajudo animais abandonados a encontrar um lar digno
- tenho mania de reciclar tudo (potes, tampas, papel, garrafas etc)
- faço a minha separação de lixo (óleo, pilhas e baterias, papel e papelão, plásticos)
- não jogo lixo no chão, não levo cachorro à praia, brigo pra não cortarem uma árvore
- economizo água

2. Repassar para mais dez amigos, dando o link de quem lhe indicou.




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Quando o ladrão se dá mal

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 by Leila Franca


Uma amiga me contou que no dia de sua mudança, de uma casa para outra, um fato inusitado aconteceu. Sua família havia passado o dia inteiro desmontando móveis, empilhando caixas e enchendo um caminhão. A noite chegou e ainda não haviam terminado, mas já estavam cansados demais para continuar. Faltava levar pouca coisa: várias gavetas vazias, que ficaram empilhadas num dos quartos, o estrado de uma cama, o esqueleto de um armário, caixas com livros didáticos e aqueles cacarecos que niguém sabe onde guardar e que sempre sobram no final de uma mudança.

Moving Boxes in a Living Room

A família resolveu dormir no chão de um dos quartos, com alguma roupa de cama que haviam reservado para forrar o assoalho e continuar a mudança no dia seguinte. Entretanto, com o movimento da mudança, as duas garotas, filhas do casal, não conseguiram dormir logo. Ficaram acordadas até tarde conversando. Uma delas, ainda estava tentando dormir, quando ouviu um barulhinho vindo da cozinha. Com o ouvido tão perto do chão, ela ouviu os passos no piso de madeira. Ficou quieta.

Aquelas pisadas, que ora se afastavam ora se aproximavam, entrou no quarto onde a família quase toda dormia. E foi assim, pela claridade da luz da rua, que entrava pela janela sem cortinas, que a garota viu os pés e parte das pernas do ladrão, que deu meia volta no quarto e saiu.

Briefcase and Legs

No dia seguinte ninguém parou de comentar. Um ladrão havia sim entrado na casa, por uma janela esquecida aberta, mas não deve ter entendido nada do que viu. Possivelmente pensou: que casa estranha! Pilhas de gavetas sem nada dentro, cozinha sem fogão, sem geladeira, quartos sem camas e uma família inteira dormindo no chão da casa bacana. Não roubou nada, pois não havia o que roubar e saiu da mesma forma com que entrou!

Algo parecido aconteceu na minha casa. Minha irmã havia chegado tarde de uma festa e ainda não estava dormindo quando viu duas mãos chapadas no vidro da janela de seu quarto. Sem fazer barulho, ela saiu da cama e foi engatinhando pelo corredor comprido até o quarto dos meus pais. Acordou meu pai e ele foi até o quintal, sem fazer barulho, levando consigo as bombinhas em forma de palito de fósforo que guardava para este tipo de ocasião.

Waking up early

No quintal, meu pai viu o ladrão escondido atrás de um barco que havia comprado para reformar. No chão, estavam os remos. Meu pai se aproximou do ladrão por trás, sem ser visto, e com um dos remos, deu uma "palmada" no indivíduo, que tomou o maior susto e saiu correndo. Meu pai soltou umas duas bombinhas cujo ruído se parece com tiros de arma de fogo, para garantir. No dia seguinte, descobrimos que, na fuga, o ladrão deixou cair seus documentos e pôde ser identificado.

Mas isso tudo foi num tempo que os ladrões não eram tão brabos quanto os atuais. Mas os de hoje também podem se dar mal. Não faz muito tempo que eu estava num ônibus atravessando a ponte Rio-Niterói. Lógico, nessa pista não temos nenhuma parada em seus quase 14 quilômetros e dos dois lados só há o mar. No último ponto, antes do ônibus começar a atravessar a ponte, um grupo de pivetinhos e pivetões entrou.

Mal começamos a cruzar a baía, os garotos anunciaram o assalto. O mais velho parecia ser ainda menor de idade, uns 16 ou 17 anos, e o mais novo devia ter uns 7 ou 8 anos. Em silêncio, os passageiros entregaram suas carteiras, relógios e objetos de valor, inclusive eu, enquanto o ônibus seguia o seu caminho. Todos os objetos roubados iam sendo guardados numa mochila, que o menorzinho deles carregava.

Backpack

O grupo de ladrões ficou alguns minutos na frente do ônibus, controlando os passageiros até que o veículo terminasse a travessia. Quando os pivetes saíram do ônibus, os passageiros suspiraram aliviados, mas foram logo interrompidos por um homem que estava sentado na primeira poltrona lá na frente, que começou a rir alto: o pivetinho havia esquecido a mochila no ônibus!

Além de cada um pegar de volta o que era seu, ainda haviam outros objetos possivelmente de outros roubos, que foram entregues ao motorista.

Abaixo, um vídeo de um ladrão que também se deu mal. É muito engraçado. Vale a pena ver.


Vídeo: lodelahiti

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Um barco e uma aventura

sábado, 5 de dezembro de 2009 by Leila Franca


"Não é porque moro no interior, que tenho que gostar de cavalo, de boi e de cheiro de estrume", disse uma amiga minha há pouco tempo. E eu pensei: realmente, o fato de eu morar perto da praia não quer dizer que eu tenha que gostar de barco ou de mar. Aliás, detesto barcos de qualquer tipo.

Desde o tempo que eu era bandeirante e o grupo foi convidado para um passeio num barco da Marinha, passei a detestar viagens marítimas. O problema não foi exatamente o barco ou os marinheiros, mas sim a tempestade com ventania que caiu durante o passeio, formando ondas enormes e fazendo a embarcação balançar pra frente, pra trás, para um lado e para o outro.

Ferry

Tivemos que ficar na parte de baixo do barco e a visão do mar pela janelinha não era nem um pouco amigável. Entre raios, relâmpagos e trovões, víamos um mar crespo cinza escuro de meter medo. As ondas vinham, cobriam as janelas e por alguns instantes a vista da janela era do fundo do mar e eu tinha a sensação de que o passeio era mesmo de submarino.

Submarine

Houve também uma vez, que eu peguei um aerobarco para atravessar a baía de Guanabara e chegar mais rápido ao centro da cidade. Estava chovendo e o mar, novamente, cinzento. Eu estava grávida de quase 9 meses. Era a última consulta do pré-natal antes de ter o bebê. No meio da baía, bem perto da ponte Rio-Niterói, sentimos um cheiro de fumaça e não deu outra: o barco parou. Uma outra embarcação veio nos resgatar poucos minutos depois. Quando a porta do barco abriu, fiquei besta de ver como os homens correram na frente para sair primeiro.

Thinkstock single image collection

Quando chegou a minha vez de sair é que fui ver o tamanho do barco que veio nos resgatar. O degrauzinho que eu teria de subir com aquele barrigão de 9 meses ia de 50 cm a 1,20m mais ou menos porque os dois barcos não paravam de balançar e obviamente não balançavam sincronizadamente. Enquanto um subia o outro descia e por isso o outro barco ficava mais baixo ou bem mais alto. Não tinha jeito de ir para o outro lado. Olhei em volta e vi que do aerobarco que eu estava saía um rolo de fumaça preta. O pior é que um aerobarco não foi feito pra gente andar do lado de fora, então não havia lugar para pisar ou para se segurar.

Um marinheiro, do outro barco, estendeu as mãos para me alcançar. E assim ele me suspendeu pelos braços e eu fui para o outro barco. Quase tive o filho ali mesmo.

Pregnant Woman in Hospital Room

Por causa dessas e outras aventuras, eu sempre preferi ver o mar nas manhãs claras de sol, na maré baixa. Perto da praia onde eu morava havia uma ilhota que tinha apenas uma casa com um pinheiro alto exatamente no meio. Era uma ilha particular. Quando eu tinha uns 15 anos, eu e minha amiga Lúcia descobrimos que batendo com uma pedra num poste de ferro exatamente três vezes, um barco saía da ilha e vinha até a praia. O poste era a "campainha" da ilha. Várias vezes eu e Lúcia batemos no poste e saímos correndo.

Às vezes saíamos nadando e chegávamos bem perto da ilha, mas nunca fomos até a casa, que parecia estar sempre fechada. Alguém nos dissera que lá só ficava o caseiro. Entretanto, gostávamos de ver a ilha da praia e imaginar seus mistérios. Até um dia, eu já com os meus 18 anos, fui convidada para ir a uma festa nesta ilha. Como eu ia perder esta festa? É lógico que eu vou!

An island property

Comidas, bebidas e convidados iriam em seus barcos até a ilha. Arranjei uma vaga num barco pequeno, quase um bote. Cada um levaria alguma coisa para festa. Minha amiga Gelita levaria as empadinhas. Eu resolvi fazer brigadeiros. Passei a tarde enrolando os brigadeirinhos, morrendo de vontade de comer, mas deixei tudo para a festa. A mãe da Gelita fez aquelas empadinhas maravilhosas, que só ela sabe fazer.

Tudo pronto, fomos para a praia encontrar nossos amigos. Todo mundo arrumado e o barco balançando na beirada do cais. Devia ser umas 9 horas da noite. O barco só aguentava cinco de cada vez. Então fui eu, Gelita e mais 3 amigos que iam remando (não tinha motor não!). Cada um levava uma bandeja com as comidas. As bebidas teriam que ir em outra viagem.

Thinkstock Single Image Set

Eu não largava a bandeja de brigadeiros, que planejei comer pelo menos a metade. As empadinhas da Gelita também eram imperdíveis. A gente morrendo de fome, mas não comemos nada antes, pois queríamos que tudo ficasse para a festa.

Dois rapazes foram remando até certo ponto, mas quando estávamos mais ou menos no meio do caminho até a ilha o que não estava remando resolveu remar um pouco e eles tiveram que trocar de lugar. Foi aí que aconteceu o acidente...

Kayak paddle in turbulent water

No fundo do bote havia uma rolha enorme, de uns 10 cm de diâmetro. O rapaz quando se levantou pisou na rolha e ela saiu do lugar, indo pra debaixo do barco! A água começou a entrar com vontade por aquele buracão! Um dos rapazes pulou na água pra tentar achar a rolha e tampar o buraco, mas no escuro foi impossível. Eu, Gelita e os outros dois tivemos que pular na água também porque o dono do barco queria tentar segurar o barco para que não fosse para o fundo.

Quase chorei quando vi os brigadeiros e as empadinhas desaparecendo na água... Eu e Gelita tiramos os sapatos e começamos a nadar de roupa e tudo. Naquele escuro e dava o maior medo... Chegamos na praia morrendo de frio. Os rapazes ainda ficaram um pouco lá na água tentando salvar o barco. Desistimos da festa e voltamos para casa para tirar aquela roupa molhada.

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Pra onde este avião está indo?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009 by Leila Franca


Duvido que alguém vá fazer uma viagem de avião e não sinta nem um pouquinho de stress. Toda aquela coisa de preparar mala, não esquecer nada, ficar atento aos horários, não perder as passagens, tudo isso cria um pouco de nervosismo. E se pelo menos a gente sentasse na poltrona do avião e pudesse relaxar até a hora do desembarque, mas são raros aqueles que conseguem fazer isso. A maioria fica mesmo é rezando enquanto faz de conta que está tranquilo e finge o sorriso.

Man running across clock to city made of computer towers

Quando a gente tem que viajar com criança então, nem se fala. Além de todo o stress normal, ainda temos que prestar atenção na garotada, contar historinha pra distrair, principalmente porque as crianças não mudam o comportamento só porque estão dentro do avião. Querem correr, pular, ir no banheiro na hora que não pode, choram, esperneiam, batem com as coisas na cabeça de quem está sentado e tudo mais.

Aquela técnica da aeromoça de cochichar no ouvido da criança dizendo que quem fizer bagunça vai ter que ficar do lado de fora funciona a maioria das vezes. Mas não é sempre que isso dá certo. Com bebezinho não há conversa que dê jeito.

Young Boy Standing on Seating During a Aeroplane Flight

Me lembro que uma vez estava voltando para o Rio de Janeiro sozinha com os meus três filhos ainda pequenos. O mais novo, ainda um bebê de uns 6 meses, um com 7 e outro com 8 anos. Quando estava pertinho da hora da gente começar a se levantar das cadeiras do saguão do aeroporto pra entrar na fila e embarcar, senti aquele cheirinho. O neném tinha feito cocô.

Fiquei só imaginhando como é que eu ia trocar a fralda dele naquelas cadeirinhas do avião e quanto tempo ainda ia ter que esperar até soltar o cinto de segurança. Então achei melhor ir no banheiro do aeroporto e trocar as fraldas. Ia ser rápido! Mas só quando cheguei no banheiro é que vi que a coisa estava feia: "Nossa! O que esta criança comeu??? Uma panela inteira de brigadeiro???" Não havia um lugar que não tivesse sujo! Era o traseiro, as costas, as pernas e até o calcanhar! Ia ter que tomar banho! Trocar a roupa toda! Começei a pegar toalhinhas de papel umedecido e a limpar, limpar, limpar... acabei com a caixa inteira!

Portrait of a Baby Lying on a Bed

Os meus outros dois filhos mais velhos não paravam quietos e enquanto eu estava lá dando banho francês no neném tinha que ficar chamando e gritando pelos outros dois. Quase não ouvi a pessoa falando no microfone, avisando que era a última chamada para o embarque. Saí correndo com o bebê no colo e os outros dois atrás, correndo também.

Corri em direção da primeira porta com dois recepcionistas sorridentes, continuei correndo por um corredor comprido e entrei no primeiro avião que vi pela frente! Mal sentei e já estava na hora de colocar o cinto porque o avião ia partir!

Airplane docked at gate

Nesse momento, meu bebê pegou a chupeta com a mãozinha e a jogou longe e em seguida ameaçou chorar. Eu me revirei toda pra pegar minha bolsa onde tinha um saco com umas 10 chupetas reserva. Peguei logo outra e consegui colocar a chupeta na boquinha do neném antes que ele começasse o choro. Meu filho mais velho já ia tirando o cinto pra pegar a chupeta do chão e enquanto eu dizia a ele que não podia tirar o cinto, o neném pegou a segunda chupeta e jogou pro outro lado. Lá fui eu catar mais uma chupeta, enquanto o avião corria na pista.

Com medo do neném jogar longe todas as 10 chupetas, começei a procurar um brinquedo qualquer, mas tinha ficado tudo na mala e a única coisa que encontrei pra distrair o neném foi uma colher de pau, que estava na minha bolsa. Fiquei pensando: "Meu deus! O que essa colher de pau está fazendo na minha bolsa???"

Mas o meu neném adorou brincar com a colher de pau, deixando os passageiros curiosos a cerca daquele interessante brinquedo que eu tinha levado pra distrair a criança.

Infant Holding Wooden Spoon

Foi só quando a gente já estava vendo as nuvens de pertinho em pleno voo, que eu me dei conta de que ninguém tinha me pedido um único papel pra eu entrar naquele avião! Naquela correria, eu fui entrando na primeira porta, no primeiro avião... Não me lembrava de ter mostrado meus documentos a uma pessoa sequer. Será que já sabiam que faltava uma mulher e três crianças?Ou será que deu branco? Até hoje não lembro de ter mostrado nada a ninguém.

Então começou o meu terror. Olhei primeiro para o próprio avião... que avião grande! Quantas fileiras de cadeiras tem aqui? É passageiro até não poder mais! Tudo estrangeiro. Não via ninguém falando em português e nem em inglês! Mas pra onde que este avião está indo??? Será que estou no avião certo? E se eu estiver no avião errado? Vou parar em outra cidade com as crianças!

Young woman looking downward, close-up

O pior é que as bagagens com certeza estão no avião certo! O que é que eu ia fazer em outra cidade sem bagagens e 3 crianças??? A aeromoça passou mas eu não tive coragem de perguntar a ela pra onde o avião estava indo. Ia achar que eu estava maluca. Meus dois filhos mais velhos me puxavam pra eu ver uma nuvem e eu dava aquele sorriso forçado porque estava numa preocupação horrível de estar indo pra longe de casa. Voltando de viagem, eu nem tinha comigo muito dinheiro. E quando chegasse a hora da mamadeira??? Pelo menos eu tinha a colher de pau!

Mas foi a viagem dos infernos. A preocupação na minha mente não parou um segundo. Quando o avião começou a descer, eu estava até com medo de olhar pela janela e ver uma paisagem estranha em vez do aeroporto perto da minha casa! Mas me enchi de coragem e olhei: era o meu lugar! Estava em casa!

Jet airplane landing



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Os ladrões e os dobermanns

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009 by Leila Franca


Era um dia de verão como o de hoje. Eu tinha dado um mergulho na piscina e ainda estava usando um biquini no meio da tarde. Não havia ninguém em casa a não ser por Nevaski - um dobermann gigante que se deitava aos meus pés enquanto eu estava sentada na minha mesa de trabalho.

De repente, ouvi um ruído familiar: "pim!!!" Era o barulho de alguma coisa batendo no cano de ferro que sustenta o balanço das crianças no quintal. Este barulho não se fazia sozinho, por si mesmo. Tinha que ser alguém!

Child'S Swing

A certeza da presença de alguém do lado de fora aconteceu quando Nevaski, de pronto, se sentou. Eu podia ouvir o som "Rrrrrrrr....Rrrrrrr..." do seu rosnado ameaçador. Não pensei duas vezes. Fui lá fora e Nevaski me acompanhou.

Fui direto no lugar de onde tinha vindo aquele som do balanço, segurando o dobermann pela coleira justa ao pescoço. Eu não tinha errado: quando cheguei no quintal dei de cara com dois homens de bermuda e sem camisa. Parei a uns 2 metros de distância e Nevaski assumiu sua posição de ataque.

"O que vocês estão fazendo aí?" - era a adrenalina fazendo a pergunta sem nexo. Os homens não tiravam os olhos do cachorro. Um deles respondeu: "Nada não". Eu continuei: "Saiam já daqui. Vão embora!" Eles fizeram que iam sair pelo portão de entrada. Eu estava no caminho e não permiti a passagem: "Saiam por onde vocês entraram!". (Foi maldade minha, pois o muro era muito alto. Fácil de descer e difícil de subir).

Doberman Pinscher

Nevaski ajudou: com uma careta medonha, exibiu todos os seus dentes para os ladrões, rosnando alto até que explodiu num latido de assustar o demônio! O dobermann me arrastou enquanto os homens se ralaram pulando a muralha!

Refeita do susto, fiquei pensando o que teria sido de mim se não fosse aquele cão.

Doberman pinscher barking, chained to fence (Digital Enhancement)

A mesma coisa teve um final diferente quando aconteceu na casa de um amigo. Ele tinha 6 dobermanns e vários gatos, que se davam muito bem com os cães. Assim, numa tarde em que os cachorros estavam no fundo do quintal e os gatos dormiam no muro da frente, um indivíduo olhou para casa e, vendo os gatos se espreguiçando, deve ter pensado: esta casa não tem cachorro. Sendo assim, ele entrou pelo portão da frente, que nunca ficava trancado.

A casa, encostada nos dois lados do terreno, não tinha passagens laterais. Então o homem olhou para o quintal da frente e conferiu o que ele havia pensado anteriormente: nem sombra de cachorro. Estava então à vontade para procurar coisas de valor.

O que o homem não sabia é que o meu amigo, arquiteto engenhoso, havia construído um "viaduto para cachorros" sobre a casa. Uma espécie de ponte, que dava aos cães acesso ao telhado, de onde eles podiam vir dos fundos para a frente do terreno, sem passar por dentro da casa. E este sujeito deve ter passado o inferno quando viu os 6 dobermanns vindo correndo em sua direção pelo telhado!

Group of Dobermans running against white background

A sorte foi que o meu amigo abriu a porta da sala e chegou junto ao homem antes dos dobermanns. Com um comando, os cães interromperam a investida. Enquanto os 6 dobermanns se esforçavam para obedecer o dono e os gatos se aborreciam com tanto barulho, meu amigo teve uma conversa com o invasor, que se justificou dizendo-se desempregado e desesperado.

Dias depois, meu amigo conseguiu um emprego para o sujeito.


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Um carinha detonando!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009 by Leila Franca


Foi escondido nos comentários do artigo "Um baterista de quatro braços" que encontrei alguém que dizia "...conheça o meu amigo Gui de 12 anos, o carinha detona.." Uma curta mensagem que representava o password de uma grande história. Agora pergunto: como poderia permanecer oculto algo que é predestinado a aparecer?

Todos sabem que admiro aqueles que vão em direção aos seus próprios limites e fazem o melhor. Assim, procurei saber mais sobre o Gui e assisti ao vídeo em que este garoto de 12 anos acompanha na bateria o grupo de músicos adultos. Logo aos 12 anos, na idade da adolescência e das inseguranças, senti firmeza no Gui. Da mesma forma que os maiores músicos, lá estava ele, concentrado e mergulhado em sua música.

Drum kit

Guilherme, o Gui, que nasceu em 1997, em São Paulo, cresceu numa família de músicos. O pai, baixista. Tios e avós no lado paterno, também músicos. Por parte de mãe, avô e bisavô - dois maestros! E assim o fruto da união dessas duas famílias só poderia resultar num prodígio.

Quando criança, o Gui brincava ao som da música que seu pai tocava com os amigos e aos 5 anos começou a aprender a tocar bateria. Hoje aos 12, sabe ler partituras, mas o ouvido apurado o faria tocar de qualquer maneira.

Mas não é apenas isto: Gui também está aprendendo a montar e a pilotar aviões! Além de baterista, ele quer ser piloto e engenheiro aeronáutico. Grandes sonhos e o que eu vejo é que ele terá um futuro brilhante pela frente.

Agora quando penso no comentário que deu origem a este artigo, vejo o quanto estava certo. Realmente, Gui é um carinha que detona!

Abaixo, temos o vídeo do Gui pilotando um avião...


... e tocando bateria!


Vídeos: alexnavajo

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