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A era do computador dentro de casa

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009 by Leila Franca


Eu percebi que algo havia mudado no mundo quando perguntei ao meu filho o que ele queria ganhar no aniversário e ele respondeu: "Uma placa!" E eu fiquei incrédula. Aquilo não era presente! "Uma placa??? Como assim?", mas era tudo que o garoto queria.

Green Computer Motherboard With Microchips And Red Dots

A era do computador tinha chegado lá em casa. Na verdade a coisa começava toda manhã, na hora de varrer a sala. Tinha que ter duas pessoas: uma segurando os fios que brotavam da parte de trás do computador e outra varrendo. Aliás, também tive de destinar boa parte da estante da sala, duas portas pelo menos, para servir de "cemitério". Lá eu colocava os monitores que ficaram verdes de repente, os teclados travados por biscoito, uma quantidade imensa de fios que eu não sabia nem pra que servia e dúzias de placas, antigos disquetes e CDs de todos os tipos.

Computer Servers and Cables

A coisa não parava aí. No início era apenas aquela mesinha com o computador num cantinho da sala, mas o espaço na casa destinado ao computador cresceu de um jeito, que agora cada quarto tem uma mesa grande com um computador diferente, todos interligados em rede. Entretanto, houve algo que não mudou: quando chega de manhã, cada uma dessas mesas está uma bagunça tão grande, que não dá pra acreditar. São 5 ou 6 copos vazios, cinzeiros transbordando, dezenas de canetas, caixas de fósforo, papéis, CDs, roupas, pacotes vazios de biscoito, papel de bala, pilhas, chave de fenda - tem de tudo!

Crushed Plastic Cup with Crumpled Paper and Computer Keyboard

Se sacudir o teclado no ar, cai uma chuva de fragmentos, se não cair junto as próprias teclas. É pior que sofá depois de festa. Se for olhar debaixo do mouse - nossa! Parece pescoço de garoto depois da partida de futebol. Sem falar naqueles padmouses, que quando velhos ficam um horror!

Além de todos estes inconvenientes, ainda nos deparamos com verdadeiros desafios à nossa paciência. Por exemplo: eu já sei, de antemão, que minha impressora vai travar exatamente na hora que eu tiver de imprimir o recibo do meu imposto de renda. As impressoras parecem estar sempre conectadas ao nosso emocional. Defendo a teoria de que esses eletrônicos de alguma forma conseguem captar nosso estado de espírito.

Extremely frustrated businesswoman gesturing and sitting with laptop on table, side view

Mas a gente não desiste. Uma vez comprei um mouse sem fio que custou caro demais: dava pra comprar uns 4 dos comuns. Mas o mouse sem fio era um inferno. Além de me criar uma tendinite porque era pesado demais, ainda ficava sem pilha nos momentos mais inconvenientes!

Meu monitor, atualmente, é extremamente sensível. Ele desliga cada vez que meu cachorro se coça embaixo da mesa. E não liga de novo não!!! Eu não falo nada dos gatos. Afinal eles não têm culpa de pisar exatamente na tecla Ctrl e assim deixá-la presa, grudada no fundo do teclado, criando a sensação de que meu computador foi invadido por um vírus terrível.

Young man petting cat while talking on cell phone in domestic kitchen

Apesar de tudo, gostamos tanto do computador, que damos aquele sorriso sem graça quando chega uma visita e a gente tem que largar uma mensagem no meio da digitação. O pior é quando a visita se senta na nossa cadeira de rodinhas e simplesmente toma para si o nosso próprio computador! (E parece que não se levantam nunca!!!)

E quando a gente está bem no meio daquele jogo legal, mas precisa se levantar e sair do computador exatamente as 5h da tarde porque tem um compromisso... A hora passa rápido e nada do jogo terminar! Você pensa: "Dá pra se arrumar em 15 minutos" e continua jogando... 5h15 chega logo e você começa a digitar em pé... 5h20 não tem jeito: se não sair agora não vai dar tempo! 5h25 save game... 5h30 aperta reiniciar sem querer... 5h35 "Acho que dá pra ir sem tomar banho..." 5h40 "Cadê a chave!!!"

Businessman eating and using laptop

E todo dia começa tudo de novo.

20 comentários:

  1. João Seixas
    30 de dezembro de 2009 16:54

    Muitooo boommm!
    Li o texto rindo o tempo todo. É exatamente o que acontece!!

  1. Iит€я€รรǺитт€
    30 de dezembro de 2009 17:26

    Muitas cenas relatadas descreveram momentos da minha vida!

    Muito bom, ri demais xD

    Grande Abraço!

  1. Solange e Alessandro
    30 de dezembro de 2009 17:43

    Menina isso é incrivel, bela postagem, imagine como me sinto com uma filha de quase 7 anos que as vezes me da baile no computador, bem o pai trabalha com isso e sempre incentivou a menina desde pequeno, aqui ja rolou de presente primeiro a banda larga porque...Pai sem internet o pc não tem graça... Depois, pai sem webcam a internet não tem graça...Pai sem dispositivo de cartão de memoria não tem graça...E vai rolando os presentes, pai esse monitor tipo tv não se usa mais quero um monitor fino de presente... E estamos no mesmo barco... Pai em fevereiro no meu aniversário bota mais memória aqui que isso ta uma tartaruga... 6 anos hein... Eu tenho pena das crianças que não tem essa oportunidade do computador em casa, a Bê na escolinha publica neste ano teve aula de computador... Ajudou a professora a dar aula e ajudou as aluninhas a aprenderem... Pai nem o mause elas sabem usar! E, olha que não somos ricos não hein o pc veio com 27 prestações que por conhecidencia acaba em fevereiro no aniversário dela. A Era do computador é assim mesmo, panela no fogão e eu aqui no seu blog. Natal correria e corria ao pc postando o especial que lá rolou. Nossa tomei todo seu espaço Amiga; Você é muito especial suas postagens são maravilhosas e lhe desejo tudo de bom neste 2010 que inicia-se. Bjs Leila

  1. Luisa L.
    30 de dezembro de 2009 17:50

    Leila,

    Estou morta de tanto rir! Até parece que estás a falar da minha casa e da minha gente! rsrsrs

    Para mim os piores momentos são mesmo os da limpeza. Cá em casa há até teóricos que defendem a sujidade dos cabos! rsrsrsr

    Excelente narrativa!

    Beijos
    Luísa

  1. Joselito
    30 de dezembro de 2009 18:47

    Grande Leila, ruim com ele, e muito pior sem ele, não sabemos mais ficar sem ele. Viche.

  1. JORNALISMO ANTENADO
    30 de dezembro de 2009 19:48

    Minha querida Leila.. simplesme AMEIIIIIII o texto, porque é assim mesmo...num tem um só dia que minha mãe não reclame de xícaras e copos sumidos,pratos fora do lugar,guardanapos amassados...tudo se encontra onde?!rs Em cima da mesa do pc ou ao redor dela...kkkkk Fazer o que se às 2 da madrugada quando estamos aqui postando ou comentando ,dá aquela vontade de tomar uma xícara de café fresquinho?!rsrs
    Confesso que sinceramente não vivo mais sem um computador conectado a internet..rs

    Beijos minha querida e um FELIZ ANO NOVO, SAÚDE, PAZ AMORRRRR E MUITA FELICIDADE!

  1. Principe Encantado
    30 de dezembro de 2009 19:50

    Leila ótimo estou me acabando de rir.
    Abraços forte

  1. RobMaia
    30 de dezembro de 2009 20:13

    Leila, agora fiquei mais tranquilo: pensei que eu fosse o único porcalhão da informática e que somente a minha mesa juntava lixo; e que só o meu mouse acumulava uma goma escura embaixo. Ah, agora já não estou sozinho. Valeu mesmo. Belíssimo texto. Parabéns por trabalho tão original e bonito. Com muita habilidade, você sempre mostra que criatividade ainda existe - e eu creio que sempre existirá. Adoro seus textos. Um abraço!

  1. LISON
    30 de dezembro de 2009 20:39

    Saudações!
    Que Post Fantástico!
    KKKKKKKKKKKKKKKKKK
    Amiga Leila, às vezes ainda ensaio imaginar aonde você vai acionar esta usina de criatividade, mas, me perco!
    O melhor é que você retrata tão fielmente que nos sentimos fazendo parte de todos esses fatos acontecidos e vividos diariamente.
    Parabéns pelo excelente Post!
    Desejo-lhe um 2010 coroado de mais vitórias, com muita saúde, dinheiro no banco, no bolso e paz em Seu Bondoso Coração, que assim seja!

    Boas Festas e
    Feliz Ano Novo!
    LISON.

  1. Lilian
    30 de dezembro de 2009 21:01

    olá querida amiga Leila,

    Seu texto é maravilhoso, e como é verdadeiro.
    Como o Rob, já me sinto melhor sabendo que não sou só na bagunça.
    Tem papel de Entidade, tem da Igreja, tem dos netos, até brinquedos ficam na mesa do computador.
    Ri mais ainda quando falou dos teclados. Além do neto derrubar tudo que come, pois fica grudado no computador e gosto de dar comida na boca enquanto joga, porque daí ele come bem, sem perceber. Sei que não é o certo, mas como ele não come nada na casa dele, forço a barra aqui em casa, eu também acabo lanchando aqui, para poupar tempo e poder ficar mais no Dihitt.

    Dias atrás, comprei um baratinho, mas vou ter que trocar. As teclas estão tão duras, que sempre fica falhando alguma ou trocando letras, pois as teclas são mais juntinhas do que o teclado anterior.

    Fascinante sua forma de narrar. Parabéns!

    Feliz 2010!
    carinhoso e fraterno abraço,
    Lilian

  1. Helio Y.
    30 de dezembro de 2009 21:45

    Idêntico aqui em casa também, o mais impressionante é que falo com meus filhos mais pelo MSN doque ao vivo, e olha que estamos separados apenas por duas portas (a do meu quarto e a do quarto deles, que por mera coincidência, sempre estão fechadas).
    Muito bom o texto mesmo, parabéns!

  1. ElcioFernando
    30 de dezembro de 2009 22:32

    Excelente texto. Adorei! Creio que na maioria das residências seja assim. O computador é o centro das atenções e desatenções, rsrs.
    Abçs.

  1. Principe Encantado
    31 de dezembro de 2009 09:54

    Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos,
    não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos.
    Miguel Unamuno

    De repente, num instante fugaz, os fogos de artifício anunciam que o ano novo está presente e o ano velho ficou para trás.

    De repente, num instante fugaz, as taças de champagne se cruzam e o vinho francês borbulhante anuncia que o ano velho se foi e ano novo chegou.

    De repente, os olhos se cruzam, as mãos se entrelaçam e os seres humanos, num abraço caloroso, num so pensamento, exprimem um só desejo e uma só aspiração: PAZ E AMOR.

    De repente, não importa a nação, não importa a língua, não importa a cor, não importa a origem, porque todos são humanos e descendentes de um só Pai, os homens lembram-se apenas de um só verbo: AMAR.

    De repente, sem mágoa, sem rancor, sem ódio, os homens cantam uma só canção, um só hino, o hino da liberdade.

    De repente, os homens esquecem o passado, lembram-se do futuro venturoso, de como é bom viver. .

    Feliz Ano Novo !!!

  1. Wallace Rocha
    31 de dezembro de 2009 14:04

    É curioso como nos tornamos dependentes do computador conectado à internet. São tantos serviços e informações úteis (ou não) que se fico um dia sem verificar meus e-mails e recados do orkut, me sinto mal...

    Feliz 2010!

  1. Sissym
    3 de janeiro de 2010 15:13

    Leila, o que vc relatou vi acontecer na casa de minha irmã, de amigas, e aqui em casa. A minha filha ama jogar o tal do Clube Penguim (uma fofura) e o teclado... kkkkkk... já tem visitas de formigas cibernéticas. E a gata Lôla... claro, até ela aprendeu a falar no Skype!

    Bjs

  1. joana
    10 de janeiro de 2010 16:16

    Leila
    É isso mesmo.Quando tenho familiares ou amigos que ficam cá em casa a passar uns dias de ferias,é incrivel ,eles não prescindem do Computador,até ficam felizes por saber que cá em casa ha net!
    Bjs
    joana

  1. satélite abduzido
    14 de janeiro de 2010 10:48

    Esta era da informática deixa zilhões de pessoas no mundo 'online' 24hs. O computador se torna o verdadeiro forte apache da vida destes cidadãos. Se tornou um vício, uma doença, um carma e o pior, uma necessidade desmedida!

  1. Cyber
    22 de abril de 2011 21:34

    De uma forma divertida, muitas verdades. Parabéns

  1. Pop Blogs
    25 de dezembro de 2011 16:57

    Muito legal esta postagem. Parabéns!

    A Internet brasileira precisa muito de conteúdos interessantes, divertidos e positivos como estes que você está criando.

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  1. informaticasemitos
    21 de janeiro de 2012 15:44

    Que texto bom! dei muitas gargalhas... Mas a vida moderna vai ficando, e as piadas apenas mudam de senário e personagens. A anos atrás, quem sabe, nossos ancestrais estariam dizendo: "Bartolomeu! quantas vezes vou dizer a vossa mercer para não escrever essas mensagens para seus amigos na hora do jantar. Larga essa pena e me dá esse tinteiro!!"
    As mudanças deveriam ser boas sempre, e a informática deveria trazer paz na família. Espero que aprendamos um dia a resgatar sempre os bom valores que jamais saem de moda

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