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Uma breve história de amor (final)

sábado, 15 de maio de 2010 by Leila Franca

Aviso: a primeira parte desta história está no artigo "Uma (breve) história de amor"

(Final)

Biker on dirt road in forest (blurred motion)

Ele parou a moto e sorrimos um para o outro pela surpresa do encontro. Com um aceno me mandou subir na garupa e saímos em disparada pela estradinha, que ainda era de barro. Eu mal podia acreditar. Ele virava a cabeça pra trás e ia me falando frases soltas, como se quisesse falar tudo ao mesmo tempo.

Thinkstock Single Image Set

Mas não levou nem 15 minutos. Duas outras motos vinham atrás da gente. Por algum motivo, ele acelerou tentando evitar que nos alcançassem, mas as duas motos aumentaram a velocidade também até que uma delas emparelhou conosco. A pessoa que dirigia começou a gritar - esbravejar seu nome! Era uma garota pilotando a moto! Paramos. A garota não parou. Ela fez a volta e foi embora. A outra moto parou junto de nós. Era um rapaz, irmão da garota.

low angle view of a teenage girl riding a motor cycle

Entendi tudo. A garota que pilotava a moto era namorada dele!!! "Vou ter que ir lá", ele disse e eu entendi. O irmão da menina ficou de me levar de volta para o hotel, mas conversamos tanto nessa noite, que acabei ficando amiga do rapaz!

Aqueles dias foram frustrantes, mas reacendeu o que havíamos sentido ao nos conhecer. De volta ao Rio de Janeiro, passados alguns meses, ele telefonou. E telefonou de novo no dia seguinte. Eu, que não sou de ficar esperando, tomei iniciativa e fui à luta. Me arrumei e fui na casa dele, sem avisar.

Num prédio de luxo, numa zona nobre da cidade, uma mulher elegante me atendeu. "Você é a Leila!", disse ela assim que me viu. "Como a senhora sabe?" Ela explicou: "É que meu filho fala tanto de você que eu te reconheci!"

Portrait of a businesswoman

Ele não estava em casa, mas ia chegar. Enquanto isso, conversamos. Entretanto as notícias não eram boas. Ele estava com problemas sérios de saúde. Quando chegou, se deitou com a cabeça no meu colo. Agia com tanta naturalidade, que parecia que eu sempre estivera ali. Mas por mais que eu me dispusesse a apoiá-lo, ele estava irredutível. Não queria um relacionamento comigo enquanto estivesse lidando com aqueles problemas.

Eu respeitei a vontade dele e o tempo passou outra vez. Foram-se quase 2 anos. Até que eu fui num show de rock, num estádio de futebol. Porém, no meio daquele povaréu, eu o vi na multidão! E - acreditem - ele também me viu. Acho que nos olhamos no mesmo instante. Eu abandonei as pessoas que tinham ido comigo, ele deixou pra trás seus amigos e cavando espaço entre as pessoas, finalmente nos encontramos e nos abraçamos. Foi um encontro feliz!

Cheering Crowd

Nos dias que se seguiram, fiquei pensativa. Eu havia tomado iniciativa uma vez, mas fazer isso todas as vezes iria decerto me fazer mal. Se ele gostasse mesmo de mim, iria me procurar. Mas acontece que ele não me procurou. Não pro-cu-rou! Essa era a realidade.

Resolvi tocar a vida pra frente. Fiz faculdade, me casei, tive filhos. Um belo dia meu marido chegou em casa com um presente. "Conheci um amigo seu, por acaso. Na mesma hora comprou esse presente e te mandou de lembrança." Fiquei boquiaberta com a coincidência. No meio de tanto povo nesse Rio de Janeiro, o meu marido vai conhecer justamente "ele", lá no outro extremo da cidade! Eu segurava o presente, com um misto de alegria e tristeza.

Close-up of a gift

Mas o tempo passou outra vez. Muito tempo. Me separei, fiz outra faculdade, me casei outra vez, me separei mais uma vez e um belo dia, do nada, subi no alto da estante da sala, peguei um caderninho antigo de telefone e disquei o número, tudo rápido, sem pensar muito! Do outro lado, me responderam:

"Alô... É a Leila? A Leila???!!! Peraí, não sai daí não!" - depois de 20 anos haviam me reconhecido!

womans hand with mobile phone

Conversamos longamente, agora como adultos. Ele também havia-se casado duas vezes, assim como eu. Eu estava começando a me sentir mal por tê-lo procurado, mas ele me falou algo que valeu pela ligação:

"Sabe que logo depois do nosso último encontro eu fui na sua casa?", ele disse.

"Você veio???" - eu não conseguia acreditar!

Para me convencer, ele me falou detalhes da minha rua e da minha casa. Com certeza, ele tinha ido lá. Ou seja, ele tinha sim, me procurado. Eu não estava nesse dia, ou então não me chamou. Mas ele tinha ido. Para mim, era o suficiente.

"Vamos marcar um dia pra gente se encontrar?" , ele perguntou.

E eu disse: "Não, é melhor não."

E nunca mais nos vimos.

15 comentários:

  1. Mr.Jones
    16 de maio de 2010 13:56

    Leila, se eu tivesse lido isso há uns dias atras, eu teria feito diferente desse seu "amor" do passado. Mas por um lado, eu penso agora. O destino cumpriu seu papel. Voce precisou viver a historia dos seus casamentos, ele os dele tambem. Eu nao sei se estaria preparado para me esbarrar com a Juliana por aqui, ou seja la em que lugar desse mundo. Nao sei se, desviaria o olhar e fazer de conta que nao vi. Ou, se ia atras e mostrar que sou educado e cumprimentar. Coisas complicadas de planejar.
    gostei da ultima parte, foi mais assim, cheia de surpresas.

    bjs

  1. Anônimo
    16 de maio de 2010 14:30

    Mas ainda nao terminou Sinto dizer...

  1. Cecília Avenca
    16 de maio de 2010 15:31

    Fiquei arrepiada, não consegui despregar os olhos do texto!Quem sabe o destino se encarrega de reencontra-los para que haja enfim o capítulo final.
    Bjos

  1. rr3075ss
    16 de maio de 2010 16:46

    Meu Deus,bela Leila!... Que show sua adolescência! Belíssima história
    que,com certeza,seria a de um grande amor... Agora, só palpitando, acho que o tal "por acaso" não existe.Acredite;em nossa vida,tá tudo escrito!
    Mas,como sempre,viramos as páginas muito rápido,ou demoramos a fazê-lo.
    Maktub,grande Leila!Que nós, como seres sociáveis,possamos ver isso algum dia,e lermos juntos,a história completa da humanidade! Um grande abraço e obrigado pelas emoções que viveu e que nos repassa agora.Bj~os!

  1. Sonia Regly
    16 de maio de 2010 16:55

    Leila,
    O anônimo disse tudo:
    Ainda não terminou. Histórias assim marcam pra sempre!!! E agora vc é livre!! Muito linda sua história, dá uma novela global.
    Beijos

  1. Leila Franca
    16 de maio de 2010 18:29

    Oi Radi,

    Algumas vezes tenho a sensação de que realmente já está tudo traçado ou então não existiriam as premonições, o dejavu, a intuição, que são fenômenos inexplicáveis. Um dia haveremos de saber.

    Obrigada por vir aqui no meu blog.

    bjs

  1. Senhor da Vida
    16 de maio de 2010 19:09

    nossa, que historia eim, acho que a vida fez seu papel, trouxe uma no caminho do outro, mas faltou talvez um preparo ou vontade maior do que o impulso do momento.Mas que foi marcante e linda foi!

  1. MARIA COSTA
    16 de maio de 2010 19:18

    AMiga Leila

    Fico feliz de te rtemrinado essa historia, estava ansiosa para saber o final.Nossa, que tantos encontros e desencontros ein,em pleno estado de futebol vocês se viram, nao acho coincidencia, pois acredito que nada acontece por acaso, infelismente ainda vocês nçao estavam preparado para viver esse lindo amor.
    Bjs no coração

  1. Valéria Braz
    16 de maio de 2010 19:32

    Leila, Leila e isto porque você não se diz romântica....hehehe, mas a vida é engraçada né... dá todo o romântismo do mundo as pessoas que merecem ter estas histórias para contar.....
    Adorei... mas vocês ainda vão se encontrar novamente!
    Beijo no coração

  1. RobMaia
    16 de maio de 2010 19:54

    Leila,... eu havia lido a primeira parte e senti que havia um complemento. Por isso não comentei. Fiquei meio sem saber o que dizer. E, nesse caso, é melhor não dizer nada. Elogiar a qualidade do texto me pareceu redundante, pois já sabe que sou seu fã. Mas agora sim. Belíssima história e com um final surpreendente, já que escapa ao convencional final feliz - sem deixar também de ser um bom final. Valeu mesmo, minha amiga. Beijos.

  1. Fernandez
    17 de maio de 2010 12:05

    Incrível Leila!
    Chega a ser uma daquelas conspiração do universo... :-)
    Uma história de tirar o fôlego e com interessantes acontecimentos que se entrelaçam... muito curioso.
    Quanto ao final... Pode, inclusive, não ser o final, mas sim mais um tempo na história para o próximo capítulo ser escrito... Quem sabe? ;-)
    Beijo no coração, Fernandez.

  1. Jackie Freitas
    18 de maio de 2010 14:38

    Leila! Nossa, amiga! Que história! Bom, como acredito em vidas passadas e coisas do tipo, isso (para mim) só confirma que reencarnamos em grupos...que nada e nem ninguém acontecem por acaso.
    Grande beijo!
    Jackie

  1. Anônimo
    6 de novembro de 2010 21:46

    Leila, minha chará...vivo uma históra semelhante a tua.E tenho ctz q nada acontece por acaso...se não for aqui...vai ser em outra vida.
    beijo

  1. Leila Franca
    7 de novembro de 2010 01:12

    Anônimo-Chará,

    Espero que contigo tudo dê certo...

    bjs

  1. Anônimo
    19 de janeiro de 2011 13:34

    Mulher você devia ter ficado com esse home.. ô eu com uma história dessa se dispensava!

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